Nossa Senhora de Guadalupe

4254 palavras16.2 minutos de leitura

Nossa Senhora de Guadalupe

A Verdadeira Fisionomia dos Santos

Baixe o Livro completo
Compartilhe:
México…

ano de 1531, os missionários espanhóis tentavam em vão apresentar o Evangelho de Jesus Cristo aos índios astecas. A dificuldade era grande, aquela população já habitava o México há milhares de anos. Seus deuses eram o sol, a lua, as estrelas, além do deus pagão, que era a serpente. Por esses deuses eles ofereciam sacrifícios humanos.

Os missionários apenas conseguiam converter alguns poucos índios. Um destes índios se chamava Cuauhtitlantoadzin e havia sido batizado com 50 anos de idade, quando recebeu o nome de Juan Diego. Juan mudou profundamente sua vida após conhecer o catolicismo. Junto com sua esposa, que recebeu o nome de Maria Lúcia, e o seu tio, Juan Bernardino, eram cristãos fervorosos que caminhavam até 24 quilômetros por dia para participar da Missa no povoado de Tlatelolco, e dos encontros de catequese promovidos pelos franciscanos.

Após a morte de sua esposa, Juan passou a morar com seu tio, e no dia 9 de dezembro daquele ano, quando ele se dirigia à Celebração Eucarística passando pelo monte Tepeyac, ouviu o som de pássaros e uma voz suave, lhe chamando:

– Juanito, o mais pequeno dos meus filhos, onde vais?

Juan Diego não tinha dúvidas. Aquela jovem que aparentava ter 15 anos, vestida como os deuses que sua antiga crença pregava: seu manto era de estrelas, o sol estava atrás de seu corpo, a lua estava sob seus pés, era a Mãe de Deus. Ela sozinha era maior que todos os seus antigos deuses. Ele então respondeu:

– Senhora, minha pequena, vou à tua casa, na cidade, para participar das coisas divinas e aprender os ensinamentos que nos dão os nossos sacerdotes, delegados de Nosso Senhor.

Segundo o Nican Mopohua, escrito pelo sábio índio Antonio Valeriano, responsável por transcrever os textos sobre as aparições, o diálogo continuou com as seguintes palavras da Santíssima Mãe de Deus:

– Quero que tu, o mais pequeno dos meus filhos, saiba que eu sou a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, Aquele que é o criador de todas as coisas, que dá a vida e é Senhor do Céu e da Terra. Eu sou também a vossa Mãe, cheia de misericórdia, e por isso desejo vivamente que aqui me seja construído um templo, para que nele possa mostrar o meu amor, a minha compaixão, dar-te ajuda e defesa a ti, aos habitantes deste lugar, a todos os meus devotos que me invocam e têm confiança em mim. Neste lugar, quero ouvir os seus lamentos, vir ao encontro de todas as suas misérias, sofrimentos e dores. Agora, para realizar quanto deseja a minha benignidade, deves ir à casa do prelado do México para lhe dizer que sou Eu que te envio. Manifestar-lhe-ás o meu desejo de ter aqui um templo na esplanada. Presta atenção para lhe dizer tudo quanto viste e ouviste. Prometo-te a minha proteção, te farei feliz e te darei uma grande recompensa por este dever difícil que te confio. Agora que conheces a minha vontade, meu filho tão pequenino, vai e põe nisto todo o teu esforço.

Inclinando-se, Juan Diego lhe responde:

– Minha Senhora, vou fazer já o que me mandas. Eu sou o teu humilde servo. Vou-me embora.

Nossa Senhora de Guadalupe

Juan Diego foi direto para a cidade e para a casa do bispo, Juan de Zumárraga, franciscano. Ao chegar, Juan Diego se apresentou e rogou a um dos empregados do bispo que fosse dizer a Dom Zumárraga que precisava falar com ele. Passou bastante tempo, até que o levaram à presença do bispo. Logo que entrou, relatou o que tinha visto e o que a Senhora do Céu havia pedido. O bispo ouviu toda a explicação e o recado que lhe trazia, mas parecia não lhe dar crédito. E lhe respondeu: “Meu filho, você vai voltar numa outra ocasião em que eu tenha tempo para ouvir tudo isso com calma. Eu então ouvirei toda essa história desde o início e depois pensarei no desejo que trouxe você até mim”.

