Líbano

LIBERDADE RELIGIOSA NO MUNDO RELATÓRIO 2021

POPULAÇÃO

6.019.795

ÁREA

10.452 km2

PIB PER CAPITA

13.368 US$

ÍNDICE GINI

31.8

POPULAÇÃO

6.019.795

ÁREA

10.452 km2

PIB PER CAPITA

13.368 US$

ÍNDICE GINI

31.8

RELIGIÕES

versão para impressão

DISPOSIÇÕES LEGAIS EM RELAÇÃO À LIBERDADE RELIGIOSA E APLICAÇÃO EFETIVA

Há aproximadamente o mesmo número de muçulmanos sunitas e de muçulmanos xiitas no Líbano (cerca de 30% cada, com pequenas percentagens de alauítas e ismaelitas). Os cristãos representam aproximadamente 35,1% da população, a maior percentagem de cristãos no mundo árabe.

Existem 18 comunidades religiosas registadas oficialmente: cinco grupos muçulmanos (xiitas, sunitas, drusos, alauítas e ismaelitas), 12 grupos cristãos (maronitas, ortodoxos gregos, católicos gregos, católicos armênios, ortodoxos arménios, ortodoxos siríacos, católicos sírios, assírios, caldeus, coptas, protestantes evangélicos e católicos romanos), e judeus. Baha’ís, budistas, hindus, vários grupos protestantes, e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não são oficialmente reconhecidos.

Os dados demográficos estão no centro da vida política do país. As mudanças demográficas têm grandes implicações políticas. Por esta razão, não foi realizado qualquer censo desde 1932. Os grupos confessionais que estão em declínio demográfico temem o que poderia acontecer à sua representação política se fossem conhecidos os números reais.

O Líbano é uma república parlamentar que não tem religião oficial, mas formalmente não é um estado secular. O sistema político é confessional e reserva os postos políticos mais elevados às várias comunidades, de acordo com critérios bem definidos: a presidência da república cabe a um cristão maronita, a presidência do conselho de ministros cabe a um muçulmano sunita e a presidência do Parlamento cabe a um xiita. As comunidades religiosas estão representadas no Parlamento de acordo com quotas fixas. Apenas uma deputada independente não confessional, Paula Yacoubian,1 foi eleita nas eleições de 2018. Juntamente com quatro outros deputados, Yacoubian demitiu-se alguns dias após a explosão do porto de Beirute em Agosto de 2020.2

A Constituição do Líbano prevê a liberdade religiosa.3 De acordo com o artigo 7.º, “todos os libaneses são iguais perante a lei”. O artigo 9.º afirma que “a liberdade de consciência é absoluta”. E refere ainda: “Ao assumir as obrigações de glorificar Deus, o Altíssimo, o Estado respeita todas as religiões e salvaguarda a liberdade de exercer os ritos religiosos sob a sua proteção, sem perturbar a ordem pública. E também garante o respeito pelo sistema de estatuto pessoal e interesse religioso das pessoas, independentemente dos seus diferentes credos.”

O artigo 10.º diz: “A educação é livre desde que não perturbe a ordem pública, não infrinja a moral e não afete a dignidade de qualquer religião ou credo. Os direitos das comunidades a estabelecerem as suas próprias escolas privadas não podem ser violados, desde que cumpram os requisitos gerais definidos pelo Estado em relação à educação pública.”

O Código Penal libanês criminaliza a blasfêmia e os insultos contra o nome de Deus e as práticas de qualquer religião. A conversão de uma religião para outra é legal, mas os convertidos podem enfrentar uma forte resistência social.4

As questões do foro pessoal da lei privada (como por exemplo casamento, parentalidade, heranças) são tratadas nas jurisdições separadas de cada uma das 18 comunidades religiosas reconhecidas pelo Estado (12 cristãs, cinco muçulmanas e uma judia). Cada comunidade possui a sua própria jurisdição e gere as suas próprias organizações de assistência social e instituições educativas. Contudo, certas comunidades religiosas no Líbano (yazidis, bahá’ís, budistas e testemunhas de Jeová) não são legalmente reconhecidas e por isso não têm direitos enquanto grupos institucionais. Os membros destes grupos são ainda assim autorizados a realizar livremente os seus ritos religiosos. Em vez disso, são obrigados a declararem-se como membros de grupos religiosos reconhecidos nos registros governamentais, a fim de garantir que o seu casamento e outros documentos de estatuto pessoal permanecem legalmente válidos. No entanto, estão autorizados a realizar livremente os seus ritos religiosos.

