Padre Pio

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Padre Pio

A Verdadeira Fisionomia dos Santos

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12 de agosto de 1912:
“Estava na Igreja para fazer o agradecimento pela Missa quando, de repente, senti o coração ser ferido por um dardo de fogo, vivo e ardente, que pensei matar-me; me faltam as palavras corretas para fazê-lo compreender a intensidade daquela chama: estou bastante impotente para poder expressar-me. Acredita? A alma, vítima desta consolação, ficou muda. Parecia que uma força invisível a submergisse toda naquele fogo… Meu Deus, que fogo!… Em um segundo, minha alma havia sido separada do corpo… Andava com Jesus.”

Esta carta…

do Padre Pio descreve como um dos grandes santos de nosso tempo – e de todos os tempos – recebia os estigmas de Cristo. Neste momento ele sentia apenas o impacto da perfuração de seu coração, mais tarde no entanto, estes sinais seriam visíveis.

Francisco Forgione nasceu no vilarejo de Pietrelcina, na província italiana de Benevento, a 25 de maio de 1887, e foi batizado logo no dia seguinte. Seus pais, Grazio e Maria, eram pessoas humildes, pobres e muito devotas. Tiveram sete filhos que educaram na fé cristã.

Francisco queria ser padre desde muito pequeno. Ele dizia querer viver para Deus, consagrar-se a Ele e fazer o bem às pessoas. A mãe deu o seguinte testemunho sobre sua infância: “Não cometeu nunca nenhuma falta, não tinha caprichos, sempre obedeceu a mim e ao seu pai. Toda manhã e tarde ele ia à igreja visitar Jesus e a Virgem Maria. Desde pequeno tinha grande devoção a Nossa Senhora e ao seu anjo da guarda. Não saía com os seus companheiros. Às vezes eu lhe dizia: ‘vá lá fora brincar com os meninos’. Mas ele me respondia – ‘eu não quero porque eles blasfemam’”.

Segundo escreveu o padre Lamis, da paróquia local, e que dirigiu espiritualmente o menino, desde os cinco anos de idade ele teve visões sobrenaturais. Ele achava aquilo normal, pensando que todo mundo também as tinha. Ele via aparições do Anjo da Guarda, de Maria, de Jesus e também de demônios. O tormento das aparições demoníacas era sempre confortado por aparições celestiais. Deus o conduzia por uma via extraordinária.

Aos 15 anos, pouco antes de sua entrada no convento dos capuchinhos, teve a visão de um homem esplendoroso que o convidava a lutar contra o que ele chamava de “gigante tão alto que sua testa tocava as nuvens”; o gigante era o demônio. O jovem Francisco juntou suas forças às do homem esplendoroso e lutaram contra o gigante. Depois o homem disse que essa batalha aconteceria durante toda sua vida, mas que ele deveria lutar sem medo, pois seria sempre vencedor.

Aos 16 anos pôde realizar seu sonho: consagrar-se inteiramente a Deus. Em 1903, entrou na ordem dos capuchinhos, tornando-se filho espiritual de São Francisco de Assis. Ele escolheu o nome religioso de Pio. Sua saúde, porém, era ruim. Várias vezes foi enviado para a casa dos pais para se recuperar de doenças. Assim que melhorava, retornava ao convento. Em 1907 fez os votos solenes, tornando-se um frei capuchinho. Em 1910 foi ordenado sacerdote na catedral de Benevento. A sua Missa durava em média quatro horas, e muitos diziam ter a impressão de que assistiam a Paixão de Cristo. Nessa época, ele se ofereceu a Deus como “vítima pelos pecadores e pelas pobres almas do purgatório”. A Igreja apenas permite isso quando há um diretor espiritual muito competente para auxiliar quem se oferece, pois todos fomos salvos, preservados deste sacrifício por Jesus, e quem se oferece, paga a sua generosidade com grandes sofrimentos.

Padre Pio “acordava sempre na alta madrugada e ficava horas na capela, sozinho, rezando e meditando.”

Depois de passar por vários conventos, chegou em 1916 à pequena comunidade capuchinha de San Giovanni Rotondo, uma cidadezinha italiana da região do Gargano, onde acabou ficando pelo resto de sua vida.

Era muito metódico e seus dias eram sempre preenchidos por longos momentos de oração. Acordava sempre na alta madrugada e ficava horas na capela, sozinho, rezando e meditando. Rezava cinco rosários por dia. Assim ele se preparava para celebrar a Missa. Esta era a parte do dia de que ele mais gostava, pois no silêncio da madrugada não era interrompido por ninguém e podia ter grande intimidade com Jesus Sacramentado e com Nossa Senhora. Dizia sempre: “Nos livros buscamos a Deus, na oração o encontramos”. Depois da Missa tomava um café da manhã bem simples e passava a atender os fiéis.

