Madre Paulina

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Madre Paulina

A Verdadeira Fisionomia dos Santos

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Em meados…

do século XIX, muitos italianos sofriam as consequências da Revolução Industrial. Um emprego era algo cada vez mais difícil. Na aldeia de Vigolo Vataro, o pedreiro Antônio Napoleão Visintainer e sua esposa Anna Domenica Pianezzer, eram pais de cinco filhos. Entre eles estava a pequena Amábile Lúcia Visintainer, de apenas nove anos, nascida no dia 16 de dezembro de 1865 e que ficaria conhecida como Santa Paulina, a primeira santa brasileira.

Napoleão já não conseguia mais trabalhos em sua terra natal, havia dias que nem comida para a família tinha, quando muito, uma sopa rala de verduras. A família não tinha mais como permanecer na Itália, deixar a amada terra seria difícil, mas algo precisava ser feito.

Enquanto isso no Brasil, o país também estava com grandes mudanças: se aproximava o tempo em que a escravidão seria extinta da nação. A Lei do Ventre Livre e a lei que proibia o tráfico de negros já estavam em vigor. As terras brasileiras precisavam agora de mão-de-obra, algo que na Itália havia de sobra. Aí estava a oportunidade da família Visintainer.

Casa onde Madre Paulina nasceu e viveu até os 10 anos de idade.

Os primeiros imigrantes italianos chegaram em Santa Catarina no ano de 1875, a bordo do navio San Martin. Nesse navio estava a família da pequena Amábile. Chegaram no porto de Itajaí, em Santa Catarina. Para Amábile seria um sonho morar no Brasil, poderia passar mais tempo com seu pai, teriam mais alimento, acabaria a miséria que estava rondando a família.

Através de caminhos aberto nas matas, a família encontraria os lotes de terra que seriam entregues para os imigrantes, era tudo muito diferente do que eles estavam acostumados, o clima, as doenças, apenas os montes daquela região lembravam sua terra natal. Encontrada a região, logo a chamaram de Nova Trento, algo que ajudaria a manter suas raízes.

Quando a família se estabeleceu em sua nova casa, rezaram o terço como de costume e logo depois iniciariam sua lavoura, de onde tirariam seu sustento.

Entre 12 e 13 anos, Amábile aprendeu as letras do alfabeto, mas ainda não sabia fazer conexão entre elas, ou seja, a pequena imigrante ainda não sabia ler em português. Ela lamentava muito por isso, principalmente porque precisaria se alfabetizar para poder fazer sua Primeira Eucaristia. Eis que no caminho para a pequena capela de São José, a menina estava triste apesar de estar toda vestida de branco, esperando fazer a Primeira Comunhão. Sua tristeza é porque naquele tempo, o padre costumava fazer umas perguntas para saber se a criança estava realmente preparada. Oras, como a pequena Amábile poderia responder algo do livro de Catecismo se nem ao menos o sabia ler!

A caminho da capela, enquanto a menina estava triste, fez a Jesus o pedido de poder ler, e que em troca somente leria livros de santos e coisas boas. Ao ser examinada pelo padre, abriu o livro Máximas Eternas, de Santo Afonso Maria de Ligório e conseguiu unir as sílabas e ler corretamente. Foi o primeiro sinal de que Deus preparava a pequena menina para a santidade.

No vilarejo de Vígolo, onde Amábile morava com sua família, havia apenas uma capelinha dedicada a São Jorge, pertencente à paróquia de Nova Trento. O pároco, Pe. Augusto Servanzi, jesuíta, logo percebeu a virtude de Amábile e de uma amiga sua, Virgínia Rosa Nicolodi. Deixou-as encarregadas de cuidarem da capela, da catequese das crianças e de confortar os enfermos do local. Seu amor, dedicação e paixão pelos enfermos desde a infância seria, sem dúvida, a tônica que marcaria sua vida e sua obra para sempre. E logo o religioso perguntou para Amábile se ela não pensava em um dia tornar-se freira. O coração da menina disparou, respondeu que isto seria um sonho. O padre a aconselhou que, se mantivesse suas virtudes, certamente seu sonho se realizaria. Amábile guardou tudo isto no coração. Empenhava-se cada vez mais em suas tarefas, principalmente no trabalho com os doentes, que era o que mais a realizava.

Dona Anna, mãe de Amábile, quando tinha 47 anos, ficou grávida novamente. Era sua quinta gestação desde que chegou ao Brasil. Esta gravidez estava complicada. No dia do parto Dona Anna gritava como nunca, sentia muitas dores. Mais de 24 horas de trabalho de parto se passaram, e eis que surge a parteira com a triste notícia de que tanto a mãe como o bebê, não resistiram e morreram.

