No dia 17 de setembro completou um ano do sequestro do Padre Pier Luigi Maccalli, irmão do Padre Walter Maccalli, missionário da SMA (Sociedade das Missões Africanas). Para o padre, que atualmente trabalha na Missão de Foya, na Libéria, não há dúvida sobre a libertação de seu irmão. Ele manifesta grande esperança na libertação do padre sequestrado.

O sacerdote enviou uma mensagem exclusiva para a ACN, testemunhando o seu estado de espírito, a certeza de que a libertação será possível, mas com a confissão, também, de que não tem quaisquer notícias sobre o paradeiro do seu irmão.

“Faz um ano do sequestro de Gigi (como ele é conhecido) e, infelizmente, não temos notícias desde aquele dia. Todas as notícias dadas pelos jornalistas nada mais são do que suposições que não tiveram confirmação, mesmo as do governo de Burkina Faso, de que ele seria trazido de volta ao Níger (África Ocidental)…”

Esperança na libertação do padre sequestrado

Durante a conversa com a ACN, o Padre Walter confessa que está vivendo este primeiro ano desde o rapto do seu irmão com “um estado de ânimo que não pode ser descrito em palavras”, pois é “uma realidade que é sentida na própria pele”.

É na oração diária e na “solidariedade e apoio dos confrades” que o Padre Walter ganha forças, explicando que, por exemplo, na sua comunidade paroquial em Madignano, na Libéria, eles rezam “o santo rosário todos os dias e, assim, em muitas paróquias da nossa Diocese”. Uma prática que se estende a muitas outras comunidades missionárias espalhadas pelo mundo.

O Padre Walter confessou que costuma rezar pela libertação do seu irmão. “Há uma oração que rezamos juntos em comunidade, em Foya, na Libéria. ‘Jesus, liberte o Padre Pier Luigi e o traga de volta a salvo. E, depois, há outras palavras que saem do coração: ‘Que esta realidade possa terminar, Senhor’”.

A dor de não celebrar missas

Questionado sobre as maiores dificuldades que o Padre Pier Luigi possa estar enfrentando, o Padre Walter Maccalli afirmou que, “certamente”, sente o peso de não poder celebrar a Missa, assim como a distância da família e amigos. Mas acrescentou acreditar que, “após os primeiros momentos de tensão e dos temores da sua prisão, ele encontrou uma resposta na sua oração pela nova missão… que é, ser missionário do fundo do coração, exercitando o seu ministério com fidelidade e compaixão, como sempre o fez na comunidade em Bomoanga”. Fazer o bem, ajudar os companheiros de cela, levar uma boa palavra para os seus sequestradores, cuidar e confortar aqueles que estão doentes.

Após os 12 meses de sequestro do seu irmão em Bamoanga, em frente à igreja local, no Níger, o Padre Walter Maccalli afirma “que não está tranquilo, que está sempre à espera da boa notícia da libertação de Gigi”. “É como uma ferida que está sempre aberta e não cicatriza.”

Questionado pela ACN em Portugal se acredita na libertação do Padre Pier Luigi, a resposta é inequívoca: “Claro que sim”. “A esperança é essa, a sua libertação. Sabemos que isso demora tempo, mas esperamos com fé e paciência, pela sua libertação. As orações que fazemos diariamente na nossa aldeia são com essa esperança. Há muitas pessoas rezando. Ele fazia o bem antes, na missão de Bomoanga, e acredito que continua fazendo nesta sua nova missão.”

Padre não tem medo de novos ataques

Atualmente na Libéria, o padre não está imune a ataques jihadistas como o que atingiu o seu irmão. No entanto, afirma que não tem medo. “Quando estamos em missão, não olhamos o perigo. É a nossa missão, temos um compromisso importante que é anunciar o Evangelho.”

O Padre Walter pede aos benfeitores e amigos da ACN no mundo inteiro para que não se esqueçam de rezar pelos missionários. “Que se lembrem de nós, missionários, nas suas orações. Não nos abandonem, sejam sempre solidários com a sua oração e ajuda, tão importante. Que Deus os abençoe e às suas famílias. Muito, muito obrigado.”