Dom Zumárraga precisava ainda de um intérprete para falar com os índios, isto então dificultava bastante o entendimento. Juan Diego saiu de lá muito triste, sentiu que talvez o bispo não acreditasse nele, afinal de contas, ele era da casta tlamenes, a mais desprezada entre os astecas, cuja inferioridade apenas não era maior que a dos escravos. Então, no dia 10 de dezembro, ele volta ao local da visão, e quando chega no monte, lá já está a Senhora a sua espera:

– Senhora, minha pequena, a mais pequena das minhas filhas, fui cumprir as tuas ordens e cheguei, com algumas dificuldades, a falar com o homem indicado, expondo-lhe a tua vontade como me tinhas ordenado. Não o posso negar: fui recebido dignamente e ouvido com atenção, mas pelas palavras de resposta, tive a impressão de não ter sido acreditado. Ele recomendou-me que voltasse, para indagar sobre as intenções da minha visita. Compreendi, porém, claramente que ele considera a proposta da construção de uma Igreja mais como uma invenção minha do que uma ordem tua. E agora eu peço-te, minha Senhora e minha pequena, para que ele nos acredite, que Tu dês esta missão à outra pessoa, a alguém que seja uma personalidade conhecida, respeitada e bem vista. Eu sou um pobre homem, um ser que nada vale, alguém insignificante, uma simples folha. E Tu, Senhora, minha pequena, mandas-me a um lugar aonde eu não tenho o costume de ir e muito menos de permanecer. Senhora, minha patroa, assim, sou um peso e nada poderei fazer.

Sorrindo com seu jeito amável, a Senhora responde:

– Escuta meu filho, o mais pequeno de todos, e sabe que muitos são os meus devotos e servidores, a quem eu poderia confiar o encargo de levar a minha mensagem para realizar o desígnio que tenho em mente. Mas a minha escolha já foi feita. Eu quero que sejas tu mesmo a colaborar comigo, para atingir a minha finalidade. Então, meu filho, o mais pequeno de todos, eu recomendo-te e até te ordeno categoricamente que tu, já amanhã, voltes a ver o bispo. Fala-lhe em meu nome e diz-lhe com franqueza que é minha vontade que o templo se construa. Repete-lhe, ainda, que sou Eu mesma a mandar-te, a sempre Virgem Maria, Mãe de Deus.

Juan Diego voltou ao encontro do bispo, que o ouviu com atenção e pediu uma descrição melhor da imagem da Senhora. O bispo chegou a imaginar que talvez o índio, muito devoto, pudesse ter criado uma fantasia em sua mente, misturando o que ele aprendeu na catequese com elementos das suas antigas crenças. Juan Diego, com coragem e determinação perguntou ao bispo:

– Senhor, qual é o sinal que queres, eu corro já a pedi-lo à Senhora do Céu que me enviou aqui.

Assim que Juan Diego saiu, Dom Zumárraga pediu que seus criados o seguissem, para saber com quem Juan Diego estava se encontrando e se de fato, estava se encontrando com alguém. Os criados foram atrás do índio, mas a certa altura, ele simplesmente desapareceu. Estava chegando o momento de se revelar os sinais.

Quando Juan Diego chegou à casa de seu tio, o encontrou gravemente enfermo, com o que eles chamavam de “cocolotzi”, uma terrível peste daquele tempo, conhecida hoje como varíola. Ele já estava em estágio avançado, com o corpo todo banhado de sangue. Juan Diego buscou um médico para ficar junto do seu tio.

Como não havia cura para a doença, então o tio Juan Bernardino pediu ao seu sobrinho que fosse chamar um padre, para que ele pudesse se confessar e receber a estrema unção. E Juan Diego assim o fez.

Era o dia 12 de dezembro de 1531. Para chegar até o padre, ele teria que passar pelo monte Tepeyac, onde a Virgem Maria aparecia a ele. Preocupado com o seu tio, Juan fez um caminho desviando do monte, pois pensou que se acaso encontrasse a Senhora, ele se atrasaria para encontrar o sacerdote e assim ministrar os últimos sacramentos ao seu tio.

