Até poucos anos atrás era raro alguém usar a palavra “mártir”. Infelizmente, hoje em dia, esse termo se tornou comum devido à onda de atentados suicidas no mundo inteiro. Pior ainda: o radicalismo islâmico associou a esse mesmo termo um significado distorcido e assustador. Enquanto que, para os cristãos, o “martírio” aponta para uma mensagem completamente diferente.

Homens, mulheres e até crianças, a quem nós veneramos como mártires, de forma alguma buscavam a morte. Pelo contrário, amavam a vida até o fim. Mas deram provas da imensa liberdade interior que gera a fé em Cristo. Com a certeza de que o amor de Deus é mais forte do que a morte, eles não se amedrontaram diante de um poder do mundo que lhes queria roubar Deus. Aceitaram a morte na convicção de que a entrega de sua vida pela Verdade serviria para a salvação do mundo. A Igreja foi, é e sempre será uma Igreja de mártires – também no século XXI. Justamente no
nosso tempo precisamos de pessoas corajosas, heroicas, que se oponham ao ódio e à vingança.

Mas de onde é que vem a coragem dos mártires? Ela é conquistada na vida cotidiana, por meio da aceitação de muitas pequenas “alfinetadas”. Com cada pequeno sacrifício, com toda superação de si mesmo, com toda decisão por Cristo, cresce em nós a coragem e a força para amar a Deus, bem além de nossos próprios interesses. Dessa forma compartilhamos a cruz de Jesus, o maior sacrifício do amor, e aprendemos a amar como Ele nos amou. Esse amor, que se dispõe até ao martírio de sangue, renova e revigora a Igreja.

Sacrifício da vida em defesa dos que sofrem

Um exemplo comovente desse amor heroico é o de Shahbaz Bhatti, ministro paquistanês das minorias, assassinado em 2 de março de 2011 por causa de seu trabalho em favor dos cristãos perseguidos. Pressentindo a morte, ele escreveu em seu testamento espiritual: “Foram-me oferecidas altas honrarias e cargos no governo para que eu desistisse de minha luta. Minha resposta sempre foi a mesma: Não! Quero servir a Jesus como qualquer outra pessoa. Essa entrega me faz feliz. Não quero popularidade nem posições de poder. Eu só quero um lugar aos pés de Jesus. Quero que minha vida, meu caráter, minhas ações mostrem que sou um discípulo de Jesus Cristo. Esse desejo em mim é tão grande que eu consideraria uma honra se Jesus aceitasse o sacrifício da minha vida em defesa dos que sofrem, dos pobres e dos cristãos perseguidos no Paquistão.”

Caros amigos, é a heróis da fé como este que dedicamos a nossa campanha de Quaresma deste ano. A maioria deles vive completamente oculta, como testemunhas silenciosas da grande causa de Deus. Mas a nós eles dão coragem e bênçãos. Mostremos também a eles o nosso amor, para que não se sintam abandonados em sua luta.

Pe. Martin M. Barta
Assistente Eclesiástico Internacional