Logo se espalhou a notícia de que ele era um excelente confessor e conselheiro. As filas no seu confessionário cresciam cada vez mais. Chegava a passar até 14 horas por dia confessando e atendendo pessoas. Muita gente sem fé se convertia ao falar com ele. Dizia para muitos ao final da confissão: “Lembre-se, os seus pecados, por mais numerosos e graves, são limitados; a misericórdia de Deus é infinita”.

Em 1918, a Primeira Guerra Mundial e a gripe espanhola mataram quase todos os freis do convento; restaram apenas três, entre eles Padre Pio. Um fato extraordinário ocorreu quando ele rezava na pequena igreja do convento, diante do crucifixo. Ele descreveu o ocorrido numa carta enviada a um padre amigo: “Foi na manhã do dia 20 de setembro, no coro, depois da celebração da Santa Missa. Fui surpreendido por um descanso do espírito, parecia um doce sonho. Todos os meus sentidos, além das faculdades da alma se encontraram numa quietude indescritível… senti uma grande paz… Tudo aconteceu num instante: eu vi na minha frente um misterioso personagem… que tinha as mãos, os pés e o peito emanando sangue. A visão me assustou, o que senti naquele instante não saberia dizê-lo. Senti como se eu estivesse desfalecendo e morrendo, se Deus não tivesse intervindo para sustentar meu coração, que parecia saltar do peito, acho que teria morrido. A visão do personagem desapareceu e eu me dei conta que meus pés, mãos e peito estavam feridos e jorravam sangue. Imagine o suplício que experimentei então e que estou experimentando continuamente todos os dias. A ferida no coração sangra continuamente. Ela começa na quinta-feira pela tarde e vai até sábado. Meu pai, eu morro de dor pelo suplício que experimento no mais íntimo da alma. Temo morrer em sangue, se Deus não ouvir os gemidos do meu pobre coração e ter piedade de retirar de mim esta situação.” Padre Pio havia recebido em seu corpo as chagas de Jesus. As feridas, como as de um crucificado, começavam a sangrar na tarde de cada quinta-feira, aumentavam na sexta e terminavam no sábado pela manhã. Logo a notícia se espalhou, apesar do frei ter coberto as feridas com curativos e panos.

As feridas foram examinadas por vários médicos chamados pelos frades e por alguns que se apresentaram espontaneamente. Sobre a rígida vigilância de uma equipe médica, o professor Begnani submeteu Padre Pio a um tratamento de cicatrização por oito dias. Ao final, o professor acreditava que provaria a fraude, mas ao contrário, as chagas se abriram e sangraram ainda mais, eram feridas cientificamente inexplicáveis. Este fenômeno continuou ao longo de toda sua vida.

Padre Pio celebrando a Santa Missa. Fica visível aqui, na mão direita do santo, uma das “feridas cientificamente inexplicáveis”.

Foi o único sacerdote na história a receber as chagas de Cristo, ou seja, foi o único a celebrar uma Missa com as chagas, por isso definiam a celebração presidida por ele como “um verdadeiro reviver da Paixão de Cristo”.

Logo muita gente começou a peregrinar a San Giovanni Rotondo para receber a bênção daquele pequeno frade que já tinha fama de ser santo. Queriam se confessar, se aconselhar, participar de sua Missa. Muitos doentes chegavam também e houve numerosos casos de cura. Os fatos extraordinários se multiplicavam; começaram a chegar testemunhos de pessoas que tinham falado e estado com o padre Pio, ao mesmo tempo em que ele estava em outro lugar. Era o raro milagre da bilocação, estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. Um destes fatos aconteceu com um capitão do exército italiano durante a II Guerra Mundial. No meio de uma batalha, de repente ele viu um monge capuchinho do lado dele que lhe gritou – saia daqui, fique longe daqui! O capitão correu e logo depois uma grande bomba estourou no lugar em que ele estava. O monge, porém, havia desaparecido. Pela descrição, alguém achou que podia ser o Padre Pio. O capitão viajou até San Giovanni e ao ver o frei, caiu de joelhos chorando e dizendo: é ele, foi ele que me salvou a vida!