Enquanto ele passava pelo monte, até envergonhado por estar fugindo da Senhora, Ela apareceu e foi ao seu encontro, iniciando o seguinte diálogo:

– O que é, meu filho tão pequeno, onde vais?

– Senhora, minha filha, a mais pequena das minhas filhas, vejo que te levantaste muito cedo e desejo que estejas bem. Como desejaria que estivesses contente! Mas devo dar-te uma má notícia: o meu tio, teu servo, está muito mal, ferido pela peste e já em agonia. Devo ir a toda a pressa à casa da tua cidade, para chamar um dos sacerdotes amados pelo nosso Senhor, para que vá consolá-lo e ajudá-lo a morrer bem. Cada um de nós, desde que nasce, é destinado à morte. Agora, minha Senhora e minha pequena, devo ir primeiro cumprir esta obrigação. Depois, voltarei aqui para receber a tua mensagem. Perdoa-me, tem paciência comigo! Eu não te engano, minha Filha pequenina. Logo que for possível, voltarei, amanhã.

Juan Diego fica de joelhos, a Senhora fixou intensamente o olhar nele, e Ela, com as mãos juntas diz amavelmente:

– Escuta, meu filho, o mais pequenino dos meus filhos, e procura compreender bem. O teu coração está perturbado, mas não te aflijas por uma coisa de nada. Nenhum gênero destes males deve ser para ti um motivo de preocupação. Não estou aqui Eu que sou a tua Mãe? Estás sob a sombra da minha proteção. Eu sou a tua salvação. Tu estás no meu coração. De que tens, ainda, necessidade? Não sofras mais por isto. Quanto ao teu tio, sabe uma coisa: ele não morrerá desta doença. Tenha certeza de que ele já está curado.

Nossa Senhora e o índio Juan Diego: “Não estou aqui Eu que sou a tua Mãe?”.

O mensageiro de Maria então se acalmou e ficou muito feliz, novamente podia sentir a paz em seu coração. Tinha a absoluta certeza de que seu tio estava curado e ficou à completa disposição da Senhora. A Mãe de Deus então lhe pediu que fosse até a montanha:

– No cume da colina, encontrarás a surpresa de flores desabrochadas. Só tens de as colher e de trazê-las aqui. Vai, espero por ti!

O índio foi correndo para o cume do monte, estava tão feliz que nem sentiu suas pernas cansarem, mas o Tepeyac não era um monte em que haviam flores, ainda mais no mês de dezembro, em que o gelo estragava tudo, nem erva daninha resistia lá. Mas quando ele chegou, encontrou um espetáculo de rosas desabrochadas e perfumadas. Eram as conhecidas rosas de Castela, muita raras, ainda mais naquela época do ano. Ele as recolheu em seu manto, conhecido também como poncho ou tilma, e desceu o monte para se encontrar com a Senhora do Céu, que lhe disse:

– Filho meu, o menor de todos, estas flores são a prova e o sinal que você vai levar ao bispo. Diga-lhe em meu nome que ele veja nelas a minha vontade e que ele a cumpra. Você é o meu embaixador, muito digno e de confiança. Eu ordeno rigorosamente que você só abra sua manta diante do bispo para mostrar o que você está levando. Conte tudo a ele… para que ele erga aqui o templo que eu pedi.

Depois disso, Juan Diego caminhou em direção à cidade, muito contente e com muita segurança que dessa vez tudo iria sair bem. Segurava com muito cuidado o seu poncho, para que nada caísse. E se deliciava com o perfume das lindas flores que levava.

Chegando à casa do bispo, os criados do prelado não quiseram incomodar Dom Zumárraga e pediram que Juan Diego esperasse do lado de fora, para ver se ele desistiria de mais uma vez incomodar o bispo. Juan Diego esperou e quando os criados sentiram o aroma das rosas, ficaram surpresos e tentavam pegar as rosas do poncho, mas Juan Diego não deixava.