Os membros de comunidades religiosas não reconhecidas, ou aqueles que possam querer ter um casamento civil, têm de o fazer no estrangeiro. Mas, quando isto acontece, a lei relativa ao seu casamento e os seus efeitos são os do país onde o casamento civil foi celebrado. Esta é uma questão em debate e tem havido repetidas tentativas por parte de alguns grupos da sociedade civil e grupos de direitos humanos no sentido de pressionar para a adoção oficial do casamento realizado no estrangeiro. Os casamentos civis são raros devido a dificuldades administrativas e legais e, quando acontecem, são notícia de primeira página.5

O Líbano tem o maior rácio do mundo de endividamento em relação ao PIB. A taxa de câmbio para o dólar americano atingiu novos picos: 10.000 libras libanesas por dólar em Julho de 2020,6 quando anteriormente a média era de cerca de 1.500. Embora a taxa de desemprego tenha sido estimada em 25% em Novembro de 2019,8 acredita-se que o desemprego tenha afetado mais de um terço da população ativa em Novembro de 2020.9

O Líbano tem o maior número de refugiados sírios per capita do mundo, com um número estimado em 1,5 milhões. Acolhe também mais 18.500 refugiados da Etiópia, Iraque, Sudão e outros países, bem como mais de 200.000 refugiados palestinianos sob o mandato da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados e Obras Públicas (UNRWA).10 O elevado número de refugiados causa tensão e angústia entre as comunidades cristãs, que receiam que a sua proporção continue a diminuir em comparação com a dos muçulmanos.

INCIDENTES E EVOLUÇÃO

Num país onde a política e a religião estão estreitamente interligadas, o direito à liberdade religiosa depende da política interna, que em grande medida depende das ações de atores regionais e internacionais mais vastos.

A 17 de Outubro de 2019 começaram as manifestações anti-governamentais em massa contra o establishment político. O anúncio de novos impostos – principalmente um “imposto WhatsApp”, que teria afetado muitos libaneses que utilizam serviços de mensagens e chamadas de voz para se manterem em contacto com familiares no estrangeiro – foi o catalisador do descontentamento social, econômico e político. As manifestações continuaram a acontecer durante meses sem se chegar a qualquer solução adequada e sustentável. A instabilidade do país aprofundou-se e as tensões aumentaram. As medidas impostas para enfrentar a pandemia da COVID-19 exacerbaram estas questões.

A 4 de Agosto de 2020, Beirute foi abalada pela explosão de 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenado no porto da cidade, que causou 203 mortes, 6.500 feridos e deixou 300.000 pessoas desalojadas.11

No final de 2020, o país chegou a um beco sem saída político. O antigo primeiro-ministro Saad Hariri tinha-se demitido em Outubro de 2019, em resultado de protestos em massa. Em Janeiro de 2020, Hassan Diab foi designado primeiro-ministro, mas foi forçado a demitir-se em Agosto de 2020, na sequência da explosão de Beirute. O embaixador libanês na Alemanha, Mustapha Adib, foi então nomeado primeiro-ministro. Mas menos de um mês depois, a 26 de Setembro de 2020, também ele se demitiu, incapaz de formar um governo devido à forte oposição dos principais grupos xiitas, Hezbollah e Amal. Estes últimos foram principalmente contra o seu plano de formar um governo composto por especialistas independentes em vez de ministros escolhidos com base na sua filiação confessional. Acima de tudo, opuseram-se a abrir mão do Ministério das Finanças, um ministério fundamental.12

O Presidente libanês Michel Aoun acabou por escolher o antigo Primeiro-Ministro Saad Hariri a 22 de Outubro de 2020 para liderar um novo governo, quase um ano após a sua demissão. Na altura em que escrevemos, ainda não havia governo formado. Entretanto, Hassan Diab permaneceu como primeiro-ministro interino.

