Afeganistão

LIBERDADE RELIGIOSA NO MUNDO RELATÓRIO 2021

POPULAÇÃO

38.054.941

ÁREA

652.864 km2

PIB PER CAPITA

1.804 US$

ÍNDICE GINI

N/D

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PIB PER CAPITA

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RELIGIÕES

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DISPOSIÇÕES LEGAIS EM RELAÇÃO À LIBERDADE RELIGIOSA E APLICAÇÃO EFETIVA

Os muçulmanos sunitas representam entre 84,7% e 89,7% da população afegã. O resto da população são maioritariamente muçulmanos xiitas (10% a 15%), sobretudo do grupo étnico hazara. A Constituição do país reconhece oficialmente 14 etnias, incluindo os pashtun, tajiques, hazaras e outros.1 Os pashtun vivem sobretudo no sul e sudeste e constituem o maior grupo (calcula-se que representem 42% da população), seguidos dos tajiques (cerca de 27%) que vivem no norte e nordeste do país, hazara (9%), uzbeques (9%), turquemenos (3%), baluchis (2%) e outros (8%).2

Sikhs e hindus são aproximadamente 550, uma redução em relação aos cerca de 900 em 2018, uma tendência negativa que continua devido à percepção de proteção governamental desadequada, com a maioria dos migrantes a irem para a Índia.3 Não estão disponíveis quaisquer estimativas de confiança relativas a outros grupos de fé, incluindo cristãos e baha’ís, porque estes não praticam abertamente a sua religião. No final do século XX, a pequena comunidade Judaica do Afeganistão emigrou para Israel e para os Estados Unidos por causa da falta de segurança. Alegadamente, apenas um judeu permaneceu no país.4

O preâmbulo da Constituição afegã afirma que “o povo do Afeganistão” acredita “firmemente em Deus Todo-Poderoso, confiando na Sua vontade divina e aderindo à Santa religião do Islã”, e aprecia “os sacrifícios, lutas históricas, jihad e resistência justa de todos os povos do Afeganistão, admirando a posição suprema dos mártires da liberdade do país”.5 O artigo 1.º declara: “O Afeganistão é uma República Islâmica, independente, unitária e indivisível”, enquanto o artigo 2.º declara que a “religião sagrada do Islã é a religião da República Islâmica do Afeganistão”. O artigo 3.º afirma que “nenhuma lei violará os princípios e disposições da religião sagrada do Islã no Afeganistão”. O artigo 62.º estabelece que o presidente deve ser muçulmano.

O artigo 2.º estipula que os “seguidores de outras religiões são livres dentro dos limites da lei no exercício e execução dos seus rituais religiosos”, mas várias leis, bem como tradições locais, restringem a liberdade das religiões minoritárias, começando pela lei islâmica (sharia) como fonte de direito. Por exemplo, o artigo 1.º do Código Penal do Afeganistão de 1976 estabelece: “Aqueles que cometem crimes de ‘Hodod’ (hudud), ‘Qessass’ e ‘Diat’ serão punidos de acordo com as disposições da lei religiosa islâmica (jurisprudência religiosa anafi)”.6

Uma vez que a apostasia e a blasfêmia são abrangidas pelos sete crimes de ‘hudud’, são reguladas pela sharia, que impõe a pena de morte para ambos. Para o crime de apostasia, a escola de anafi recomenda três dias de prisão antes da execução, embora a prorrogação antes de matar o apóstata muçulmano não seja obrigatória. Os homens apóstatas devem ser mortos, enquanto as mulheres devem ser mantidas em solitária e espancadas de três em três dias até se arrependerem e regressarem ao Islamismo.7 A blasfêmia no Afeganistão inclui escritos ou discursos anti-islâmicos e pode ser punida com a pena de morte, a não ser que o acusado abjure no prazo de três dias. Qualquer muçulmano convertido a outra religião pode ser morto, encarcerado ou ter bens confiscados, de acordo com a escola sunita anafi.8

