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Especial Sudão do Sul: estupro permitido

2018-05-02T17:20:43+00:00 Março 11th, 2016|Notícias|

A Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou hoje que militares combatentes pelas forças governamentais do Sudão do Sul foram autorizados a “violentar mulheres como forma de pagamento”. Para a ONU a situação dos direitos humanos naquele país está “entre as mais horríveis” do mundo.

“Trata-se de uma situação de direitos humanos entre as mais horríveis no mundo, com a utilização em massa de violações como instrumento de terror e como arma de guerra”, declarou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein.

“A escala e o tipo de violência sexual – praticada principalmente pelas forças governamentais (Exército de Libertação do Povo do Sudão) e milícias afiliadas – são descritos com detalhes terríveis e devastadoras.

Em seu relatório, a ONU indica que “de acordo com fontes confiáveis, os grupos aliados do Governo estão autorizados a violar as mulheres como forma de pagamento”, sob o princípio “faça o que puder e leve o que quiser”.

O Sudão do Sul – que obteve a sua independência do Sudão em julho de 2011, depois de décadas de conflito – está em guerra civil desde dezembro de 2013, quando o presidente Salva Kiir acusou seu antigo vice-presidente, Riek Machar, de tramar um golpe de Estado. Desde então mais de 2,3 milhões de pessoas foram expulsas de suas casas, dezenas de milhares mortas pela guerra e os dois lados envolvidos no conflito são acusados de atrocidades.

O relatório contém testemunhos sobre civis que eram suspeitos de apoiar a oposição, incluindo crianças e pessoas com deficiência, que foram assassinados, queimados vivos, sufocados em contentores, mortos a tiro, pendurados nas árvores ou cortados em pedaços. “Dada a amplitude, profundidade e gravidade das alegações, consistência, repetição e semelhanças observadas no procedimento, o relatório concluiu que há motivos razoáveis para crer que as violações podem constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, disse o alto comissário das Nações Unidas.

De acordo com as Nações Unidas, a maior parte das mortes de civis não parece resultar de operações de combate, mas ataques deliberados contra civis: “Cada vez que uma área do país muda de mãos, as pessoas responsáveis matam ou provocam o deslocamento do maior número possível de civis, com base na sua etnia”, segundo a organização.

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