Grupos cristãos não maronitas, que incluem, entre outros, ortodoxos siríacos, católicos sírios e caldeus, renovaram as suas críticas ao Governo após as eleições parlamentares de Maio de 2018 porque tinha feito poucos progressos na implementação do objectivo do Acordo de Taif de eliminar o sectarismo político. E exigiram que o Governo privilegiasse “perícia e competência”. Juntos, os cristãos não maronitas conseguiram apenas um dos 64 assentos cristãos no parlamento. Além disso, a Liga Síria exigiu uma maior representação dos cristãos não maronitas e ortodoxos não gregos no governo, no parlamento e nos altos cargos públicos.13

Em Julho de 2018, Charbel Khoury foi brevemente detido e interrogado pelo Gabinete de Crimes Cibernéticos das Forças de Segurança Interna por publicar uma piada sarcástica no Facebook sobre os milagres médicos realizados por São Charbel, uma figura religiosa venerada por muitos no Líbano. Khoury teve de assinar uma promessa de não utilizar a sua conta no Facebook durante um mês e de não criticar ou fazer troça das religiões.14

Em Agosto de 2018, a jornalista Joy Slim do Al-Akhbar escreveu um artigo a descrever o seu interrogatório pelo Gabinete de Crimes Cibernéticos e foi convocada a fim de explicar uma piada que tinha feito sobre a função de Charbel Khoury. No seu artigo, Slim descreve, entre outras coisas, como os funcionários do Gabinete lhe perguntaram se tinha sido batizada, porque só alguém habitado por “espíritos do diabo” escreveria piadas sobre religião.15

Os casos de blasfêmia e insultos à religião são abrangidos pelos artigos 473.º e 474.º do Código Penal libanês de 1943, segundo os quais qualquer pessoa que “deprecie” o nome de um deus ou religião pode ser encarcerada entre um mês a vários anos.16
Em Agosto de 2018, o Cardeal Patriarca Bechara Boutros al-Rahi, chefe da Igreja Maronita, acolheu o Presidente suíço Alain Berset, juntamente com os líderes religiosos cristãos e muçulmanos do Líbano, na residência patriarcal de Verão no norte do Líbano. Os líderes comprometeram-se a trabalhar para a paz na região e a assegurar o regresso “digno” dos refugiados às suas pátrias. O Cardeal al-Rahi sublinhou que “esta presença de altos dignitários muçulmanos e cristãos reflete claramente a singularidade do Líbano como país de convergência e de diálogo inter-religioso”.17

A 26 de Setembro de 2018, durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, o Presidente Michel Aoun reiterou o seu desejo de “fazer do Líbano um centro internacional para o diálogo de religiões, culturas e raças”.18

Em Janeiro de 2019, Tripoli Mufti Malek Shaar reuniu-se com uma delegação de 27 membros da Associação de Diálogo para a Reconciliação e a Vida, com membros de 12 países e de diferentes religiões. Numa declaração, explicou porque se encontrou com o Rabino Alex Goldberg, observando que “o nosso problema é com os judeus que ocupam al-Quds [Jerusalém] e as terras na Palestina, Líbano, Síria e vizinhança”.19

Em Fevereiro de 2019, pouco depois de ter sido nomeada Ministra do Interior, Raya Al Hassan, disse numa entrevista televisiva que estava aberta à discussão sobre o reconhecimento do casamento civil.20 Embora tenha recebido o apoio de algumas figuras políticas, incluindo Walid Jumblatt, líder do Partido Socialista Progressivo maioritariamente druso, os seus comentários foram criticados por outros políticos e clérigos e organizações cristãs e muçulmanas. A Dar al-Fatwa, a mais alta autoridade sunita muçulmana do Líbano, rejeitou a ideia, dizendo que o casamento civil contradiz a sharia.21 Sheikh Malik Al-Sha’ar, mufti para o norte do Líbano e a cidade de Trípoli, também se opôs à proposta, observando que uma fatwa (decisão religiosa muçulmana) de 2013 tinha declarado que aqueles que pediam o casamento civil já não eram muçulmanos.22