A educação religiosa islâmica é obrigatória nas escolas estatais e privadas. O artigo 17.º da Constituição estabelece que o “Estado adota as medidas necessárias para promover a educação a todos os níveis, desenvolver os ensinamentos religiosos, regular e melhorar as condições das mesquitas, escolas religiosas e centros religiosos”. O artigo 45.º estipula ainda que “o Estado elaborará e implementará um currículo educacional unificado” “com base nos princípios da religião sagrada do Islã”.9

Os xiitas, na sua maioria de etnia hazara, são o grupo mais discriminado do Afeganistão e enfrentam uma forte discriminação social em função da classe, raça e religião. Isto pode tomar a forma de tributação ilegal, recrutamento e trabalho forçado, abuso físico e detenção. Um inquérito de 2019 da The Asia Foundation revelou que é mais provável os hazaras citarem a insegurança como motivo para deixarem o Afeganistão do que outros grupos étnicos no país (81,7% dos inquiridos).10

O ataque de 25 de março de 2020 a um gurdwaras (templo) sikh em Cabul chamou a atenção do mundo para a situação das minorias indígenas sikh e hindus do Afeganistão, que se queixam de serem alvo tanto de elementos criminosos locais como de extremistas religiosos. Aos hindus e aos sikhs foi concedida representação no parlamento do Afeganistão em 2016 e é-lhes permitido praticar a sua fé em locais públicos de culto, mas, face à discriminação e ataques contínuos, muitos estão a abandonar o país.11 Aqueles que não saíram queixam-se da perda dos locais de culto. De acordo com o Conselho Sikh e Hindu, mantêm-se em funcionamento no país 11 gurdwaras e dois mandirs (templos hindus), em comparação com um total combinado de 64 no passado.12

Embora não haja restrições explícitas à capacidade de os grupos religiosos minoritários estabelecerem lugares de culto ou formarem o seu clero, na realidade, as opções são limitadas. Algumas embaixadas estrangeiras disponibilizam locais de culto para não afegãos. A coligação militar liderada pelos EUA tem instalações onde o culto não muçulmano pode ocorrer. Não existem igrejas públicas. O único local de culto católico é dentro da embaixada italiana.

O Cristianismo é visto como uma religião ocidental e estranha ao Afeganistão. Uma década de presença militar pelas forças internacionais aumentou a desconfiança geral em relação aos cristãos. A opinião pública é abertamente hostil, por considerar que os cristãos tentam converter os muçulmanos.13 Os cristãos afegãos prestam culto sozinhos ou em pequenos grupos em casas particulares. De acordo com organizações missionárias cristãs, pequenas igrejas subterrâneas podem ser encontradas em todo o país, cada uma com menos de 10 membros. Apesar de uma disposição constitucional que garante tolerância religiosa, aqueles que são abertamente cristãos ou se convertem do Islamismo ao Cristianismo, permanecem vulneráveis.14

A Igreja Católica está presente no Afeganistão sob a forma de uma missão sui iuris com sede na embaixada italiana em Cabul. As missões sui iuris são territórios que não fazem parte de qualquer ordem, vigararia ou prefeitura apostólica. O seu primeiro superior, o sacerdote italiano barnabita Padre Giuseppe Moretti, reformou-se em novembro de 2014. O seu sucessor, o sacerdote italiano barnabita Padre Giovanni Scalese, foi nomeado em janeiro de 2015.15 Em 2019, o P. Giuseppe Moretti regressou brevemente à capital afegã e relatou que apenas cerca de 10 pessoas assistiram à missa na embaixada italiana. Quanto a congregações religiosas, existem três Irmãzinhas de Jesus envolvidas no serviço de saúde pública. Cinco irmãs Missionárias da Caridade, fundadas pela Madre Teresa, estão ao serviço de órfãos, crianças doentes, jovens abandonadas e assistência a 240 famílias pobres, e três irmãs de uma comunidade intercongregacional Pro Bambini di Cabul disponibilizam educação a órfãos e a crianças com deficiência.16

A comunidade muçulmana ahmadi conta com cerca de 450 membros, contra 600 em 2017.17 Há poucos dados sobre a comunidade baha’í, cujos membros vivem escondidos depois de a Direção Geral de Fatwas e Contas do Supremo Tribunal do Afeganistão ter emitido uma declaração em 2007 afirmando que a sua fé era blasfema e que os seus seguidores eram infiéis.

