Bakhita

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Bakhita

A Verdadeira Fisionomia dos Santos

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Sudão…

coração da África, ano de 1874. Na Aldeia de Olgossa, em Darfur, numa pequena cabana, morava uma família com três filhos saudáveis e fortes, e quatro lindas meninas. Quatro outros filhos haviam falecido. O amor reinava entre eles, até que em uma tarde, uma de suas filhas, uma das gêmeas, a menina de apenas cinco anos, que um dia ficaria mundialmente conhecida como Santa Bakhita, acompanhou sua mãe ao campo.

O dia estava calmo, mas a pequena menina e sua mãe ouviram barulhos de cavalos, gritos e passos. Não havia dúvidas sobre o que esses ruídos significavam: eram os negreiros, mercadores de escravos que estavam invadindo a aldeia e raptando as pessoas. Os saqueadores atacaram a cabana da família de Bakhita, onde suas duas irmãs estavam. A irmã mais velha foi amarrada e sequestrada. A pequena Bakhita lembraria por toda a sua vida, cada lágrima derramada naquele dia em que sua irmã fora levada. As buscas foram em vão, a família a perdera para sempre.

Dois anos se passaram desde o sequestro, a família fez o possível para retomar a alegria em seu lar, e numa manhã, Bakhita foi com uma amiga até o bosque para colher ervas. Dois estranhos apareceram e despistaram a amiga. Bakhita em pouco tempo foi capturada e sentiu mãos fortes segurando seus ombros. Sacaram um facão e um fuzil, e a ameaçaram dizendo: “Se gritares, eu te mato. Vamos, segue-nos!”. A menina ficou tremendo de medo e apesar das ordens tentou gritar, mas a voz estava presa em sua garganta, assim como sua vida estaria presa por muito tempo.

Foi levada com uma arma apontando para sua cabeça, os pés e tornozelos sangravam devido aos arbustos espinhosos e pedras pontiagudas. Bakhita finalmente conseguiu gritar: Mamãe! Papai! Mas era inútil, já estavam longe demais de sua aldeia. Caminharam durante toda a noite, por fim chegaram a uma cabana. Lá havia ferramentas e a menina temia pelo pior, por isso começou a implorar clemência a seus sequestradores. Um deles perguntou: “Como vamos chamar esta criança? A chamaremos de Bakhita.” O outro ainda disse: “É um nome bonito, que lhe trará sorte.” Bakhita em árabe significa afortunada, felizarda, seu raptor não fazia ideia que acabara de profetizar a vida daquela menina. Bakhita ficou nesta cabana por um mês inteiro, na escuridão. Apenas uma vez por dia aparecia alguém para lhe dar uma pequena porção de comida. Lá o chão era sua cama e toda a sua casa, sua única alegria era quando caía exausta e sonhava com seus queridos, sua família, se encontrava com eles e contava seus sofrimentos e como estava feliz em vê-los novamente, mas o sonho logo dava lugar para o pesadelo de sua vida real.

Uma manhã, Bakhita finalmente foi retirada da cabana para ser apresentada a um mercador de escravos, que a comprou imediatamente e a amarrou em uma caravana de seis escravos. Dentre eles havia uma pequena menina que se tornaria sua amiga. Caminharam por oito dias. Os escravos adultos tinham uma corrente em comum amarrada no pescoço e quando um deles caía, todos eles sofriam. À noite, quando se tiravam as correntes do pescoço e se colocavam outras nos pés, Bakhita pôde ver com grande angústia as grandes feridas que ficavam no pescoço dos escravos.

Quando a caravana chegou ao mercado de escravos, ela foi novamente vendida, juntamente com sua amiga, a um outro comprador. Este as acorrentou a uma cabana pequena e estreita. Uma tarde seu “dono” lhe tirou as correntes e ordenou que as duas debulhassem as espigas de milho que estavam no lombo de um burrinho, perto da cabana. Preocupado com os seus afazeres, o dono se afastou. As crianças não tiveram dúvidas, pela primeira vez em meses, estavam sem correntes em suas pernas e então saíram correndo o mais rápido que podiam. Correram por uma noite inteira floresta adentro. De repente, ouviram uns rugidos, não havia dúvida, lá até as crianças sabem reconhecer um leão à distância. Procuraram rápido uma árvore grande e subiram nela o mais rápido que puderam. Logo surgiu o leão que ficou um pouco por ali e foi embora. Pode-se imaginar o terror daquelas crianças sozinhas, perdidas na floresta africana à noite, fugindo de seus raptores. Até que, na manhã seguinte, encontraram uma aldeia e se encheram de esperança. Mas a esperança se desfez quando as meninas foram presas novamente na aldeia, e vendidas a outro negociante de escravos. Desta vez foram levadas para El Obeid, onde escravos trazidos de várias partes do país eram leiloados.