Em Maio de 2019, os principais líderes políticos e religiosos do Líbano assistiram ao funeral estatal do patriarca maronita, o Cardeal Nasrallah Boutros Sfeir. O Xeque Abdul Latif Daryan, grande mufti dos muçulmanos sunitas do Líbano, descreveu Sfeir como “um modelo de moderação, abertura, sabedoria, diálogo, amor e coexistência entre muçulmanos e cristãos”.23

Em Agosto de 2019, os organizadores do Festival Internacional Byblos cancelaram um concerto da banda de rock indie libanesa de renome internacional Mashrou’ Leila, a fim de “evitar derramamento de sangue e manter a segurança e estabilidade”. Os líderes religiosos tinham acusado o grupo de “ofender os valores religiosos e humanos e insultar as crenças cristãs”. Vários deputados libaneses, bem como cidadãos privados, ameaçaram usar de violência se o concerto prosseguisse. A controvérsia tinha a ver com um post no Facebook em que uma imagem transpunha o rosto da diva pop Madonna para uma imagem da Virgem Maria.24

De acordo com o capítulo sobre o Líbano no 2019 International Religious Freedom Report do Departamento de Estado norte-americano, em Setembro de 2019, as Forças de Segurança Interna questionaram o membro sênior do Conselho da Comunidade Judaica Semaria Bihar sobre a identidade dos visitantes das sinagogas e cemitérios judeus.25

O Conselho da Comunidade Judaica relatou atos de vandalismo nos cemitérios judaicos de Beirute e Sidon (Saida). Em Novembro de 2019, um relatório mostrou explicitamente como os trabalhos na estrada em Sidon resultaram na queda e destruição de múltiplas sepulturas.26 Além disso, é relatado que a comunidade judaica enfrentou problemas na obtenção de material para os seus ritos religiosos devido a uma proibição nacional de comercialização de bens israelitas, especialmente porque os agentes aduaneiros são circunspectos em relação às importações com escrita hebraica.27

Em Dezembro de 2019, xiitas manifestaram-se em Beirute depois de um vídeo controverso ter sido colocado nas redes sociais mostrando um indivíduo sunita a insultar figuras políticas e religiosas xiitas. O autor do vídeo, Saidawi, pediu mais tarde desculpas pela sua publicação.28

Após alguma agitação nas redes sociais, o Governador de Beirute, Ziad Chehib, ordenou a remoção de uma escultura de arte cúbica do centro de Beirute, a fim de evitar quaisquer confrontos violentos devido à sua semelhança com a Estrela de David.29

De acordo com um relatório do Barômetro Árabe de 2019, a piedade religiosa declinou no Líbano durante a última década. Enquanto 44% se descreviam como “religiosos” em 2010, este número caiu para 24% em 2018. No entanto, o apoio a um maior papel dos líderes religiosos na política libanesa cresceu.30 Relativamente à intolerância para com os vizinhos de uma religião diferente, o relatório concluiu que, enquanto em 2010, 5% disseram não gostar muito ou não gostar de ter como vizinhos membros de uma religião diferente, o número era de 21% em 2018.31

Em Junho de 2020 houve sérias preocupações quanto à viabilidade da rede de escolas privadas católicas. Numa carta aberta dirigida ao Presidente libanês Michel Aoun, o responsável do secretariado-geral das escolas católicas, Padre Boutros Azar, destacou a terrível situação financeira enfrentada por estes estabelecimentos de ensino estratégicos. O Padre Azar atribuiu o problema à “negligência do Estado”, que causou “um desafio geral para o setor da educação privada, que proporciona a escolaridade a mais de dois terços dos alunos no Líbano (710.000 alunos, contra 260.000 no ensino público)”.32