Os xiitas hazaras vivem predominantemente nas províncias centrais e ocidentais, bem como em Cabul. Os muçulmanos ismaelitas vivem principalmente em Cabul e nas províncias centrais e setentrionais. Os ahmadis podem ser encontrados principalmente em Cabul, tal como a maioria dos baha’ís, mas estes últimos têm uma pequena comunidade em Kandahar.18

INCIDENTES E EVOLUÇÃO

O período em análise começou com as eleições parlamentares mais complicadas do Afeganistão nos últimos anos. No meio de um elevado número de ataques, a votação ocorrer a 20, 21 e 27 de outubro de 2018. Desde o início do período de recenseamento eleitoral, a 14 de abril, até ao período de campanha, a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA) verificou 152 incidentes de segurança relacionados com as eleições, resultando em 496 baixas civis (156 mortos e 340 feridos) e o rapto de 245 civis. As escolas e mesquitas utilizadas para registrar os eleitores foram alvo de dezenas de ataques. As ações dos talibãs forçaram muitos afegãos comuns a escolher entre exercer o seu direito de participar no processo político e arriscar a sua própria segurança.19

Durante o mesmo período, as baixas de civis diminuíram inicialmente. O ano de 2018 foi o pior para as mortes de civis no Afeganistão, com 3.804,20 caindo para 3.40321 em 2019 e 2.11722 nos primeiros nove meses de 2020. Contudo, as tão esperadas conversações de paz afegãs ainda não produziram os efeitos positivos esperados, uma vez que o número de civis mortos atribuídos apenas aos talibãs aumentou 6% nos primeiros nove meses de 2020.23

Os ataques contra locais de culto, líderes religiosos e fiéis não diminuíram significativamente. Em 2019, a UNAMA documentou 20 ataques deste tipo, por comparação com 22 em 2018, causando 236 vítimas civis (80 mortos e 156 feridos), por comparação com 453 (156 mortos e 297 feridos) em 2018.24 Os ataques continuaram em 2020, embora ainda não estejam disponíveis dados oficiais. Por conseguinte, a violência contra minorias e líderes religiosos, especialmente por forças anti-governamentais como os talibãs e o autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante – Província de Khorasan (ISKP) – continua a ser motivo de preocupação.

Dois passos positivos são dignos de referência. No dia 29 de fevereiro de 2020, os Estados Unidos e os talibãs assinaram em Doha o Acordo para Trazer a Paz ao Afeganistão. As disposições do acordo incluem a retirada de todas as tropas dos EUA e da NATO do Afeganistão, o compromisso dos talibãs de impedir a Al-Qaeda de operar em áreas sob o seu controle25 e conversações entre os talibãs e o governo afegão. Estas conversações foram iniciadas a 12 de setembro de 2020 em Doha,26 mas, independentemente disso, continuaram a ocorrer ataques no país.

Os xiitas muçulmanos continuam a ser o grupo mais visado. Os ataques terroristas contra a comunidade xiita, a sua liderança, bairros, festivais e casas de culto intensificaram-se nos últimos anos. No dia 3 de agosto de 2018, dois homens mataram 29 pessoas e feriram mais de 80 num ataque suicida contra uma mesquita xiita na cidade de Gardez, província de Paktia.27 A 15 de agosto e 5 de setembro de 2018, dois trágicos ataques atingiram a comunidade xiita na zona ocidental de Cabul, predominantemente hazara, no bairro de Dashte Barchi. O primeiro ataque ocorreu num edifício onde estudantes do ensino secundário estavam a fazer os exames de admissão à universidade. Cerca de 48 pessoas, incluindo 34 estudantes, foram mortas e 67 ficaram feridas. O segundo incidente envolveu um duplo ataque suicida no Maiwand Wrestling Club em Qala-e-Nazer, resultando em pelo menos 26 mortos e 91 feridos.28 Ambos os ataques foram reivindicados pelo ISKP, cujo plano para estabelecer um “califado” global exige a morte de todos aqueles que não aderem à sua interpretação extremista do Islamismo, incluindo muçulmanos que o ISKP acredita estarem a praticar uma forma corrupta do Islamismo, especialmente xiitas.