Uma grande tristeza se abateu sobre a família. Amábile assumiu a direção da casa cuidando de seus irmãos menores. Seu pai ficou profundamente abatido, sempre chorando. O sonho de ser freira havia desaparecido da vida de Amábile, sabia que agora, cuidar da família seria sua vocação.

Mas Deus ainda tinha planos para a jovem ítalo-brasileira, e estes planos foram comunicados por Nossa Senhora, que apareceu em sonhos para a futura santa. Nos sonhos, a Mãe de Deus perguntou para Amábile: “É meu grande desejo que comeces uma obra. Trabalharás para a salvação de minhas filhas!”

Nossa Senhora mostra então o padre Marcelo Rocchi, que substituiu o padre Servanzi, como a pessoa que ajudaria Amábile a iniciar sua missão. E a Virgem Maria disse ainda: “Mais tarde mostrarei as filhas que te quero confiar”. Ainda em sonho, Amábile prometeu servir à Nossa Senhora esforçando-se o quanto pudesse.

Depois deste sonho, Amábile voltou a se empolgar com o desejo de uma dia tornar-se freira. E Deus, através de Nossa Senhora, ia sempre mostrando os caminhos. Padre Marcelo Rocchi era apóstolo de Nossa Senhora de Lourdes, e logo inicia em Vígolo uma campanha para construir uma gruta e comprarem na França, uma linda imagem da Mãe de Deus.

Amábile rapidamente teve a idéia de fazer uma plantação de mandioca para vender e arrecadar dinheiro. Com o trabalho árduo de um ano inteiro, ela e suas amigas entregam ao padre a quantia suficiente para a compra da imagem. A gruta, que ainda existe em nossos dias, foi inaugurada em 1889.

Em 1890, Napoleão se casa novamente com uma senhora também viúva. Essa notícia deixou Amábile felicíssima, pois agora o pai poderia reconstruir sua vida e ela, Amábile, poderia realizar o sonho de se entregar inteiramente a Deus.

Ainda neste mesmo ano, no dia 12 de julho, Amábile e sua amiga Virgínia se mudam para uma pequenina e humilde casa de madeira ao lado da gruta de N. Sra de Lourdes. O objetivo era cuidar de Ângela Lúcia Viviani, que estava sendo acometida por um câncer incurável e a família nada podia fazer. O lugar logo se tornou conhecido como Hospitalzinho São Vigílio. As três chegaram no casebre num carro de boi e assim que entraram no novo lar, Virgínia tirou do baú que trouxe consigo, um pequeno quadro de São José. Fizeram uma oração e se deitaram, sem camas nem cobertas, sobre o chão frio, mas felizes. Este é considerado o dia oficial da fundação da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.

A idéia deste Hospital não agradou a todos em Vígolo, alguns até chamavam as jovens de bruxas, hipócritas, atiravam pedras e jogavam lixo na porta do Hospitalzinho. Elas sempre limpavam tudo sem se queixar. Isto pareceu preparar o coração de Amábile para as provações que o futuro lhe reservava.

Seu pai, por algumas vezes, a chamou para voltar para casa, era difícil para ele ver a filha sendo perseguida assim. A isto ela apenas respondia: “Papai, não se preocupe comigo. Preciso seguir minha inspiração. Preciso descobrir o que Deus quer de mim”.

Primeira “Imitação de Cristo”, usada por Madre Paulina e o seu Terço.

Sempre havia doentes e o Hospitalzinho recebia cada vez mais enfermos. Outra moça, Teresa Anna Maule, se juntou a Amábile. As três trabalhavam duramente como bóias-frias para sustentarem o hospital. Expressam a vontade de se tornarem religiosas e em 1893 o superior dos jesuítas conhece o casebre onde elas viviam. Espantado com a pobreza do local ele questiona como elas podiam viver em tamanha miséria. Ao que Amábile responde: “Nós queríamos entrar para uma congregação religiosa, mas, como até agora não conseguimos, decidimos servir a Deus aqui, do nosso jeito, fazendo o que é possível”. O superior, impressionado, as encorajou e disse que faria o possível por elas.

Conseguiram então uma nova casa em Nova Trento, para cuidarem dos doentes da cidade. Também eram ativas na catequese, procissões, grupos religiosos. Um professor se oferece para auxiliá-las nos estudos. E tão logo aprendem as lições, já abrem ao lado uma pequena escola para ensinarem gratuitamente as crianças da região.