Em Novembro de 2020, o protocolo de assistência às famílias da Residence des Pins, em Beirute, foi assinado numa cerimônia simbólica. Esta ajuda de emergência, concedida pela França às famílias libanesas, assume a forma de apoio parcial ou total à escolarização de 9.000 alunos em 45 escolas com um currículo francês, num total de 5 milhões de euros para o ano 2020-2021. A cerimônia ocorreu na presença de cerca de trinta diretores de escolas e congregações da rede francófona, incluindo o Padre Boutros Azar.33

Em Julho de 2020, o Patriarca al-Rahi apelou ao Líbano para que mantivesse a sua neutralidade face aos conflitos regionais.34 Isto causou alvoroço, principalmente por parte dos partidos xiitas, que o acusaram de traição. Não é raro que o Hezbollah ou os seus aliados acusem os seus críticos de traição contra o Estado, ou de serem sionistas ou espiões. Muitos libaneses, de diferentes filiações confessionais, vieram em defesa do patriarca nas redes sociais, colocando o seu patriotismo acima da sua filiação confessional.35

Em meados de Outubro de 2020, na sequência das manifestações pelo primeiro aniversário do movimento de protesto iniciado a 17 de Outubro de 2019, o Patriarca al-Rahi, no seu sermão de domingo, pediu aos líderes políticos que deixassem de atrasar as negociações a fim de formar um novo governo. Chegou mesmo a culpar a classe política pela crise financeira e pelo impasse político do país: “Tirem as mãos do governo e libertem-no. Vocês são responsáveis pelo crime de mergulhar o país na paralisia total, para além das implicações da pandemia do coronavírus”, acrescentando que “ninguém está inocente da hemorragia (financeira) do Líbano”.36

O Arcebispo ortodoxo grego Elias Audi também criticou fortemente os políticos. “O número de ministérios e os nomes de ministros e quotas” são “ainda mais importantes (para os políticos) do que o destino do Líbano e dos libaneses”, disse ele.37

No final de Outubro de 2020, após as orações de sexta-feira, manifestantes protestando contra o Presidente francês Emmanuel Macron por este defender o direito de se publicar caricaturas vistas como ofensivas para o Islamismo dirigiram-se para a residência do embaixador francês. Alguns deles brandiram bandeiras islamistas a preto e branco.38

Em Novembro de 2020, o Patriarca al-Rahi apelou a uma maior colaboração entre cristãos e muçulmanos. Disse que, numa altura em que o mundo se vê confrontado com ferocidades desumanas e repetidas atrocidades islamistas internacionais, tais como decapitar pessoas inocentes invocando insultuosamente o nome de Deus, era essencial evitar o clima de “conflito entre religiões” e abraçar o caminho da colaboração entre cristãos e muçulmanos.39

Devido à COVID-19, o Líbano impôs um confinamento em Março de 2020. No início de Junho, as igrejas e mesquitas foram autorizadas a reabrir parcialmente a 30% da sua capacidade.40 No final de Julho, as restrições foram reimpostas durante duas semanas, resultando no encerramento dos locais de culto.41 Em meados de Outubro de 2020, as autoridades impuseram um confinamento de uma semana, incluindo locais de culto, em certas regiões do país.42

PERSPECTIVAS PARA A LIBERDADE RELIGIOSA

O papel desempenhado pelo Hezbollah é crucial no processo de desbloquear o impasse político e, espera-se, na procura de uma saída para uma situação social e econômica desastrosa. Num ano, o Líbano passou por múltiplas crises. Primeiro veio a agitação social e os protestos em Outubro de 2019, ainda sem resultados concretos. Seguiu-se a crise da COVID-19, com os seus tremendos custos sociais e financeiros. Finalmente, Beirute viveu uma explosão devastadora a 4 de Agosto de 2020, que atingiu um bairro predominantemente cristão com maiores repercussões colaterais para essa comunidade.

Vários fatores – diferentes níveis de emigração e taxas de natalidade – alteraram a composição confessional do país. O resultado é que os cristãos estão a diminuir em número. Esta evolução terá provavelmente um impacto fatal no seu papel político e no seu poder.

A estreita ligação da liberdade religiosa com a política nacional e internacional tem um forte impacto nas perspectivas de pleno gozo do direito fundamental à liberdade de pensamento, consciência e religião. As perspectivas são particularmente negativas.