O ISKP também reivindicou a responsabilidade por um ataque suicida em 17 de agosto de 2019, durante um casamento em Cabul. Pelo menos 92 pessoas foram mortas e mais de 140 ficaram feridas. Numa declaração no Telegram, uma aplicação de mensagens, o grupo jihadista disse que um dos seus militantes se infiltrou na festa e detonou uma bomba entre uma multidão de “infiéis”.29

Desde 2017, o já mencionado bairro de Dashte Barchi, predominantemente hazara, tem assistido a inúmeros ataques contra civis. A 6 de março de 2020, atiradores invadiram uma cerimônia em memória de Abdul Ali Mazari, o líder da minoria hazara do Afeganistão, morto em 1995 pelos talibãs. Foi o primeiro grande incidente na capital afegã desde que os EUA chegaram a acordo com os talibãs. Pelo menos 29 pessoas foram mortas.30

No dia 12 de maio de 2020, o mesmo bairro foi alvo de outro ataque, desta vez contra a maternidade do hospital de Dashte Barchi. Um atirador matou 15 pessoas, incluindo várias enfermeiras, mães e dois recém-nascidos.31

Ao mesmo tempo que decorriam as conversações de paz afegãs em Doha, outro atentado suicida em massa atingiu a comunidade xiita hazara em Cabul. A 24 de outubro de 2020, uma explosão fora do centro educativo dinamarquês de Kawsar-e matou 30 pessoas e feriu mais de 70, na sua maioria estudantes dos 15 aos 26 anos de idade que frequentavam as aulas.32

Os locais de culto sunitas também foram alvo de inúmeros ataques, como o de 12 de junho de 2020 contra a mesquita Sher Shah Suri durante as orações de sexta-feira. Um conhecido acadêmico religioso, o Imã Mawlawi Azizullah Mofleh, e três fiéis foram mortos. Desta vez, os talibãs também condenaram o ato de violência.33

Por seu lado, os talibãs continuaram a matar líderes religiosos e a ameaçá-los de morte por pregarem mensagens contrárias à sua interpretação do Islã ou à sua agenda política. A 26 de maio de 2019, atiradores mataram um proeminente acadêmico religioso, Mawlavi Shabir Ahmad Kamawi, em Cabul. Era também consultor jurídico da Fundação Jurídica Internacional para o Afeganistão em Cabul e tinha apelado aos talibãs para porém fim aos combates.34

Há relatos de avisos contínuos dos talibãs aos mulás para que não façam orações fúnebres às autoridades de segurança do Governo. Como consequência, de acordo com o Ministério do Hajj e Assuntos Religiosos, os imãs continuaram a ter medo de realizar rituais fúnebres para funcionários do Governo. Em agosto de 2020, os meios de comunicação social relataram que os talibãs pressionaram os imãs locais a cortar relações com o Governo e a falar a favor dos talibãs ou a enfrentar retaliação da parte destes.35

Relativamente aos efeitos da pandemia da COVID-19 sobre a liberdade religiosa, uma vez que a embaixada italiana em Cabul foi fechada em 23 de março de 2020, o acesso à Igreja Católica, localizada no interior da estrutura, foi também bloqueado. A maioria dos católicos deixou o Afeganistão no início da pandemia.36

