A Santa Sé anunciou a data que o Papa Francisco visitará Moçambique – de 4 a 10 de setembro de 2019. Além de visitar o país, recentemente atingido pelo ciclone Idai, o Santo Padre também visitará os países vizinhos: Madagascar e as Ilhas Maurício.

A Igreja em Moçambique está à espera da visita Papal com grande expectativa. Dom Adriano Langa, bispo da Diocese de Inhambane, no sul de Moçambique, explicou à ACN que, em setembro de 2018, o Presidente da República de Moçambique tinha feito uma visita ao Vaticano. Na ocasião, ele convidou o Papa Francisco a visitar o seu país. O convite reafirmou o pedido que os Bispos já tinham feito anteriormente. O Papa respondeu “sim”, se “eu estiver com boa saúde”. Agora, sua visita finalmente foi confirmada.

Esta será a segunda visita Papal a Moçambique, após a histórica visita do Papa São João Paulo II em 1988. “Estamos todos dispostos a organizar a visita e também a preparar os fiéis para ela. É algo que desejamos muito. Afinal, quem não gostaria que o Papa viesse ao seu país?”, perguntou Dom Langa.

Também o Arcebispo Claudio Dalla Zuanna, da Beira – cidade costeira do centro-leste de Moçambique, que sofreu tão terrivelmente com as consequências do desastre nacional do ciclone Idai – transmitiu rapidamente a notícia aos seus fiéis em um comunicado que também foi enviado à ACN: “Hoje, 27 de março, recebemos a feliz notícia de que o Papa Francisco visitará nosso país em setembro. Embora a visita já estivesse planejada antes da passagem do ciclone, muitas pessoas estão se perguntando agora se o Papa decidiu vir à Beira para nos visitar e consolar. Então, estamos esperando que isso aconteça.”

Os mártires de Guiúa

Para muitos moçambicanos, o sonho é que a agenda Papal inclua uma viagem ao centro catequético de Guiúa. Embora isso pareça improvável, dado que é na diocese de Inhambane, que está muito longe da capital Maputo, o foco central da visita do Papa Francisco. Esse centro catequético registra a história do martírio de mais de 20 catequistas moçambicanos. Eles foram vítimas de um dos mais violentos incidentes da longa guerra civil. “A fase diocesana do processo de beatificação acaba de ser concluída”, explica Dom Langa. Ele enfatiza que Guiúa é hoje um marco na vida cristã do país.

“Guiúa tem um santuário dedicado a Nossa Senhora Rainha dos Mártires. Ele é como um memorial desse evento dramático que envolveu o massacre dos catequistas. Agora, é também um lugar de peregrinação”. Milhares de pessoas vêm a este local todos os anos, demonstrando a enorme devoção do povo moçambicano à Virgem Maria. “Pedimos a Maria que leve seus filhos nos braços, ao altar”, acrescenta o bispo. Espera-se que a Santa Sé reconheça em breve os catequistas de Guiúa como mártires. “As expectativas são muito altas”, diz Dom Langa.

“Sinceros agradecimentos a ACN”

Apesar das consequências da guerra, da violência e da catástrofe natural que recentemente devastaram o país, Moçambique e a Igreja aqui continuam demonstrando grande vitalidade. A Diocese de Inhambane é um bom exemplo disso. “As vocações estão florescendo em nosso seminário. Pela primeira vez desde que abriu, tem 30 futuros padres; nós nunca tivemos tantos antes. Infelizmente, porém, a casa onde estão alojados era anteriormente uma casa paroquial e tem poucos quartos”, explica o Bispo.

O desejo de melhorar a estrutura física do seminário em Inhambane é uma das razões que o levaram a visitar a sede internacional da ACN. Este é um projeto concreto, que pode agora tornar-se realidade, graças à generosidade dos benfeitores da ACN. Essa mesma generosidade já foi experimentada por Dom Langa no passado, com vários outros projetos de ajuda.

“Eu sempre digo ‘Muito Obrigado’ a todos os benfeitores que dão vida a esta Fundação e que também nos dão vida. Pois, de fato, são muitos os projetos que realizamos em que tivemos ajuda. Da mesma forma, foram muitos os meios de transporte que pudemos utilizar. Por exemplo, os veículos que estamos usando na diocese, vieram daqui, da ACN. Tudo isso foi possível graças à ACN, que está nos ajudando a proclamar o Evangelho. Sua Fundação nos deu as pernas, braços, olhos e uma boca para proclamar o Evangelho. Por tudo isso, nossos sinceros agradecimentos!”