NOTAS

1 Paula Yacoubian, “When I became a politician, I realised how deep the rot lies in Lebanon”, The National, 6 de Junho de 2019, https://www.thenationalnews.com/opinion/comment/when-i-became-a-politician-i-realised-how-deep-the-rot-lies-in-lebanon-1.871140 (acedido a 25 de Novembro de 2020).
2 Bassam Zaazaa, “Lebanese MP Paula Yacoubian resigns from parliament over blast”, The National, 8 de Agosto de 2020, https://www.thenationalnews.com/world/mena/lebanese-mp-paula-yacoubian-resigns-from-parliament-over-blast-1.1060793 (acedido a 25 de Novembro de 2020).
3 Lebanon 1926 (rev. 2004), Constitute Project, https://www.constituteproject.org/constitution/Lebanon_2004?lang=en (acedido a 25 de Novembro de 2020).
4 “Laws Criminalizing Apostasy – Lebanon”, Biblioteca do Congresso, https://www.loc.gov/law/help/apostasy/index.php#_ftn44 (acedido a 26 de Novembro de 2020).
5 Souad Lazkani, “A Civil Marriage Just Took Place In Lebanon” The 961, 21 de Julho de 2020, https://www.the961.com/civil-marriage-in-lebanon/ (acedido a 25 de Novembro de 2020).
6 Sarah Dadouch, “Lebanon names Saad Hariri as prime minister, almost one year after he resigned”, The Washington Post, 22 de Outubro de 2020, https://www.washingtonpost.com/world/middle_east/lebanon-prime-minister-hariri/2020/10/22/11f5a070-13b0-11eb-a258-614acf2b906d_story.html (acedido a 25 de Novembro de 2020).
7 Stephen McCloskey, op. cit.
8 “Lebanon protests: How WhatsApp tax anger revealed a much deeper crisis”, BBC News, 7 de Novembro de 2019, https://www.bbc.com/news/world-middle-east-50293636 (acedido a 27 de Novembro de 2020).
9 Tony Akleh, “‘Radical change’ needed to revive Lebanon’s job market, says ILO”, Arabian Business, 9 de Novembro de 2020, https://www.arabianbusiness.com/culture-society/454347-radical-change-needed-to-revive-lebanons-job-market-says-ilo (acedido a 26 de Novembro de 2020).
10 “Lebanon”, UNHCR, 2020, https://reporting.unhcr.org/node/2520?y=2020#year (acedido a 25 de Novembro de 2020).
11 Stephen McCloskey, “COVID-19 has deepened the ‘pandemic of poverty’ for Palestinian refugees in Lebanon”, Open Democracy, 23 de Novembro de 2020, https://www.opendemocracy.net/en/north-africa-west-asia/covid-19-has-deepened-pandemic-poverty-palestinian-refugees-lebanon/ (acedido a 26 de Novembro de 2020).
12 “Lebanon: Prime Minister-designate Mustapha Adib resigns”, Deutsche Welle, 26 de Setembro de 2020, https://www.dw.com/en/lebanon-prime-minister-designate-mustapha-adib-resigns/a-55062582 (acedido a 25 de Novembro de 2020).
13 Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional, “Lebanon”, 2019 International Religious Freedom Report, Departamento de Estado Norte-Americano, https://www.state.gov/reports/2019-report-on-international-religious-freedom/lebanon/ (acedido a 25 de Novembro de 2020).
14 Timour Azhari, “Lebanon ramps up interrogations of online activists”, Ad Vox – Global Voices, 13 de Agosto de 2018, https://advox.globalvoices.org/2018/08/13/lebanon-ramps-up-interrogations-of-online-activists/ (acedido a 25 de Novembro de 2020).
15 Ibid.
16 Ibid.
17 Doreen Abi Raad, “Lebanon’s religious leaders call for ‘dignified’ return of refugees”, Catholic News Service, 30 de Agosto de 2018, https://cnewa.org/lebanons-religious-leaders-call-for-dignified-return-of-refugees/ (acedido a 25 de Novembro de 2020).
18 “President Aoun Addresses UN General Assembly: Lebanon Categorically Rejects Naturalization Scheme”, Al Manar, 26 de Setembro de 2018, https://english.almanar.com.lb/588641 (acedido a 25 de Novembro de 2020).
19 “Mufti Shaar clarifies meeting with Jewish Rabbi, says problem is with ‘Jews occupying lands’”, National News Agency, 1 de Fevereiro de 2019, nna-leb.gov.lb/en/show-news/100144/nna-leb.gov.lb/en (acedido a 26 de Novembro de 2020).
20 Sunniva Rose, “Lebanese protest for recognition of civil marriages”, The National, 23 de Fevereiro de 2019, https://www.thenationalnews.com/world/mena/lebanese-protest-for-recognition-of-civil-marriages-1.829311 (acedido a 27 de Novembro de 2020).
21 Victoria Yan, “Civil marriage resurfaces as hot topic in Lebanon’s politics”, Al-Monitor, 3 March 2019, https://www.al-monitor.com/pulse/originals/2019/02/lebanon-civil-marriage-religious-authorities-new-government.html (acedido a 25 de Novembro de 2020).
22 “Arab world’s first female interior minister rekindles debate on civil marriage in Lebanon”, Raseef22, 26 de Fevereiro de 2019, https://raseef22.net/article/1072408-arab-worlds-first-female-interior-minister-rekindles-debate-on-civil-marriage-in-lebanon (acedido a 25 de Novembro de 2020).
