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“Meus pais foram mortos pelo Talibã”

28 de setembro de 2021

Ali Ehsani tem 38 anos e é advogado de profissão. Seus pais foram mortos pelo Talibã. Depois de uma viagem muito longa e difícil, chegou à Itália com 13 anos; ele estava sozinho. Ele fugiu do Afeganistão depois que seus pais, cristãos, foram mortos por causa de sua fé. Seu único irmão morreu no caminho. No Afeganistão, ele viveu sua fé em segredo absoluto.

Quando criança, ele se considerava “normal” e não era diferente do resto de seus amigos, que cresceram em famílias muçulmanas. Mas não foi esse o caso. Mesmo que ele não soubesse disso, Ali era um cristão. Seus pais nunca falaram abertamente sobre sua religião, porque temiam que ele os traísse sem querer. Ele se lembra de como sua mãe sempre reservava um lugar vago à mesa em casa para o caso de alguém precisar pedir algo para comer.

Raquel Martín, ACN, entrevistou este afegão cristão, cuja vida foi moldada pela aspiração de seguir a Cristo e por ser perseguido por isso.

Como você descobriu que sua família era cristã?

Quando eu tinha 8 anos, fui para a escola e meus colegas me perguntaram por que meu pai não ia à mesquita para orar. Eu cheguei em casa e perguntei ao meu pai, e ele disse: quem te falou isso? Meu pai me explicou que eu não deveria contar a ninguém que éramos cristãos. Meu pai me disse que os cristãos iam à igreja, mas não me disse muito mais, por medo de que eu falasse sobre nossa fé e eles nos descobrissem.

O que aconteceu então?

As pessoas finalmente descobriram que éramos cristãos. Um dia, ao voltar da escola, descobri que o tinham destruído nossa casa e meus pais foram mortos pelo Talibã. Meu irmão e eu fomos forçados a fugir do Afeganistão. Ele tinha 16 anos e eu 8. A viagem durou cinco anos. Descrevi nossa odisseia em meu livro Hoje a noite olhamos para as estrelas. Foi uma viagem angustiante que nos levou pelo Afeganistão, Paquistão, Irã, Turquia e Grécia, até chegarmos à Itália. Meu irmão morreu no caminho.

Junto com seu irmão, ele pegou um barco para chegar à costa da Grécia. Seu irmão Mohammed não sobreviveu. Ali se salvou agarrando uma lata de gasolina. Ele disse à ACN que, naquele momento, pensou: “Se Jesus existe, Ele vai me salvar do afogamento”. Ele estava sozinho aos 11 anos de idade. Quando chegou à Itália, sabia exatamente o que queria fazer: iria estudar Direito para que pudesse defender os fracos e ajudar aqueles que haviam sofrido tanto quanto ele mesmo. Nunca se esqueceu de suas raízes afegãs. Ele contatou uma família cristã que vivia secretamente sua religião em sua terra natal e os apoiava em sua fé.

Como eles viviam sua fé em segredo?

Conheci esta família através de um amigo e conversávamos muitas vezes. Eu mandei pra eles vídeos da Santa Missa ou transmitia, ao vivo, os serviços no meu celular. Foi complicado para eles porque nunca tinham assistido à missa. No entanto, quando viram os vídeos, ficaram tão emocionados que choraram … embora não entendessem o que se dizia devido à barreira da língua.

Mas foram descobertos pelo Talibã …

Enquanto assistiam a uma das transmissões da Santa Missa, aumentaram o volume da televisão para que toda a família pudesse ouvir. Com isso, um vizinho descobriu que eles eram cristãos e os traiu.

O que aconteceu com eles?

O pai foi preso e essa foi a última vez que ouviram falar dele. A família foi forçada a fugir e se esconder em uma espécie de bunker, pagando um guarda para protegê-los. Graças às autoridades italianas e vaticanas, conseguimos tirá-los do país. Eles agora estão morando na Itália.

O que a família fez nos primeiros dias de liberdade?

A primeira vez que puderam assistir à missa, ficaram tão emocionados que só conseguiram chorar. Foi profundamente comovente ter a liberdade de reconhecer abertamente sua fé. E eles disseram: “Depois de ter vivido no escuro por tantos anos como cristãos secretos, é como renascer.”

Quando a família fugiu para salvar a vida, eles não levaram nada com eles. Um dos filhos vestia uma camisa feita sob medida no típico estilo afegão, que só tirou dias depois de chegar à Itália. Esta camisa foi dada ao Papa Francisco de presente por um jornalista que o acompanhou no vôo da Hungria para a Eslováquia.

Não há vestígios de dor no rosto de Ali e ele está sorrindo. Como não sabia se seus pais o haviam batizado em sua terra natal, ele decidiu receber o sacramento na Basílica de São João de Latrão, em Roma. No final da entrevista, pediu ao Grupo ACN orações pela paz mundial.