O Papa Pio XI, que a princípio estava um pouco duvidoso quanto à via extraordinária do Padre Pio, devido às calúnias e perseguições que pessoas de fora e de dentro da Igreja empreenderam por achar que era tudo fraude, teve a confirmação de que se tratava realmente de um homem sobrenatural. Durante a beatificação de Santa Teresinha, muitas testemunhas, entre elas cardeais e membros do alto clero, afirmaram ter visto Padre Pio na Praça São Pedro. Logo depois, confirmaram que o capuchinho não havia tirado os pés de seu convento. Tratava-se de mais uma bilocação. Pio XI, após ouvir o testemunho de Dom Orione, em quem confiava muito, disse: “Se Dom Orione também o viu, sim, acredito”.

Sobre a investigação de seu serviço sacerdotal iniciada pela Igreja, foi uma sucessão de mal entendidos, pessoas de fora e de dentro da Igreja, invejosos das multidões que o procuravam, começaram a dizer gratuitamente, sem nenhuma prova e nem mesmo indício, que os milagres eram todos forjados, que era tudo uma invencionice dele e dos demais frades do seu convento. Como a Igreja trata destas coisas com muita seriedade, um inquérito eclesiástico foi aberto e durante as investigações, suas aparições públicas foram restringidas. A investigação provou não só sua inocência, mas que os milagres atribuídos a ele eram realmente inexplicáveis. Padre Pio dedicou esse tempo à oração. O inquérito durou 20 anos, do pontificado do Papa Pio XI até João XXIII, mas os papas pouco tiveram a ver com a história, e sim a equipe que foi até o Padre Pio para pesquisar sobre sua vida. O próprio Papa João XXIII repetiu várias vezes ao final de sua vida: “Sobre Padre Pio, me enganaram”.

O Papa João Paulo II, anos mais tarde interpretou sabiamente esses períodos chamados de “decênios de fogo”: “Não menos dolorosas, e humanamente talvez ainda mais fortes, foram as provações que teve de suportar como consequência, dir-se-ia, dos seus singulares carismas. Na história da santidade às vezes acontece que o escolhido, por especial permissão de Deus, é objeto de incompreensões. Quando isto se verifica, a obediência torna-se para ele crisol de purificação, vereda de progressiva assimilação a Cristo, refortalecimento da santidade autêntica.”

Há dois fatos tocantes que unem a vida do grande Papa João Paulo II a Padre Pio. Ainda quando estudante, em 1948, o jovem sacerdote polonês Karol Wojtila foi ver e se confessar com o capuchinho de que o mundo inteiro falava. Ao terminar a confissão, Padre Pio simplesmente disse: “Será Papa; te vejo vestido de branco e vejo sobre ti violência e sangue”. O futuro Papa sempre manteve isso em segredo, o fato se tornou conhecido apenas após sua eleição como Papa.

Anos mais tarde, em 1962, quando o então bispo Wojtila estava na Itália para participar do Concílio Vaticano II, ficou sabendo por carta que uma amiga de juventude, Wanda Poltawska, tinha um grave tumor e as esperanças eram nulas. Wojtila escreveu imediatamente para Padre Pio pedindo suas orações. Neste tempo, devido à investigação sobre seus serviços sacerdotais, os membros do clero não podiam se comunicar com Padre Pio, mas Wojtila fez a carta chegar através de Angello Battisti, colaborador de Padre Pio. Battisti disse que ao entregar a carta a Padre Pio, ele comentou: “Angiolino, a este não se pode dizer não!”. Battisti ficou curioso, mas estranhou, pois conhecia Wojtila apenas como um jovem bispo polonês. Onze dias depois o colaborador de Padre Pio levou mais uma carta do bispo Wojtila para o capuchinho. Desta vez era para agradecer, pois sua amiga havia se curado repentinamente, momentos antes da cirurgia.

A última Missa » aqui as chagas já haviam desaparecido sem deixar cicatrizes.

Se na infância Padre Pio via os demônios em forma de criaturas horripilantes, foi pior depois de adulto. Este seu aspecto sobrenatural foi muito forte, a tal ponto que o famoso padre Gabriele Amorth, filho espiritual do Padre Pio e principal exorcista do Vaticano, conhecido mundialmente como “o grande exorcista”, relatou o seguinte episódio: “Desde quando sou exorcista, recorro sempre à ajuda do Padre Pio, que por toda a vida combateu contra o demônio e sempre venceu. E devo dizer que Padre Pio me ajuda muito. Durante os combates, eu não vi nenhum sinal sensível de sua presença. Mas muitas vezes é o demônio, através da pessoa possessa, que vê a presença do Padre Pio e grita: ‘Aquele frei, não! Não quero aquele frei! Mande aquele frei embora’”.