23 Doreen Abi Raad, “Lebanon mourns former Maronite Catholic patriarch, defender of freedom”, The Catholic Spirit, 13 de Maio de 2019, https://thecatholicspirit.com/news/nation-and-world/lebanon-mourns-former-maronite-catholic-patriarch-defender-of-freedom/ (acedido a 25 de Novembro de 2020).
24 Issam Kayssi, “The Sound of Silencing”, Carnegie Middle East Center, 30 de Julho de 2019, https://carnegie-mec.org/diwan/79583 (acedido a 25 de Novembro de 2020).
25 Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional, op. cit.
26 Cnaan Liphshiz, “Jewish cemetery in Lebanon damaged by roadwork, its caretaker says”, Jewish Telegraphic Agency, 23 de Dezembro de 2019, https://www.jta.org/2019/12/23/global/jewish-cemetery-in-lebanon-damaged-by-roadwork-its-caretaker-says (acedido a 24 de Novembro de 2020); “Silence de l’UNESCO: le Liban rase le cimetière juif de Saïda”, Middle East Transparent, 19 de Novembro de 2019, https://middleeasttransparent.com/fr/silence-de-lunesco-le-liban-rase-le-cimetiere-juif-de-saida/ (acedido a 24 de Novembro de 2020).
27 Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional, op. cit.
28 Kareem Chehayeb, “Lebanon: Party supporters clash with army after anti-Shia video”, Middle East Eye, 17 de Dezembro de 2019, https://www.middleeasteye.net/news/party-supporters-clash-lebanese-forces-overnight-after-controversial-video (acedido a 25 de Novembro de 2020).
29 “Beirut governor orders removal of art installation because it looks like Star of David”, The New Arab, 15 de Dezembro de 2019, https://english.alaraby.co.uk/english/news/2019/12/15/beirut-governor-orders-removal-of-star-of-david-artwork (acedido a 25 de Novembro de 2020).
30 “Arab Barometer V – Lebanon Country Report”, Arab Barometer, 2019, p. 2, https://www.arabbarometer.org/wp-content/uploads/lebanon-report-Public-Opinion-2019.pdf (acedido a 27 de Novembro de 2020).
31 Ibid., pp. 15-16.
32 Robin Gomes, “Lebanon’s Catholic schools risk closure”, Vatican News, 6 de Junho de 2020, https://www.vaticannews.va/en/church/news/2020-06/lebanon-catholic-private-education-schools-risk-closure.html (acedido a 25 de Novembro de 2020).
33 Anne-Marie El-Hage, “Coup d’envoi des aides françaises aux élèves des écoles homologuées”, L’Orient-Le Jour, 4 de Novembro de 2020, https://www.lorientlejour.com/article/1239416/coup-denvoi-des-aides-francaises-aux-eleves-des-ecoles-homologuees.html# (acedido a 25 de Novembro de 2020).
34 “Rai’s Call for Lebanon’s Neutrality Strains Relations with Hezbollah”, Asharq Al-Awsat, 26 de Julho de 2020, https://english.aawsat.com/home/article/2411976/rai’s-call-lebanon’s-neutrality-strains-relations-hezbollah (acedido a 25 de Novembro de 2020).
35 Maria Zakhour, “Patriarch Al-Rahi Under Attack For Speaking About Neutrality”, The 961, 27 de Agosto de 2020, https://www.the961.com/patriarch-under-attack-for-speaking-neutrality/ (acedido a 25 de Novembro de 2020).
36 “Rai Urges Lebanese Leaders to Agree on Government Sunday”, Asharq Al-Awsat, 18 de Outubro de 2020, https://english.aawsat.com/home/article/2571526/rai-urges-lebanese-leaders-agree-government (acedido a 25 de Novembro de 2020).
37 Ibid.
38 “Clashes at Lebanon protest over French cartoons”, France 24, 30 de Outubro de 2020, https://www.france24.com/en/live-news/20201030-clashes-at-lebanon-protest-over-french-cartoons (acedido a 25 de Novembro de 2020).
39 “Maronite patriarch calls for “urgent” Christian-Muslim dialogue”, La Croix International, 3 de Novembro de 2020, https://international.la-croix.com/news/world/maronite-patriarch-calls-for-urgent-christian-muslim-dialogue/13279 (acedido a 25 de Novembro de 2020).
40 “COVID-19: Lebanon to allow partial reopening of churches and mosques”, AsiaNews, 5 de Junho de 2020, www.asianews.it/news-en/COVID-19:-Lebanon-to-allow-partial-reopening-of-churches-and-mosques-50008.html (acedido a 26 de Novembro de 2020).
41 “Lebanon reimposes COVID-19 restrictions as infections spike”, Reuters, 27 de Julho de 2020, https://www.reuters.com/article/us-health-coronavirus-lebanon-idUSKCN24S2FV (acedido a 25 de Novembro de 2020).
42 “Lebanon: Authorities to implement lockdown restrictions for multiple locations from de Outubro de 12”, Garda World, 11 de Outubro de 2020, https://www.garda.com/crisis24/news-alerts/388151/lebanon-authorities-to-implement-lockdown-restrictions-for-multiple-locations-from-october-12-update-32 (acedido a 25 de Novembro de 2020).