As duas meninas foram compradas por um homem muito elegante, rico e que já possuía muitos escravos. Elas então foram destinadas a serem empregadas das filhas de seu novo “dono”. Bakhita e sua amiga eram bem tratadas, nada lhes faltava, mas esta paz não durou muito tempo. Certo dia Bakhita cometeu um erro na presença do filho de seu patrão, ela mesma nunca soube dizer qual foi o erro, provavelmente porque não houve erro algum, e sim crueldade humana, que obrigava crianças escravas a fazerem deveres além de suas capacidades. Seu patrão, zangado, a jogou no chão violentamente, pegou o chicote, a açoitou e deu pontapés furiosamente. A deixou quase morta e depois de um mês – o tempo em que ela levou para se recuperar do açoite – a vendeu novamente.

Desta vez Bakhita foi vendida a um general do exército turco. Em sua casa, o ambiente era impiedoso e a mãe e a esposa do general reinavam sem compaixão. Exerciam seu poder gritando e maltratando os escravos. Se um escravo, por descuido encostasse levemente em suas patroas, era motivo para chicotadas e, segundo os relatos de Bakhita, eram chicotadas para causar feridas. Tanto que em três anos que Bakhita trabalhou lá, ela não passou um dia sequer sem que uma nova ferida lhe fosse aberta.

Nesta casa, houve um dia em que o general discutiu com sua esposa. Para descontar sua raiva, ordenou que Bakhita e mais outra escrava fossem açoitadas por dois soldados. Ela relatou que se lembrava da vara com que batiam sobre sua coxa e arrancavam-lhe a pele e a carne, abrindo uma ferida que deixou sua perna imóvel por vários meses. Ainda sob o domínio do general turco, Bakhita viu muitas escravas morrerem pelos golpes recebidos, mas o pior ainda estava por vir.

A violência contra os negros do Sudão continua até hoje. Os muçulmanos radicais, que habitam o norte, há tempos tentam islamizar à força os negros do sul, que resistem a essa violência. Eles são cristãos e animistas. A região de Darfur, onde nasceu Bakhita, é palco até hoje de atrocidades e violências contra os negros cristãos.

Como sinal de posse, era comum os “proprietários” marcarem os seus escravos com uma navalha, sofrimento do qual Bakhita havia conseguido escapar até o momento. Quando descobriram, ela não teve escapatória: “agora era a minha vez, não tinha força para me movimentar, depois de fazer o desenho habitual com a farinha branca, pegaram uma lâmina e me cortaram seis vezes no peito, sessenta vezes na barriga e quarenta e oito vezes no braço direito. Não posso descrever o que senti, especialmente quando espalharam sal violentamente nas chagas, para fazerem o sinal bárbaro mais distinto ainda”.

Bakhita não conseguia se levantar devido a dor e perda de sangue, precisou ser carregada. Seguiram noites sem fim para Bakhita. Ela ardia em febre e sede, esperando por um médico ou ao menos um consolo. Bakhita ainda não tinha ouvido falar de Deus…

Em 1881 Bakhita estava com 12 anos. Nesse período, um fundamentalista islâmico atacou o Sudão planejando conquistá-lo. Quando o general turco soube do ataque, quis vender os seus escravos e voltar para sua pátria. Bakhita foi então levada pelo general turco para Kartum, a capital do Sudão, para ser vendida. Lá, ela ficou numa estalagem onde estava também o cônsul da Itália. Na manhã seguinte sua vida mudaria mais uma vez. O cônsul italiano a comprou e finalmente ela se tornaria o que seu nome de escrava lhe prometia: afortunada, felizarda.

Seu novo patrão era amável e afetuoso com Bakhita e, pela primeira vez desde o seu primeiro sequestro, Bakhita pôde experimentar a paz em sua vida. Dois anos depois houve uma revolução no Sudão, e o cônsul precisou voltar para a Itália. Bakhita nunca ouvira nem falar na Itália, mas uma força que ela não soube explicar e que só mais tarde entendeu que era o Espírito Santo, lhe deu coragem para implorar ao cônsul que a levasse junto com sua família para a Itália. O pedido foi aceito e, chegando na Itália, o cônsul presenteou Bakhita a uma família amiga, o casal Michieli, que acabara de ganhar também um bebê, a menina Alice, que ficou aos cuidados de Bakhita.

Durante as viagens de negócios da família Michieli, Bakhita e Alice, que era chamada de Mimina, ficavam com as irmãs canossianas em Veneza. Então, o senhor Iluminado Checchini, administrador da família Michieli, assumia a responsabilidade sobre as duas meninas. O senhor Checchini era um homem muito bom, católico exemplar com um coração de ouro. Ele presenteou Bakhita com um crucifixo de prata, mas antes, ele beijou a cruz com grande fervor, gesto que deixou a futura santa muito impressionada. Foi ele quem explicou a Bakhita que Jesus Cristo era o filho de Deus e que morreu por todos.