Impressionados, os criados finalmente levaram Juan Diego até o bispo, a quem o índio disse:

– Senhor, exprimiste o desejo de receber um sinal para poderes acreditar em mim e dares início à construção da Igreja. Levei o pedido à minha Senhora, Santa Maria, Mãe de Deus, que não teve dificuldade em acolhê-lo. Hoje de manhã, mandou-me subir ao topo da colina, onde a tinha visto noutras vezes, com o encargo de colher ramos de flores. Mesmo sabendo que aquilo não era um jardim, mas um lugar cheio de espinhos, fui da mesma forma. E encontrei como que um jardim do Paraíso, muitas flores cintilantes, molhadas pelo orvalho. Ela recomendou-me que voltasse aqui, para as trazer só a ti, como o sinal que pediste, para que te convenças de que vim por sua ordem, e decidas fazer a sua vontade. As flores estão aqui comigo, elas são para o senhor!

Juan Diego então abre o seu manto e deixa cair as belas e perfumadas rosas, todos ficam espantados quando algo mais surpreendente acontece: no simples manto de Juan Diego aparece impressa a imagem da Virgem Santa, com o seu rosto de mansidão, mãos juntas, com a túnica cor de rosa até aos pés, o manto azul e dois grandes olhos brilhantes que pareciam vivos.

Juan Diego abre seu poncho e despeja as rosas na presença do bispo. A imagem de Nossa Senhora aparece então no manto do índio.

Assim como o bispo, todos se ajoelharam imediatamente tentando acreditar no que seus olhos viam. Dom Zumárraga, desamarrou o manto de Juan Diego e o levou para seu oratório.

A partir deste momento, o bispo fez questão que Juan Diego ficasse hospedado no Palácio Episcopal. Também pediu para que logo no amanhecer do dia seguinte, Juan Diego o levasse até o local onde deveria ser construída a Igreja.

Juan Diego estava ainda ansioso para ver seu tio que havia ficado enfermo. Quando chegou em casa outra surpresa: o tio estava completamente curado, os médicos que o acompanhavam estavam sem palavras para descrever a cura. Juan Bernardino, o tio, descreveu que ele também viu a jovem Rainha, que o curou.

Imediatamente iniciaram a construção, o bispo e até mesmo o governador trabalharam como operários nesta obra que, de tempos em tempos, foi sendo reformada. Em 1976 foi inaugurada uma nova basílica muito maior.

E iniciaram os milagres referentes ao manto: mais de 8 milhões de índios se converteram assumindo o catolicismo. Havia dias em que eram realizados 15 mil batismos de índios que, por amor à Jovem Rainha, queriam se tornar cristãos. Toda uma nação asteca se tornou católica, fazendo de Maria a maior evangelizadora da América.

Logo nos primeiros dias após a impressão milagrosa da imagem no manto, durante uma procissão, um índio foi ferido por uma flecha no pescoço, que atingiu a jugular e a traqueia. Os médicos nada puderam fazer. O índio morreu e o cadáver foi colocado no andor de Nossa Senhora de Guadalupe. Imediatamente a flecha pulou do pescoço do índio e este recobrou a vida. No local do ferimento ficou apenas uma mancha rosa.

Muitos milagres foram acontecendo por intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe, como ficou conhecida. Quando a Mãe de Deus se apresentou a Juan Diego ela usou o nome Santa Maria Tequatlaxopeuh, que na língua asteca quer dizer “aquela que esmaga a serpente”. Para os índios, isto teve grande significado, pois antes eles ofereciam sacrifícios aos seus deuses pagãos. Já para os colonizadores espanhóis a dificuldade em pronunciar o nome Tequatlaxopeuh era grande. Os índios pronunciavam o nome “coatlalupei”, que soa parecido com Guadalupe, que é uma antiga devoção espanhola à Nossa Senhora de Guadalupe, uma imagem de madeira encontrada nas areias de um rio entre os anos 1312 e 1350.

O poncho que Juan Diego vestia no dia 12 de dezembro no ano de 1531, deveria durar apenas 12 anos, pois é feito de um tecido muito frágil, extraído da planta maguey. No entanto, o poncho é o mesmo até os dias atuais e milagrosamente não se decompôs. O poncho mede 1,65m de comprimento por 1,60m de largura e está intacto, apesar de não ter sido bem preservado na época.