Nossa Senhora aparece novamente em sonho para Amábile, desta vez lhe mostra milhares de meninas e diz: “Eis as filhas que te confio”.

Não demora muito tempo para que a promessa da Virgem Maria se cumpra. Muitas jovens se encantaram com o modo de viver do grupo e queriam se juntar a elas. A roça era o que sustentava as meninas que chegavam, a enxada era companheira de todas as moças. E por não terem propriedades e terras, trabalhavam como bóias frias em terras alugadas, dividindo os já escassos recursos com os próprios donos da terra.

Amábile, diante das dificuldades de toda ordem que apareciam para o sustento das jovens que chegavam e queriam participar do seu grupo, se apresenta como mulher dinâmica, criativa e revolucionária para seu tempo. Fez curso de tecelagem e busca de toda forma novos meios para sustentar sua obra. Mulher de fé, viveu na total confiança da Providência de Deus comprometendo-se com a dor dos que mais sofriam, tornando-se mãe dos pobres, dos abandonados e dos enfermos por onde passou e viveu.

No ano de 1895, Dom José de Camargo Barros, bispo de Curitiba, faz uma visita pastoral a Santa Catarina, que naquela época fazia parte de sua diocese. Um dos lugares a ser visitado era o pequeno hospital fundado por Amábile, que a esta altura já era conhecido como “Conventinho”.
A emoção era grande, Amábile escreveu uma carta a Dom José, pedindo a aprovação da comunidade. Em sua visita ele poderia dar uma resposta positiva ou, se acaso não concordasse com o modo de vida delas, poderia simplesmente mandar todas as moças para casa.

Quando o bispo chegou, todas estavam de joelhos, emocionadas. Ele pediu que elas se levantassem, tudo estava muito limpo mas também muito simples, quase sem nenhum móvel. Dom José percorre toda a casa e no final se depara com o quadro de São José, fica alguns momentos olhando fixamente a pintura. Logo após esse momento, ele aprova a comunidade.

Todas ficaram em festa, Nova Trento teria uma congregação religiosa. Padre Rossi, que havia assumido a paróquia naquele ano, as auxilia em todo processo. Como agradecimento, elas optaram pela cor preta em suas vestes, ou seja, a mesma cor usada pelos padres jesuítas. Padre Luiz Maria Rossi sugere então uma faixa azul, homenageando Nossa Senhora Imaculada. Pronto, esta seria a veste da primeira santa brasileira. As moças fizeram os votos e trocaram de nome. Foi então que Amábile escolheu se chamar irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Ela foi eleita para o cargo vitalício de superiora geral. A nova congregação passou a se chamar Irmãzinhas da Imaculada Conceição.

Em 1903, padre Luiz Maria Rossi foi transferido para São Paulo. Na capital paulista ele foi visitar a colina do Ipiranga, então situada na periferia pobre da cidade. Foi ali que Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil. Hoje essa região da capital paulista é próspera e bonita, com o monumento à independência, o museu e o parque do Ipiranga, com numerosos hospitais, instituições e faculdades.

Um nobre muito rico e de visão, o conde José Vicente de Azevedo, se preocupava com os problemas sociais da nascente metrópole paulista, que atraía a população carente de todo o Brasil, todos tentando a sorte em São Paulo. Ele possuía muitas terras ali no Ipiranga e resolveu doar uma parte delas para instituições caritativas e educacionais da Igreja Católica. É por esta razão que ainda hoje há tantas instituições religiosas ao longo da avenida Nazaré, que corta o bairro.

Na visita do padre Rossi ao Ipiranga, o superior dos jesuítas, o padre Justino Maria Lombardi, sugeriu que ele convidasse as irmãzinhas de Nova Trento para abrir uma casa no Ipiranga. Havia ali um problema social espinhoso: com a abolição da escravidão há pouco tempo, vinham para São Paulo muitos ex-escravos para tentar conseguir emprego. Chegavam miseráveis e não tinham onde deixar as pessoas idosas e as crianças da família. O conde já se preocupava com esse problema, e havia criado em 1901 uma instituição ali mesmo, no Ipiranga, para cuidar dos ex-escravos e seus descendentes. Os jesuítas propuseram ao conde de chamar as irmãzinhas da Madre Paulina para cuidar dessa instituição. O conde aceitou com alegria a ideia e se propôs não só a dar o terreno, como também a ajudar financeiramente na viagem e na instalação das freiras da congregação.