A COVID-19 espalhou-se por cerca de 30 das 34 províncias do país e o fechamento imposto a 28 de março de 2020 afetou também a prática religiosa muçulmana, especialmente as celebrações do Ramadã. O Ministério do Hajj e Assuntos Religiosos disse que, nas áreas sob confinamento, as pessoas deveriam rezar nas suas casas e abster-se de ir às mesquitas. Mas o Ministro Abdul Hakim Munib disse que as pessoas que quisessem rezar nas mesquitas poderiam fazê-lo, na condição de seguirem as diretrizes sanitárias oficiais.37 Só em Herat, cerca de 500 mesquitas foram encerradas em finais de março de 2020, enquanto os clérigos religiosos emitiram uma fatwa apelando a que se evitasse idas às mesquitas para rezar.38 A 22 de maio, o ministério emitiu um conselho dizendo às pessoas que, se tivessem sintomas de COVID-19, deveriam evitar os encontros na celebração do Eid-al-Fitr.39

O início da pandemia coincidiu com um dos ataques mais sangrentos contra a minoria sikh. No dia 25 de março de 2020, três atiradores invadiram o Guru Har Rai Gurdwara na zona de Shor Bazar em Cabul, matando 25 pessoas e ferindo 15. Cerca de 150 pessoas estavam dentro do templo, enquanto os terroristas se envolveram num tiroteio de seis horas com as forças de segurança. O ISKP reivindicou a responsabilidade pelo ataque.40 Após o incidente mortal, muitos sikhs e hindus expressaram desejo de deixar o país e pediram ao Governo dos EUA que lhes concedesse asilo.41 O Congresso dos EUA respondeu adotando uma resolução a favor da reinstalação de sikhs e hindus afegãos nos EUA ao abrigo do Programa de Admissão de Refugiados dos EUA de acordo com a Lei de Imigração e Nacionalidade.42 A Índia também se ofereceu para os aceitar.43

PERSPECTIVAS PARA A LIBERDADE RELIGIOSA

Durante o período em análise, foram dados passos históricos positivos no Afeganistão: o acordo entre EUA e talibãs, as conversações internas de paz, e o acordo de partilha do poder entre o Presidente Ashraf Ghani e o seu rival Abdullah Abdullah.44 No entanto, o número de ataques no país não diminuiu.

Particularmente preocupante, além dos talibãs, é a presença do ISKP, que continua a crescer, especialmente após a derrota na Síria e no Iraque do grupo do autoproclamado Estado islâmico. Ao contrário dos talibãs, o ISKP tem nas suas fileiras um número crescente de jovens afegãos de classe média.45 Está também em expansão devido aos jihadistas que chegam da Síria e a uma nova onda de deserções dos grupos talibãs e jihadistas ligados à al-Qaeda. Estas deserções são importantes, pois trazem centenas de combatentes experientes para o ISKP. Além disso, os líderes do ISKP acreditam que existe um grande potencial para atrair muitos mais, uma vez que a oposição às conversações de paz é generalizada mesmo entre os talibãs.46

A tudo isto há que acrescentar os efeitos econômicos da pandemia da COVID-19 num país onde 14 milhões de pessoas têm acesso insuficiente a alimentos. De um ponto de vista de saúde, a situação é igualmente preocupante. Em outubro de 2020, o Afeganistão tinha 41.975 casos de COVID-19.47 Qualquer aumento colocaria todo o sistema de saúde do país em risco. De acordo com o Índice de Segurança Sanitária Global, que mede a preparação para epidemias, o Afeganistão está entre os países menos preparados do mundo.48

Tendo em conta o acima exposto e o nível extremamente baixo de segurança interna, existe atualmente pouca esperança de que a situação dos direitos humanos, incluindo o direito à liberdade religiosa, melhore em breve neste país asiático.