Mas não apenas a via espiritual do Padre Pio era extraordinária, ele também foi o criador de grandes obras que existem até os dias atuais. Exemplo disso é a “Casa Alívio do Sofrimento”, um dos mais modernos hospitais do sul da Itália, que atende principalmente enfermos pobres. Ele não quis que o lugar fosse chamado de hospital, pois queria uma casa com atmosfera espiritual que curasse as feridas do corpo e principalmente da alma. Não quis que os leitos tivessem números, mas sim os nomes dos pacientes.

Padre Pio passou 50 anos em San Giovanni, levando a mesma vida e fazendo o bem aos que o procuravam. Sua fama de santidade já percorria o mundo, mas ele continuava sua vida pobre de frade capuchinho, sem fazer grandes sermões ou discursos, sem escrever livros. Ele disse várias vezes: “Eu quero ser apenas um pobre frade que reza”. Quase nada se sabe de sua vida particular no convento, pois era uma vida simples e rotineira, como a de qualquer frade ou monge.

Nos últimos anos, sua saúde piorou e seus sofrimentos físicos aumentaram. Faleceu serenamente e em paz, após receber os sacramentos e celebrar sua última e emocionante Missa, aos 81 anos de idade, no dia 23 de setembro de 1968. Sua morte provocou uma verdadeira comoção nacional na Itália. Uma imensa multidão foi a San Giovanni para o enterro. Todos já o consideravam santo. Três anos após sua morte, o Papa Paulo VI disse sobre o padre Pio: “Olhai a fama que ele alcançou, quantos devotos do mundo inteiro se reúnem ao redor do seu túmulo! Mas porquê? Por ter sido talvez um grande filósofo? Por ter sido um sábio? Por ter muitos meios à sua disposição? Não! Isto se dá porque ele celebrava a Missa humildemente, confessava da manhã à noite e era – como dizê-lo? – a imagem impressa dos estigmas de Nosso Senhor. Ele era um homem de oração e sofrimento”.

Depois de sua morte as multidões não cessaram de acorrer a San Giovanni. Por isso, um grande Santuário foi construído para acolher a massa de fiéis. O processo de beatificação foi aberto logo após a morte. A prática de todas as virtudes em grau heroico foi provada abundantemente. Dentre os inúmeros milagres atribuídos ao santo após sua morte, foi escolhido o de uma senhora de Salerno na Itália. No dia 2 de maio de 1999 o Papa João Paulo II declarou-o beato. Para um beato ser declarado santo é necessário um outro milagre comprovado cientificamente. Foi escolhida a cura inexplicável de uma criança gravemente enferma, Mateo Collela, da própria cidade de San Giovanni. Em 2002 Padre Pio foi solenemente canonizado por João Paulo II, na Praça de São Pedro, diante de imensa multidão. Sua festa litúrgica foi estabelecida a 23 de setembro. Ele foi proclamado um dos santos protetores da Itália, pois a devoção ao Padre Pio em todo o país é extraordinária.

Em março de 2008, sua sepultura foi aberta diante do arcebispo, do superior dos capuchinhos, de outras autoridades e especialistas forenses para exumação e reconhecimento. Em parte, o corpo manteve-se incorrupto, principalmente nos locais onde antes havia as chagas, lá nenhuma cicatriz sequer foi encontrada, como aconteceu nos últimos anos de sua vida. Foi então decidido expor seus restos mortais na Igreja de San Giovanni Rotondo, para que os fiéis possam venerá-lo.

Pouco se sabe de sua vida espiritual. Em sua humildade, não gostava de falar de si. Eis uma frase dele que resume toda a sua vida: “O amor é a rainha das virtudes, como as pérolas se ligam por um fio, assim as virtudes, pelo amor. As pérolas se soltam e fogem quando se rompe o fio. Assim também as virtudes se desfazem afastando-se o amor. É preciso amar, amar e nada mais”.

As Missas do Padre Pio duravam em média quatro horas, e muitos diziam ter a impressão de que assistiam a Paixão de Cristo.

GAUDETE ET EXSULTATE

A ACN recomenda a leitura da Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, do Papa Francisco, como forma de aprofundar o tema “santidade”.

GAUDETE ET EXSULTATE

Um comentário

  1. NADIR MOURA DE OLIVEIRA 30 de agosto de 2021 at 10:15 - Responder

    FIQUEI REALMENTE, PERPLEXA COM A HISTÓRIA DE VIDA DO PADRE PIO, EU CONHECIA, APENAS, ALGUNS DETALHES, , MAS, LI TUDO E CONTINUO EXTASIADA COM TANTA FORÇA ,DIVINDADE E SANTIDADE. PASSO A SER SUA DEVOTA, A PARTIR DE HOJE, E, VOU PROCLAMAR A SUA DEVOÇÃO. AMÉM.

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