Madre Paulina aceitou imediatamente a proposta surpreendente do padre Rossi. Deixou algumas irmãs cuidando dos doentes da casa de Nova Trento e partiu para São Paulo com três irmãs e seu pai, Napoleão Visintainer. Foi a última viagem feita com seu pai, ele viria a falecer oito anos mais tarde. A viagem foi inicialmente feita de carroça, indo de Nova Trento até o porto de Itajaí. De lá tomaram um navio para Santos e de Santos foram para São Paulo de trem. Essa viagem que hoje se faz em poucas horas, levou cinco dias extenuantes.

Casa da Congregação em São Paulo, bairro do Ipiranga, dias atuais.

Em 1909, tem início o calvário de Madre Paulina. A Congregação estava crescendo em São Paulo, onde fundou quatro novas casas, contava com benfeitores como Dona Anna Brotero de Barros, uma rica viúva da alta sociedade paulistana. Dona Anna gostou da Congregação, mas queria não apenas dar opinião sobre o futuro da Congregação, mas também decidir e governar a respeito de tudo, até mesmo sobre as noviças, que seriam admitidas ou não. E isto logicamente desagradou Madre Paulina.

Criou-se um mal-estar entre as irmãzinhas e Dona Anna. Porém, a rica senhora falava mal da madre Paulina para as autoridades eclesiásticas. A certa altura, não sendo mais possível tolerar as interferências constantes de Dona Anna, Madre Paulina vai junto com a irmã Vicência, vice-superiora geral, conversar sobre isto com o arcebispo de São Paulo. Já envenenado por Dona Anna, ele recebeu mal as duas religiosas. Ali mesmo, durante a conversa, com a madre ajoelhada a seus pés, ele se irrita e diz: “A senhora está destituída do cargo de superiora geral. Viva e morra na Congregação como súdita. Que seja convocado o primeiro Capítulo Geral para eleger uma nova superiora”. De cabeça baixa, chorando, Madre Paulina aceita a provação e a humilhação sem pestanejar. Ao invés de se defender ou tentar se explicar, ela simplesmente diz ao arcebispo: “Estou pronta para entregar a Congregação à próxima superiora geral. Meu único desejo é que a obra de Deus vá adiante”.

Santa Paulina estava agora sentindo o mesmo abandono que Jesus sentiu por parte de seus apóstolos ao ser entregue a seus algozes. Só mesmo analisando os fatos com o olhar de Deus para entender Seus planos. Por ordem do arcebispo, Madre Paulina foi enviada para Bragança Paulista onde passou dez anos como serva obediente da congregação, apenas com o título de veneranda fundadora. Ela, a quem havia sido confiado o cargo vitalício de Madre Geral, agora seria a última das últimas. Mas ela soube acolher tudo com o coração em paz. Em Bragança Paulista, fazia faxina, preparava refeições, cuidava dos doentes, não tomava nenhuma decisão, ninguém era mais obediente que ela, dizia sempre: “Meu desejo é trabalhar, obedecer e morrer abandonada por todas as criaturas desse mundo… recordada somente pelo meu caro Jesus, que tanto amo. A vontade de Deus é o meu paraíso”.

O próprio Dom Duarte, que fora o responsável por decretar seu exílio, reconheceu muitos anos depois, em 1932, a santa humildade de Madre Paulina: “A Madre Fundadora deu seu exemplo admirável de humildade e obediência e, afastada da direção da Congregação, por todas respeitada e venerada, promove a prosperidade de sua Congregação com o exemplo de uma vida edificante de oração e trabalho incessante”.

O exílio em Bragança durou até 1918, quando as irmãzinhas de sua Congregação pediram ao arcebispo autorização para que Madre Paulina pudesse voltar para a Casa Madre da Congregação em São Paulo. O arcebispo deu seu consentimento, mas não retirou a proibição de que Madre Paulina assumisse qualquer cargo na congregação. De volta, ela cuidava das irmãs doentes, rezava muito e tinha conversas espirituais com suas companheiras. A madre geral era a mesma que a havia substituído, a Madre Vicência Teodora, que pediu à Madre Paulina colaborar na história de seu chamado por Deus e a fundação da Congregação. Ela ajuda a resgatar o carisma fundador que assim foi definido: “sensibilidade para perceber os clamores da realidade e disponibilidade para servir os mais necessitados e os que estão em situação de maior injustiça”. Ela acompanhava, rezava e abençoava as irmãs que partiam para novas fundações e se alegrava especialmente com as que partiam para as regiões mais remotas e pobres.

Em 1933 a Congregação florescia, tendo sua fundadora viva, dando exemplo de santidade. O Papa Pio XI houve por bem emitir um Decreto de Louvor que elogiava a Congregação, as obras que ela desenvolvia pelos mais necessitados e a “Veneranda Madre Fundadora”. Era o reconhecimento, depois do longo sofrimento.