Bakhita dizia que para ela “a cruz era um segredo, ela me dava uma força misteriosa e um sentimento que eu não entendia. Se eu já tivesse conhecido Jesus durante os meus anos de escravidão, teria sofrido muito menos”.

Bakhita começou então a ser preparada para o batismo pelas freiras canossianas. O senhor Michieli precisou voltar para a África com sua família, e sua esposa queria que Bakhita fosse junto, mas Bakhita recusou, pois disse não estar bem instruída para o batismo. A senhora Michieli ficou furiosa com a ex-escrava, acusando-a de ingrata, mas Bakhita ficou firme apesar de seu coração também sofrer, pois gostava da família e era muito grata por tudo o que ela lhe fez. Disse ter a certeza de que era Jesus quem lhe dava forças para permanecer na Itália, pois Ele a queria para si. A família recorreu até mesmo ao Procurador do Rei. Ele mandou dizer que estando ela na Itália, onde não existe escravidão, Bakhita era uma pessoa livre.

No ano de 1890 Bakhita recebeu no mesmo dia o Batismo, a Primeira Eucaristia e a Crisma, recebendo o nome de Josefina Margarida e Afortunada, que segundo ela, foi uma alegria que só os anjos poderiam descrever. Logo após, ela teve o desejo de tornar-se canossiana. Em 1893 ela fez os votos perpétuos, consagrando-se a Deus e dedicando-se inteiramente aos seus irmãos e irmãs em Cristo. Era chamada carinhosamente de Irmã Morena.

Josefina Bakhita, à pedido da madre superior, relatou toda a sua história às irmãs de sua congregação no manuscrito de 1910. No entanto, nunca se lamentou pelo que havia passado. Ela nunca culpou as pessoas que a torturaram e escravizaram. Certa vez um estudante de Pádua perguntou o que ela faria se encontrasse novamente os mercadores de escravos que a sequestraram e torturaram. Sua resposta foi: “se eu encontrasse os negreiros que me raptaram e também aqueles que me torturaram, me ajoelharia e beijaria suas mãos, porque se não tivesse acontecido tudo isso, eu não seria hoje cristã e religiosa”. Ela nunca acusou as pessoas e nem se queixou daqueles que a torturaram, sempre rezou para que eles tivessem a mesma sorte que ela e encontrassem Jesus. Por muitas vezes ela os defendia quando alguém tentava falar mal daqueles que a fizeram sofrer tanto.

Depois de fazer os votos, a nova irmã Bakhita foi designada pela superiora para ajudar no convento das irmãs na cidade de Schio, no norte da Itália. Era um grande convento com muitas atividades sociais: era escola para jovens pobres, havia um orfanato, educandário para órfãos mais crescidos, e várias associações católicas e um centro juvenil. A irmã foi designada para a cozinha, depois para a portaria e para sua alegria, para a sacristia, pois gostava muito de ficar perto da capela para poder rezar.

A Irmã Morena com um grupo de alunas e ex-alunas.

Em meio a todas estas atividades, Bakhita era muito apostólica. Aproveitava o grande movimento de pessoas indo e vindo no convento, com todas suas atividades, para falar de Deus, que ela chamava de o “Patrão”. E todos gostavam de ouvi-la. Perguntada por uma freira porque falava com tanta gente, ela sorriu e disse: “Eu preciso anunciar a todos o quanto o Senhor é bom e quão grandes são as suas misericórdias”. Ela compôs uma oração missionária que repetia muito: “Oh Senhor, se eu pudesse eu voaria para junto do meu povo pra pregar bem alto a eles como é grande a Sua bondade. Oh, quantas almas poderei conquistar para Ti! Entre elas, minha mãe, meu pai, os meus irmãos e tantos, tantos irmãos africanos. Faz, meu Jesus, que eles Te conheçam e Te amem!”

Vendo todo o bem que a Irmã Bakhita fazia com os visitantes, a superiora designou-a para ser porteira do grande convento. O povo ficou muito contente, todo mundo queria falar um pouco com a Irmã Morena. Ela era muito boa em dar conselhos às famílias com problemas, a encorajar os desanimados, todos saiam contentes e mais animados depois de falar com ela. Ficou famosa a frase que repetia para todos: “faz como o Patrão quer”. Ela foi convidada inúmeras vezes para falar em igrejas e conventos sobre as missões na África.