Para obter mais informações sobre a situação dos cristãos no Afeganistão, consulte o Relatório de Liberdade Religiosa: https://acninternational.org/religiousfreedomreport/reports/af/

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Ali Ehsani tem 38 anos e é advogado de profissão. Seus pais foram mortos pelo Talibã. Depois de uma viagem muito longa e difícil, chegou à Itália com 13 anos; ele estava sozinho. Ele fugiu do Afeganistão depois que seus pais, cristãos, foram mortos por causa de sua fé. Seu único irmão morreu no caminho. No Afeganistão, ele viveu sua fé em segredo absoluto.

Quando criança, ele se considerava “normal” e não era diferente do resto de seus amigos, que cresceram em famílias muçulmanas. Mas não foi esse o caso. Mesmo que ele não soubesse disso, Ali era um cristão. Seus pais nunca falaram abertamente sobre sua religião, porque temiam que ele os traísse sem querer. Ele se lembra de como sua mãe sempre reservava um lugar vago à mesa em casa para o caso de alguém precisar pedir algo para comer.

Raquel Martín, ACN, entrevistou este afegão cristão, cuja vida foi moldada pela aspiração de seguir a Cristo e por ser perseguido por isso.

Como você descobriu que sua família era cristã?

Quando eu tinha 8 anos, fui para a escola e meus colegas me perguntaram por que meu pai não ia à mesquita para orar. Eu cheguei em casa e perguntei ao meu pai, e ele disse: quem te falou isso? Meu pai me explicou que eu não deveria contar a ninguém que éramos cristãos. Meu pai me disse que os cristãos iam à igreja, mas não me disse muito mais, por medo de que eu falasse sobre nossa fé e eles nos descobrissem.

O que aconteceu então?

As pessoas finalmente descobriram que éramos cristãos. Um dia, ao voltar da escola, descobri que o tinham destruído nossa casa e meus pais foram mortos pelo Talibã. Meu irmão e eu fomos forçados a fugir do Afeganistão. Ele tinha 16 anos e eu 8. A viagem durou cinco anos. Descrevi nossa odisseia em meu livro Hoje a noite olhamos para as estrelas. Foi uma viagem angustiante que nos levou pelo Afeganistão, Paquistão, Irã, Turquia e Grécia, até chegarmos à Itália. Meu irmão morreu no caminho.

Junto com seu irmão, ele pegou um barco para chegar à costa da Grécia. Seu irmão Mohammed não sobreviveu. Ali se salvou agarrando uma lata de gasolina. Ele disse à ACN que, naquele momento, pensou: “Se Jesus existe, Ele vai me salvar do afogamento”. Ele estava sozinho aos 11 anos de idade. Quando chegou à Itália, sabia exatamente o que queria fazer: iria estudar Direito para que pudesse defender os fracos e ajudar aqueles que haviam sofrido tanto quanto ele mesmo. Nunca se esqueceu de suas raízes afegãs. Ele contatou uma família cristã que vivia secretamente sua religião em sua terra natal e os apoiava em sua fé.

Como eles viviam sua fé em segredo?

Conheci esta família através de um amigo e conversávamos muitas vezes. Eu mandei pra eles vídeos da Santa Missa ou transmitia, ao vivo, os serviços no meu celular. Foi complicado para eles porque nunca tinham assistido à missa. No entanto, quando viram os vídeos, ficaram tão emocionados que choraram … embora não entendessem o que se dizia devido à barreira da língua.

Mas foram descobertos pelo Talibã …

Enquanto assistiam a uma das transmissões da Santa Missa, aumentaram o volume da televisão para que toda a família pudesse ouvir. Com isso, um vizinho descobriu que eles eram cristãos e os traiu.

O que aconteceu com eles?

O pai foi preso e essa foi a última vez que ouviram falar dele. A família foi forçada a fugir e se esconder em uma espécie de bunker, pagando um guarda para protegê-los. Graças às autoridades italianas e vaticanas, conseguimos tirá-los do país. Eles agora estão morando na Itália.

O que a família fez nos primeiros dias de liberdade?

A primeira vez que puderam assistir à missa, ficaram tão emocionados que só conseguiram chorar. Foi profundamente comovente ter a liberdade de reconhecer abertamente sua fé. E eles disseram: “Depois de ter vivido no escuro por tantos anos como cristãos secretos, é como renascer.”

Quando a família fugiu para salvar a vida, eles não levaram nada com eles. Um dos filhos vestia uma camisa feita sob medida no típico estilo afegão, que só tirou dias depois de chegar à Itália. Esta camisa foi dada ao Papa Francisco de presente por um jornalista que o acompanhou no vôo da Hungria para a Eslováquia.

Não há vestígios de dor no rosto de Ali e ele está sorrindo. Como não sabia se seus pais o haviam batizado em sua terra natal, ele decidiu receber o sacramento na Basílica de São João de Latrão, em Roma. No final da entrevista, pediu ao Grupo ACN orações pela paz mundial.

Para obter mais informações sobre a situação dos cristãos no Afeganistão, consulte o Relatório de Liberdade Religiosa: https://acninternational.org/religiousfreedomreport/reports/af/

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