//Refugiados cristãos: progresso no norte do Iraque

Refugiados cristãos: progresso no norte do Iraque

2015-05-12T13:15:45+00:00maio 12th, 2015|Projetos|

O Pe. Andrzej Halemba, responsável pela seção de projetos para o Oriente Médio da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), vê progressos no norte do Iraque.

“Muita gente está recobrando a esperança” – com estas palavras, o Pe. Andrzej Halemba, responsável pela seção do Oriente Médio da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, descreveu a situação dos refugiados iraquianos no norte do país. Em meados de 2014, mais de 120.000 cristãos tiveram que fugir do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) para o território do Curdistão autônomo no norte do Iraque. O Pe. Halemba, que recentemente esteve na região, afirmou: “As pessoas já não tem a sensação de estar a ponto de se afogar. É como se agora tivessem um colete salva-vidas e, apesar da costa ainda estar longe, elas sabem que serão salvas. As coisas que pudemos realizar em colaboração com a Igreja local estabilizaram a situação”.

Segundo ele, há alguns meses, ainda predominavam a raiva e a falta de esperança entre os refugiados. “As pessoas só pensavam em conseguir vistos, dinheiro no bolso e como sair do Iraque o mais rápido possível. Entretanto, muitos conseguiram se acomodar em maior ou menor medida, e agora desejam permanecer no país. Os últimos êxitos do exército iraquiano – por exemplo, em Tikrit – fizeram renascer a esperança de poder regressar em breve aos locais atualmente ocupados pelo EI”.

Segundo o Pe. Halemba, um fator fundamental para a estabilização foi a mudança de muitos refugiados que viviam em tendas e containers para casas alugadas. “Graças a isso, as pessoas recuperaram o sentimento de dignidade e de segurança, e assim, foi despertada em muitos a iniciativa própria. Era isso que estava faltando”. Nesse meio tempo, um certo número deles encontrou trabalho nos territórios curdos. “Certamente os empregadores com frequência se aproveitam da situação, pois sabem da situação de necessidade dos cristãos. Apesar disso os pais de família podem voltar a contribuir para o sustento dos seus entes queridos, sobretudo em obras de construção civil e similares”. O Pe. Halemba ressalta que as escolas para as crianças, filhas dos refugiados, financiadas em parte pela AIS, também contribuíram para melhorar a situação. “Para os pais, é fundamental ver seus filhos prosseguir com a formação escolar. Isto também lhes dá uma sensação de normalidade”. Até o final de maio, seis das oito escolas previstas estarão em funcionamento. Duas já funcionam em Erbil-Ankawa. Cada escola tem capacidade para acolher mais de 800 alunos.

Segundo o Pe. Halemba, o fator decisivo nesta fase é que a Igreja apoie a esperança do povo. “A disponibilidade para ouvir e a compreensão amiga são fatores psicologicamente decisivos. As pessoas precisam ver que não nos esquecemos delas”. Por esta razão, o Pe. Halemba quer continuar a dedicar especial atenção à melhoria dos alojamentos. “O tempo dos alojamentos pré-fabricados pertence ao passado. Por isso, desejamos tentar realojar mais pessoas em casas alugadas. Mas, ao mesmo tempo, queremos incentivar a iniciativa própria, e para isso, iremos reduzir pouco a pouco as subvenções para o aluguel. Isso vai impulsioná-los suavemente a tentar encontrar fontes de renda próprias”. Mas o Pe. Halemba ressaltou que o apoio internacional – como o da AIS – é importante não somente no campo material. Assim, gestos como a campanha de presentes no Natal passado – que ajudou 15.000 crianças – contribuíram para que eles sentissem que a Igreja de todo o mundo se preocupa com eles. No total, cerca de 15.000 famílias receberam, de uma forma ou outra, apoio da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). O Pe. Halemba informou que a AIS destinou a estas famílias necessitadas mais de 15 milhões de reais desde o início da crise.

Estão previstas medidas adicionais de ajuda. Assim, por exemplo, a AIS quer subvencionar um programa para que as religiosas que tiveram que fugir do EI, possam se recuperar espiritual e psicologicamente no Líbano. Com frequência, estas freiras ficam traumatizadas. “Elas precisam urgentemente de nossa ajuda para poder auxiliar novamente o povo. Elas precisam recarregar as baterias”. Isto é facilmente compreensível em vista da destruição do apostolado delas, construido ao longo de muitos anos, em escolas, orfanatos e residências para anciãos, explica o Pe. Halemba. Ele assegura que os sacerdotes e religiosos são fundamentais na hora de dar nova esperança para o povo. “São eles que dão impulso para a comunidade e os que estão mais próximos das pessoas. Por isto precisamos deles urgentemente”.

Tendo em vista que não se vislumbra ainda um fim para a situação dos refugiados e dada a constante imigração, o Pe. Halemba considera que o tempo é um fator decisivo no Iraque: “Desconhecemos até quando vai se alongar esta situação, mas devemos prosseguir no caminho da ajuda a estes refugiados a se ajudar a si mesmos. Nós os ajudamos, mas no final das contas, a esperança tem de renascer neles mesmos”.

O Pe. Halemba considerou como positivos os esforços da Ajuda à Igreja que Sofre para focar a atenção da comunidade internacional na situação dos cristãos do Oriente Médio através de um trabalho de informação e de relações públicas. “Sem dúvida, os eventos organizados por nós em Bruxelas e Genebra contribuíram para mostrar aos políticos a gravidade da situação. Até pouco tempo, havia pouco interesse, mas isso mudou. Atualmente, muitos políticos veem a necessidade de se fazer o possível para que os cristãos possam permanecer em seus lugares de origem”.

Mas ele acrescenta que isto só será possível se os muçulmanos da região aprenderem um meio de conviver pacificamente com os cristãos. “Os países ocidentais precisam ajudar a divulgar no Oriente Médio os conceitos da não violência. Sobretudo, será preciso conseguir adeptos entre os Imãs e demais líderes islâmicos”.

Leave A Comment

A ACN está na Copa do Mundo. Ajude-nos a ganhar!