NOTAS

1 “Afghanistan”, The CIA World Factbook, Central Intelligence Agency, https://www.cia.gov/the-world-factbook/countries/afghanistan/ (acesso em31 de janeiro de 2021).
2 “Afghanistan”, World Directory of Minorities and Indigenous Peoples, Minority Rights Group International, http://minorityrights.org/country/afghanistan/ (acesso em 2 de novembro de 2020).
3 Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional, “Afghanistan”, 2019 Report on International Religious Freedom, Departamento de Estado Norte-Americano, https://www.state.gov/wp-content/uploads/2020/06/AFGHANISTAN-2019-INTERNATIONAL-RELIGIOUS-FREEDOM-REPORT.pdf (acesso em 8 de novembro de 2020).
4 “Afghanistan’s one and only Jew”, BBC News, 10 de abril de 2019, https://www.bbc.com/news/av/world-asia-47885738 (acesso em 4 de novembro de 2020).
5 Afghanistan 2004, Constitute Project, https://www.constituteproject.org/constitution/Afghanistan_2004?lang=en (acesso em 31 de janeiro de 2021).
6 PENAL CODE (1976), Organização Internacional do Trabalho, Natlex, https://www.ilo.org/dyn/natlex/docs/ELECTRONIC/105007/128265/F-1121082442/AFG105007.pdf (acesso em 31 de janeiro de 2021).
7 Rudolph Peters, Crime and punishment in Islamic law: theory and practice from the Sixteenth to the Twenty-First Century, 2005, Cambridge, Reino Unido: Cambridge University Press. p. 64
8 Ibid.
9 Afghanistan 2004, op. cit.
10 “A survey of the Afghan People – Afghanistan in 2019”, The Asia Foundation, 2019, pp. 65, https://asiafoundation.org/publication/afghanistan-in-2019-a-survey-of-the-afghan-people/ (acesso em 5 de novembro de 2020).
11 Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional, op. cit.
12 Ministério da Administração Interna, “Country Policy and Information Note Afghanistan: Sikhs and Hindus”, Governo do Reino Unido, maio de 2019, https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/803548/Sikhs_and_Hindus_EXTERNAL.pdf (acesso em 8 de novembro de 2020).
13 Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional, op. cit.
14 “Afghanistan”, Presbyterian Mission, https://www.presbyterianmission.org/ministries/global/afghanistan/ (acesso em 8 de novembro de 2020).
15 “Exclusive interview with Father Giovanni Scalese on the Church in Afghanistan – Between Rome And Kabul”, O Clarim, 18 de maio de 2018, http://www.oclarim.com.mo/en/2018/05/18/exclusive-interview-with-father-giovanni-scalese-on-the-church-in-afghanistan-2-between-rome-and-kabul/ (acesso em 8 de novembro de 2020).
16 Anna Chiara Filice, “Kabul: la Chiesa cattolica, ‘un’opera continua di carità silenziosa’”, AsiaNews, 16 de julho de 2019, http://asianews.it/notizie-it/Kabul:-la-Chiesa-cattolica,-unopera-continua-di-carità-silenziosa-47541.html (acesso em 8 de novembro de 2020).
17 Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional, op. cit.
18 Ibid.
19 “Afghanistan Protection of Civilians Special Report: 2018 Elections Violence”, UNAMA, de novembro de 2018, https://unama.unmissions.org/sites/default/files/special_report_on_2018_elections_violence_november_2018.pdf (acesso em 8 de novembro de 2020).
20 “Afghanistan Annual Report on Protection of Civilians in Armed Conflict: 2018”, UNAMA, 23 de fevereiro de 2019, https://unama.unmissions.org/sites/default/files/unama_annual_protection_of_civilians_report_2018_-_23_feb_2019_-_english.pdf (acesso em 8 de novembro de 2020).
21 “Afghanistan Annual Report on Protection of Civilians in Armed Conflict: 2019”, UNAMA, 22 de fevereiro de 2020, https://unama.unmissions.org/sites/default/files/afghanistan_protection_of_civilians_annual_report_2019.pdf (acesso em 8 de novembro de 2020).