A partir de 1939 sua saúde começou a piorar. Sofria de bronquite asmática, artrites, pneumonia dupla e andava com dificuldade. Teve de usar uma bengala e esta logo foi substituída por uma cadeira de rodas. Já não podia ter funções definidas no convento, mas ajudava como podia e sempre procurava fazer o bem a todos que se aproximavam dela. Aproveitou a doença para intensificar sua vida de oração. Com o passar dos anos sua saúde foi piorando, respirava com dificuldade e o coração estava fraco. Apesar de seus sofrimentos, nunca se queixou de nada, pois dizia, tinha de ser como “o Patrão queria”. Durante a Segunda Guerra Mundial, Schio foi bombardeada várias vezes. Quando soava o alarme para as pessoas correrem para os abrigos antiaéreos, Irmã Bakhita não se movia e dizia, “deixa que atirem, é o Patrão quem comanda”. E de fato, cerca de 50 bombas caíram por perto e nenhuma explodiu. Esse fato foi muito comentado e o povo atribuía o fato incrível a Irmã Bakhita. Quando em 1943, em plena guerra, nossa santa festejou 50 anos de vida religiosa, toda a cidade de Schio festejou junto com ela, pois a consideravam sua protetora naqueles dias terríveis da guerra.

Estágios da vida de Bakhita

Infância

Juventude

Maturidade

Irmã Bakhita não tinha estudo, mas sua sabedoria era notável, sobretudo para aconselhar as pessoas, através de seu testemunho e seus conselhos, conseguiu inúmeras vocações para a África. Além disso, tinha um fino senso de humor. Pouco antes de falecer, já estando muito doente, uma irmã lhe perguntou: “Como vai?” Ela respondeu: “Eu estou indo… para a eternidade! Sabe, eu vou levar duas malas. Uma com os meus pecados, outra bem mais pesada, com os méritos de Cristo. Vou então me apresentar diante de Deus, dando um jeito de cobrir com o manto de Nossa Senhora a mala com os meus pecados e aí abro a mala com os méritos de Cristo e digo para Deus – agora me julgue com base no que está aqui. Aí vou olhar para trás, onde vai estar São Pedro cuidando da porta e vou dizer a ele, fecha logo essa porta São Pedro, porque eu vou ficar aqui!”. Seu estado de saúde se agravou, ela sofria muito por não poder respirar direito. Mas nunca se queixou de nada. Recebeu o sacramento dos enfermos com muita resignação e uma ponta de alegria por estar chegando a hora de seu encontro com o “Grande Patrão”. Suas últimas palavras foram: “Como estou contente! Vejam, Nossa Senhora, Nossa Senhora…” e faleceu sorrindo. Por estas palavras se depreende que deve ter tido uma visão de Nossa Senhora que veio recebê-la no momento em que partia desta vida. Seu enterro já foi uma proclamação popular da santidade dela. Para todos não havia dúvida: a Irmã Bakhita era uma santa. Milhares de pessoas compareceram e no próprio enterro as pessoas já pediam graças a ela.

Em 1978 o Papa João Paulo II proclamou as virtudes heroicas de Bakhita e a declara Serva de Deus. Em 1992 ele a proclama beata e sua canonização foi feita solenemente na Basílica de São Pedro em Roma no ano 2000, diante de imensa multidão de fiéis. É interessante notar que inúmeros milagres foram operados por intercessão de Santa Bakhita desde sua morte. Mas o milagre que foi escolhido para obter sua canonização aconteceu na cidade de Santos, aqui no Brasil. A Sra. Eva da Costa Onishi sofria de uma complicação grave de ulceração infecciosa, de diabetes, insuficiência crônica venosa, obesidade mórbida e hipertensão. Ao rezar a Santa Bakhita foi curada de tudo sem explicação da medicina.

As relíquias de Santa Bakhita são veneradas na Igreja da Sagrada Família na cidade de Schio, próximo de Veneza, onde ela viveu a maior parte de sua vida religiosa. Muitas graças tem sido alcançadas por intercessão de Santa Bakhita, especialmente por pessoas de origem africana, gente por quem ela tanto rezou e tanto amou em vida.

“Eu estou indo… para a eternidade! Sabe, eu vou levar duas malas. Uma com os meus pecados, outra bem mais pesada, com os méritos de Cristo. Vou então me apresentar diante de Deus, dando um jeito de cobrir com o manto de Nossa Senhora a mala com os meus pecados e aí abro a mala com os méritos de Cristo e digo para Deus – agora me julgue com base no que está aqui. Aí vou olhar para trás, onde vai estar São Pedro cuidando da porta e vou dizer a ele, fecha logo essa porta São Pedro, porque eu vou ficar aqui!” Bakhita (foto de 1938)

GAUDETE ET EXSULTATE

A ACN recomenda a leitura da Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, do Papa Francisco, como forma de aprofundar o tema “santidade”.

GAUDETE ET EXSULTATE

One Comment

  1. Isabel Flores 9 de fevereiro de 2021 at 15:05 - Reply

    Very interesting story! I didn’t know Bakhita yet. I will pray for her!

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