Por 120 anos, o tecido ficou sem proteção alguma, milhares de pessoas deixavam velas queimando ao seu lado, beijavam o tecido, tocavam-no com espadas, sofreu inundações e umidade salitrosa. Em 1791, quando alguém limpava a moldura onde o manto estava exposto, deixou cair acidentalmente um vidro de água régia, ou seja: ácido nítrico e clorídrico. O líquido não chegou a atingir a imagem, mas o tecido ficou com uma grande mancha, que misteriosamente foi desaparecendo com o tempo.

Outros retoques também já foram dados à imagem, a lua que era branca, foi coberta de prata, outras partes da imagem foram cobertas por ouro. Mas, tanto a prata quanto o ouro escureceram e estão caindo com o tempo, dando lugar às lindas cores originais da imagem.

Em 1921, Luciano Pérez, uma anarquista espanhol, se disse convertido e colocou um arranjo de flores sobre o altar, próximo à imagem. Na verdade, as flores escondiam uma carga de dinamite, que ocasionou numa violenta explosão. O altar de mármore foi destruído, um grande crucifixo de bronze se entortou, todos os castiçais da Basílica foram destruídos, assim como todas as janelas da Igreja e dos prédios vizinhos. O manto, no entanto, ficou intacto, como se nada tivesse acontecido.

Imagem ampliada da íris de Nossa Senhora de Guadalupe com as figuras descobertas em evidência

Após estudos sobre os olhos de Nossa Senhora, chegou-se aos desenhos abaixo, fundamentados nas grandes ampliações por computadores.

desenho aproximado

Provável família indígena.

imagem original ampliada

Um índio sentado de maneira peculiar e com estilo aparente da época em questão.

imagem original ampliada

Figura de um ancião com um jovem. (supostamente Dom Juan de Zumárraga à esquerda e seu intérprete)

Tantos milagres e tantos mistérios envolvendo o tecido começaram a chamar a atenção da avançada ciência do século XX. Em 1949, o doutor Richard Kuhn, prêmio Nobel de química, estudou exaustivamente duas amostras do tecido e chegou à seguinte conclusão: “Nas fibras não existem corantes vegetais, nem corantes animais, nem corantes minerais”. Concluiu-se então que a imagem não era, de forma alguma, uma pintura.

Em 1979, os cientistas Jody Brand Smith e Phillip Serna Calaha, ambos membros da equipe científica da NASA, também fizeram, durante dois anos um meticuloso estudo da imagem. Usaram a fotografia em infravermelho, método que permite encontrar os esboços das pinturas e as marcas dos pincéis. É uma técnica muito utilizada para averiguar a autenticidade de pinturas antigas.

Os norte-americanos não encontraram nenhum sinal de pintura. Nem mesmo verniz foi empregado para conservar a imagem. Nenhum esboço foi encontrado, nenhuma técnica de pintura conhecida foi utilizada. Com o infravermelho é possível acompanhar cada fio de cabelo da imagem, até mesmo das sobrancelhas. A conclusão foi: “Apesar da ausência de qualquer recobrimento protetor, a túnica e o manto são brilhantes e coloridos como se acabassem de ter sido pintados! (…) O retrato original conserva-se como no dia em que foi feito (…) Pode-se notar que depois de mais de quatrocentos e cinquenta anos, não existe descoloração nem rachadura da figura original em parte alguma do poncho que, por não conter emplastro, deveria ter se deteriorado já há centenas de anos”.

Fazendo ainda uma análise microscópica do manto, perceberam que a imagem está separada do tecido três décimos de milímetro, ou seja, a imagem está flutuando, não está impressa.

No quarto século de existência da imagem, o fotógrafo oficial da basílica, Alfonso Marcué, revendo alguns negativos fotográficos, encontrou uma figura humana nos olhos da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Era o ano de 1929 e a Igreja mexicana estava sofrendo perseguição, portanto, achou melhor não divulgar a notícia da figura humana no olha de Maria.