22 “Afghanistan Third Quarter Report on Protection of Civilians in Armed Conflict: 2020”, UNAMA, 27 de outubro de 2020, https://unama.unmissions.org/sites/default/files/unama_protection_of_civilians_in_armed_conflict_-_3rd_quarter_report_2020.pdf (acesso em 8 de novembro de 2020).
23 “Afghanistan Third Quarter Report on Protection of Civilians in Armed Conflict: 2020”, op. cit.
24 “Afghanistan Annual Report on Protection of Civilians in Armed Conflict: 2019”, op. cit.
25 “Afghan conflict: US and Taliban sign deal to end 18-year war”, BBC News, 29 de fevereiro de 2020, https://www.bbc.com/news/world-asia-51689443 (acesso em 8 de novembro de 2020).
26 “Afghan peace talk negotiators hold first direct session in Doha”, Reuters, 15 de setembro de 2020, https://www.reuters.com/article/afghanistan-taliban-talks-doha-int-idUSKBN2653BE (acesso em 8 de novembro de 2020).
27 “Afghanistan mosque attack: At least 29 Shia worshippers killed in Gardez”, BBC News, 3 de novembro de 2018, https://www.bbc.com/news/world-asia-45059701 (acesso em 8 de novembro de 2020).
28 Ehsan Popalzai e Bard Wilkinson, “Two journalists among 20 killed in wrestling club blasts in Kabul”, CNN, 6 de setembro de 2018, https://edition.cnn.com/2018/09/06/asia/kabul-attack-wrestling-intl/index.html (acesso em 8 de novembro de 2020).
29 Amy Kazmin, “Isis claims responsibility for suicide bombing at Kabul wedding”, Financial Times, 18 de agosto de 2019, https://www.ft.com/content/8294328e-c1b7-11e9-a8e9-296ca66511c9 (acesso em 8 de novembro de 2020).
30 “Gunmen stage deadly attack on Shiite memorial service in Afghan capital”, France 24, 6 de março de 2020, https://www.france24.com/en/20200306-gunmen-stage-deadly-attack-on-shiite-memorial-service-in-afghan-capital (acesso em 8 de novembro de 2020).
31 Massoud Ansar, “Kabul Maternity Hospital Attacked, 14 Killed”, TOLONews, 12 de maio de 2020, https://tolonews.com/afghanistan/hospital-under-attack-kabul (acesso em 8 de novembro de 2020).
32 “Latest: At Least 30 Killed in Saturday’s Blast in Western Kabul”, TOLONews, 25 de outubro de 2020, https://tolonews.com/afghanistan-167292 (acesso em 8 de novembro de 2020).
33 Tameem Akhgar, “Official: Bomb explodes in Kabul mosque, at least 4 killed”, Associated Press, 12 de junho de 2020, https://abcnews.go.com/International/wireStory/official-bomb-explodes-kabul-mosque-killed-71214147 (acesso em 8 de novembro de 2020).
34 The International Legal Foundation, conta no Facebook, 27 de maio de 2019, https://www.facebook.com/theilf/posts/10156241241283341?comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22O%22%7D (acesso em 8 de novembro de 2020).
35 Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional, op. cit.
36 “Contagions increase: the only Catholic church and school for disabled children are still closed”, Agenzia Fides, 30 de maio de 2020, http://www.fides.org/en/news/68019-ASIA_AFGHANISTAN_Contagions_increase_the_only_Catholic_church_and_school_for_disabled_children_are_still_closed (acesso em 31 de janeiro de 2021).
37 “Coronavirus Pandemic Creates A Very Different Ramadan Experience For Muslims”, Gandhara, 25 de abril de 2020, https://gandhara.rferl.org/a/coronavirus-pandemic-creates-a-very-different-ramadan-experience-for-muslims/30576200.html (acesso em 8 de novembro de 2020).
38 Massoud Ansar, “Afghan Clerics Ban Religious, Political Gatherings Amid COVID-19”, TOLONews, 5 de abril de 2020, https://tolonews.com/health/afghan-clerics-ban-religious-political-gatherings-amid-covid-19 (acesso em 31 de janeiro de 2021).