Como sempre, Madre Paulina estava ou fazendo alguma coisa, ou rezando. Quando não cuidava das doentes ou das que iam partir, fazia flores artificiais e rosários. E, em 1938, nova provação cai sobre ela: ao fazer rosários a mão, cortou seu dedo. Como era um corte pequeno, não deu importância. Mas a Madre já estava atacada pela diabetes e não se sabia. Por isso, a pequena ferida cresceu e se transformou numa gangrena diabética: tiveram que amputar o dedo e logo depois a mão e todo o braço. Novamente, Madre Paulina mostrou-se resignada e paciente. Ela comentou com as irmãs: “Deus me pediu um dedo e depois o braço. Mas porque negar o que Ele me pede se sou toda d’Ele? Estou só devolvendo o que Ele me deu. Que o nome d’Ele seja louvado em todas as partes, por todas as pessoas, em todos os momentos”.

Em 1940, com a saúde muito debilitada, Madre Paulina fez seu testamento espiritual, cheio de encorajamento para suas filhas da Congregação. Estas duas simples frases resumem o que ela deixou: “Nunca, jamais, desanimeis, embora venham ventos contrários! Confiai em Deus e em Maria Imaculada, permanecei firmes e ide adiante”!

A Madre foi ficando cada vez mais doente. Em 1942 ficou cega. Recebeu os últimos sacramentos e faleceu em paz aos 77 anos, a 9 de julho de 1942 na Casa Madre, em São Paulo. Já em vida a Madre tinha fama de santidade. Depois de seu falecimento, as irmãs e o povo que a havia conhecido, começaram a pedir graças por sua intercessão e as graças pedidas eram concedidas. Algum tempo depois começam a surgir relatos de milagres. O Vaticano, prudente, resolveu esperar para abrir o processo de beatificação, provavelmente devido à questão com o já então falecido arcebispo de São Paulo. Como a devoção popular se alastrava e os relatos de graças e milagres se multiplicavam, finalmente o processo foi aberto em 1965 pela Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.

Ora, assim como Deus tomou a cruz, símbolo de humilhação e sofrimento, Ele também o fez com o exílio de Madre Paulina. A humilhação de ter sido deposta do cargo de Madre fundadora foi aceito com tamanha humildade que foi a página mais luminosa da vida desta santa. Em 1991 O Papa João Paulo II, em visita ao Brasil, durante a cerimônia de beatificação de Madre Paulina em Florianópolis, Santa Catarina, disse que “sua conformidade com a vontade de Deus, levou-a a uma constante renúncia de si mesma, não recusando qualquer sacrifício para cumprir os desígnios divinos, especialmente no período, particularmente heróico, da sua destituição como Superiora Geral da Congregação por ela fundada.”

A canonização se deu em Roma, a 19 de maio de 2002, feita pelo mesmo Papa. Foi a primeira santa canonizada que passou sua vida no Brasil.

O milagre escolhido pelo Vaticano como prova para a canonização, foi o de uma bebê do Acre. Trata-se de Iza Bruna Vieira de Souza, nascida em Rio Branco com um grave defeito congênito: uma má formação cerebral. Enquanto a menina ainda estava no ventre da mãe, a avó que assistia a Missa de beatificação de Madre Paulina, ficou tocada e em oração, entregou a neta aos cuidados de Madre Paulina. A criança nasceu e o prognóstico da equipe médica era o pior possível. Precisaram fazer uma cirurgia e se após a operação a bebê tivesse uma crise convulsiva, seria fatal, ou, na melhor das hipóteses, ficaria cega, surda, muda e tetraplégica. As crises vieram, mas, contrariando o diagnóstico médico, a menina Iza ficou completamente curada, sem nenhuma sequela. Os médicos declararam não haver explicação para a cura milagrosa.

O corpo da Madre é venerado na capela da Casa Geral de sua Congregação em São Paulo, para onde acorrem muitos fiéis em peregrinação. Relíquias suas também são veneradas em Nova Trento, no grande santuário de Madre Paulina ali erguido. Sua festa é comemorada pela Igreja no dia nove de julho.

Madre Paulina (primeira à direita) e madre Vicência Teodora (deitada na cama doente) » “Nunca, jamais, desanimeis, embora venham ventos contrários! Confiai em Deus e em Maria Imaculada, permanecei firmes e ide adiante!”

GAUDETE ET EXSULTATE

A ACN recomenda a leitura da Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, do Papa Francisco, como forma de aprofundar o tema “santidade”.

GAUDETE ET EXSULTATE

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