LISTA DE
PAÍSES

Clique em qualquer país do mapa
para ver seu relatório ou utilize o menu acima.

Religious Freedom Report [MAP] ( 2021 ) Placeholder
Religious Freedom Report [MAP] ( 2021 )
Perseguição religiosa Discriminação religiosa Sem registros
Perseguição religiosa
Discriminação religiosa
Sem registros

Calem-se as armas!

Quanto rezamos ao longo destes anos pela paz no Iraque! (…) E Deus escuta; escuta sempre! Cabe a nós ouvi-Lo, andar nos seus caminhos. Calem-se as armas! Limite-se a sua difusão, aqui e em toda a parte! (…) Chega de violências, extremismos, facções, intolerâncias!

Papa Francisco

Palácio Presidencial em Bagdá. Sexta-feira, 5 de março de 2021. Discurso do Santo Padre às autoridades, à sociedade civil e ao corpo diplomático do Iraque.

SOBRE A ACN

ACN (Ajuda à Igreja que Sofre no Brasil) é uma organização católica fundada em 1947 pelo Padre Werenfried van Straaten para ajudar os refugiados de guerra. Desde 2011 reconhecida como fundação pontifícia, a ACN dedica-se a ajudar os cristãos no mundo inteiro – através da informação, oração e ação – especialmente onde estes são perseguidos ou sofrem necessidades materiais. A ACN auxilia todos os anos uma média de 5.000 projetos em 130 países graças às doações de benfeitores, dado que a fundação não recebe financiamento público.

Conheça a ACN