Mas em 1951, o fotógrafo e pintor mexicano, José Salinas Chaves, ao examinar detalhadamente os olhos da Virgem com lentes, redescobriu o que parecia ser um rosto humano minúsculo nas pupilas dos dois olhos d’Ela. Vinte ilustres oftalmologistas examinaram os olhos da Virgem usando aparelhos especializados.

Eles emitiram um relatório certificando que a figura presente na pupila da Virgem, era o efeito de triplo de “Purkinje-Samson”, característico de todo olho humano normal e vivo. Trata-se dos três reflexos vistos por uma pessoa: um reflexo na superfície da córnea; outro, em um plano mais profundo, na superfície anterior do cristalino; e o terceiro, que se apresenta invertido, na superfície posterior do cristalino. Afirmaram que a imagem resultante se situa exatamente onde elas deveriam estar num olho humano e afirmam também que a distorção das imagens ocorre precisamente como num olhar normal, acompanhando a curvatura da córnea. Consideraram este fato um mistério inexplicável. Um dos oftalmologistas que examinaram o olho da imagem comentou depois que pareciam olhos vivos.

Tantas descobertas foram cada vez mais chamando a atenção de especialistas, entre eles o Dr. José Aste Tonsmann, que trabalhava no Centro Científico da IBM, no processamento de imagens transmitidas por satélites artificiais através de computadores. O processo digital utilizado na imagem tratava-se da construção de uma fotografia pelos computadores à base de dígitos ou números. E sabendo que os oftalmologistas enxergavam o busto de um homem com barba na imagem, Dr. Tonsmann afirmou: “Se este busto está aí, eu poderei ampliá-lo melhor do que ninguém, com os computadores”.

Utilizando potentes computadores, Dr. Tonsmann aumentou os olhos da Virgem 2.500 vezes utilizando técnicas avançadas para não perder a nitidez. Então, apareceram, como que impressos, ou fotografados, exatamente como acontece num olho humano, aquilo que está na frente do olho umedecido. Ele reflete discretamente aquilo que vê. E o que havia nos olhos de Nossa Senhora? Em primeiro plano há um índio, que bate com as descrições de Juan Diego. Ao lado há um frade franciscano e um homem jovem de barba em atitude de admiração, é sabido que Dom Zumárraga era franciscano e que precisava de um intérprete para conversar com os índios, estava solucionada a figura que tanto chamou a atenção dos oftalmologistas. E atrás de todos se distingue o que parece ser uma família de índios ajoelhados em atitude de oração, com algumas crianças. Ou seja, estas pessoas são exatamente as que um documento da época descreve como sendo as que estavam presentes na casa do bispo quando se deu o milagre. O cientista declarou ser impossível mãos humanas fazer uma pintura tão minúscula como esta, que não se pode ver a olho nu e nem com lentes comuns. Basta dizer que as menores figuras encontradas medem 1/4 de um milionésimo de milímetro.

Um dos aspectos mais humanos da figura é que incrivelmente o manto tem, nas partes onde estão localizados o rosto e as mãos da Virgem, uma temperatura constante de 36,6 graus Celsius, ou seja, a temperatura de um ser humano vivo.

Nossa Senhora de Guadalupe é um milagre vivo, e foi proclamada em 1910, pelo Papa São Pio X, a padroeira das Américas. Em 1945, a pedido do episcopado e do povo mexicano, Ela foi proclamada rainha do México e o documento oficial afirma – depois de estudos científicos – que ela “foi pintada por pincéis que não são deste mundo”. O Papa João Paulo II a visitou cinco vezes. Na última visita, em 2002, canonizou o índio Juan Diego. Nossa Senhora de Guadalupe também foi proclamada padroeira e protetora dos não nascidos que se encontram no ventre materno. Ela é muito invocada nos partos difíceis e há inúmeros milagres nesse tipo de caso.

O poncho de Juan Diego é exposto na Basílica de N. Sra. de Guadalupe, no México. Um dos santuários católicos mais visitados do mundo.

GAUDETE ET EXSULTATE

A ACN recomenda a leitura da Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, do Papa Francisco, como forma de aprofundar o tema “santidade”.

GAUDETE ET EXSULTATE

Deixe um comentário

Outros Santos …

Ir ao Topo