39 Zahra Rahimi, “Avoid Eid Gatherings if You Might Be Infectious: Hajj Ministry”, TOLONews, 22 de maio de 2020, https://tolonews.com/health/avoid-eid-gatherings-if-you-might-be-infectious-hajj-ministry (acesso em 31 de janeiro de 2021).
40 “Afghanistan conflict: Militants in deadly attack on Sikh temple in Kabul”, BBC News, 25 de março de 2020, https://www.bbc.com/news/world-asia-52029571 (acesso em 8 de novembro de 2020).
41 Jessica Donati e Ensanullah Amiri, “The last Sikhs and Hindus in Afghanistan Plead for U.S. Help”, The Wall Street Journal, 12 de abril de 2020, https://www.wsj.com/articles/the-last-sikhs-and-hindus-in-afghanistan-plead-for-u-s-help-11587218401 (acesso em 8 de novembro de 2020).
42 “Resolution in U.S. Congress calls Hindus, Sikhs in Afghanistan endangered minorities”, The Hindu, 18 de agosto de 2020, https://www.thehindu.com/news/international/resolution-in-us-congress-calls-hindus-sikhs-in-afghanistan-endangered-minorities/article32385270.ece (acesso em 8 de novembro de 2020).
43 Mujib Mashal and Fahim Abed, “India offers escape to Afghan Hindus and Sikhs facing attacks”, The New York Times, 19 de julho de 2020, https://www.nytimes.com/2020/07/19/world/asia/india-afghanistan-sikh-hindu.html (acesso em 8 de novembro de 2020).
44 “Afghanistan president Ashraf Ghani and rival Abdullah Abdullah ink power-sharing deal”, Deutsche Welle, 17 de maio de 2020, https://www.dw.com/en/afghanistan-president-ashraf-ghani-and-rival-abdullah-abdullah-ink-power-sharing-deal/a-53470402 (acesso em 31 de janeiro de 2021).
45 Borhan Osman, “Bourgeois Jihad. Why young, middle-class afghans join the Islamic State”, PEACEWORKS, junho de 2020, https://www.usip.org/sites/default/files/2020-06/20200601-pw_162-bourgeois_jihad_why_young_middle-class_afghans_join_the_islamic_state.pdf (acesso em 31 de janeiro de 2021).
46 Antonio Giustozzi, “The Islamic State in Khorasan”, Istituto per gli Studi di Politica Internazionale (ISPI), 28 de junho de 2019, https://www.ispionline.it/it/pubblicazione/islamic-state-khorasan-23406 (acesso em 8 de novembro de 2020).
47 “Afghanistan”, COVID-19 Explorer, Organização Mundial de Saúde, https://worldhealthorg.shinyapps.io/covid/ (acesso em 8 de novembro de 2020)
48 “Country Profile for Afghanistan”, 2019 Global Health Security Index, outubro de 2019, https://www.ghsindex.org/wp-content/uploads/2020/04/2019-Global-Health-Security-Index.pdf (acesso em 8 de novembro de 2020).

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Calem-se as armas!

Quanto rezamos ao longo destes anos pela paz no Iraque! (…) E Deus escuta; escuta sempre! Cabe a nós ouvi-Lo, andar nos seus caminhos. Calem-se as armas! Limite-se a sua difusão, aqui e em toda a parte! (…) Chega de violências, extremismos, facções, intolerâncias!

Papa Francisco

Palácio Presidencial em Bagdá. Sexta-feira, 5 de março de 2021. Discurso do Santo Padre às autoridades, à sociedade civil e ao corpo diplomático do Iraque.

SOBRE A ACN

ACN (Ajuda à Igreja que Sofre no Brasil) é uma organização católica fundada em 1947 pelo Padre Werenfried van Straaten para ajudar os refugiados de guerra. Desde 2011 reconhecida como fundação pontifícia, a ACN dedica-se a ajudar os cristãos no mundo inteiro – através da informação, oração e ação – especialmente onde estes são perseguidos ou sofrem necessidades materiais. A ACN auxilia todos os anos uma média de 5.000 projetos em 130 países graças às doações de benfeitores, dado que a fundação não recebe financiamento público.

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