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Crianças no Iraque recebem ajuda da ACN

7 de julho de 2021

As crianças de Baghdeda, cidade cristã a cerca de 25 km de Mosul, no norte do Iraque, sorriem ao nos dizer, com alegria, o que querem ser quando crescerem. Abanoub e Andrian querem ser engenheiros, a pequena Mekel sonha em ser médica e Rozalina gostaria de ser religiosa. Todas elas frequentam a creche da Sagrada Família ao lado do convento das Irmãs Efrêm, nome de uma santa mesopotâmica dos séculos III e IV que é importante para o cristianismo oriental.

A creche que as crianças frequentam se parece com muitas outras ao redor do mundo, mas tem uma história um pouco diferente. Foi destruída pelos rebeldes do grupo Estado Islâmico (EI) quando eles tomaram o controle da cidade de 2014 a 2016. Uma noite as pessoas foram forçadas a fugir, e o prédio foi submetido ao tratamento padrão dos militantes do EI: paredes desfiguradas, móveis e acessórios arrancados e roubados, telhados destruídos, tetos derrubados e fiação elétrica arrancada. Mais tarde, durante a luta para expulsar os rebeldes jihadistas, o telhado foi atingido por um morteiro e as paredes foram crivadas de tiros de metralhadora. Uma granada lançada por foguete também atingiu a parede da varanda com vista para a rua.

Por isso é uma espécie de milagre ver agora essas crianças e o renascimento de uma comunidade que quase perdeu as esperanças. Mekel, Abanoub, Andria e outras crianças de Baghdeda podem cantar e brincar novamente em uma creche decorada com fotos de Mickey Mouse, Crazy Bird, the Smurfs e Frozen … É difícil imaginar como essas imagens de desenhos animados alegres e inofensivas foram pintadas pelos jihadistas, em parte talvez por causa de suas associações ocidentais, ou talvez porque eles se chocassem com as crenças islâmicas sobre a representação de imagens humanas.

Crianças de Baghdeda voltam para a creche

Em 2017, não muito depois de os combatentes do EI terem sido expulsos de sua ocupação de Baghdeda, as famílias cristãs começaram a retornar. Imediatamente, apesar de tudo ter sido destruído, duas irmãs começaram a trabalhar novamente na creche, com a chegada das primeiras quatro crianças. Desde então, quase metade das famílias voltou para a cidade e o número de crianças que querem se matricular na creche não para de crescer.

Atualmente são 47 crianças, mas ainda há espaço para acolher até 80. A criança mais nova tem apenas seis meses e a mais velha, cinco. Graças à ajuda da ACN e de outras organizações, dois pisos da creche foram totalmente restaurados, um deles recebe os mais novos.
Sabrin Thamer é uma das mães que traz seu filho para a creche. “Estou muito feliz por ter voltado para Baghdeda e nossos filhos voltarem a frequentar a creche”, diz ela. “Damos graças a Deus por todos aqueles que trabalharam tanto e contribuíram para sua reconstrução. Eles ajudaram a dar aos nossos filhos a possibilidade de obter uma educação novamente. ” Como a maioria das famílias daqui, Sabrin fala aramaico.

Em busca de um futuro melhor para as crianças de Baghdeda

Muna Mekhael também traz sua filhinha para a creche, “para que ela possa aprender e ter um futuro melhor. Certamente essa creche é um lugar importante para as crianças desenvolverem sua personalidade ”, explica. Afinal a verdade é que, apesar da tragédia e do trauma por que passaram, as famílias cristãs realmente querem reconstruir suas vidas aqui – e as crianças são o sinal mais claro desse futuro, que em determinado momento não ousaram acreditar.

Irmã Mariam Yako administra o berçário, junto com outra irmã e apoiada por uma equipe de seis outras pessoas. “Estamos gratos à ACN pelo seu apoio e contribuição para a creche da Sagrada Família aqui em Baghdeda, e a todos que ajudaram este centro. Ele é vital para as crianças, para que se possam desenvolver interagindo e trabalhando, juntas umas com as outras. ”

A realidade da população de Baghdeda

A grande maioria da população de Baghdeda é originária da Síria Oriental e mais de 90% deles são católicos. As Irmãs Saint Efrem e a creche são uma grande contribuição para a sensação de segurança destas famílias, que serão obrigadas a emigrar caso não encontrem trabalho ou as infraestruturas necessárias para as suas famílias. Devido à invasão de EI, sua expulsão e o subsequente retorno dos cristãos, as famílias agora têm estruturas diferentes. Geralmente são menores e nem sempre contam com o apoio dos avós ou tios e tias como antes. Por isso é importante que a falta de espaço na creche não impeça que tenham filhos ou permaneçam na cidade.

Muitas crianças da creche nasceram como refugiadas, desabrigadas e deslocadas. Irmã Mariam está convencida de que a creche é um fator chave para superar o trauma sofrido por essas famílias. “Eles vão crescer e, mais tarde, ser uma geração que está ciente e pronta para se apoiar mutuamente. Isso é especialmente importante, dadas as circunstâncias que cada uma dessas crianças teve que viver antes que pudéssemos voltar e abrir esta creche.”

A ACN apoiou a reconstrução de Baghdeda com muitos projetos diferentes que visam ajudar as famílias cristãs a retornar, após a invasão islâmica pelo EI. Assim, em alguns de seus projetos, a instituição facilitou outros aspectos da educação das crianças na região das planícies de Nínive, incluindo a reconstrução de cinco jardins de infância, uma creche e duas escolas.

Você também pode ajudar os cristãos no Iraque a reconstruírem suas vidas. Faça sua doação!

Assista também ao documentário Iraque – Êxodo e veja o que significa ser cristão em uma terra de perseguição.

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As crianças de Baghdeda, cidade cristã a cerca de 25 km de Mosul, no norte do Iraque, sorriem ao nos dizer, com alegria, o que querem ser quando crescerem. Abanoub e Andrian querem ser engenheiros, a pequena Mekel sonha em ser médica e Rozalina gostaria de ser religiosa. Todas elas frequentam a creche da Sagrada Família ao lado do convento das Irmãs Efrêm, nome de uma santa mesopotâmica dos séculos III e IV que é importante para o cristianismo oriental.

A creche que as crianças frequentam se parece com muitas outras ao redor do mundo, mas tem uma história um pouco diferente. Foi destruída pelos rebeldes do grupo Estado Islâmico (EI) quando eles tomaram o controle da cidade de 2014 a 2016. Uma noite as pessoas foram forçadas a fugir, e o prédio foi submetido ao tratamento padrão dos militantes do EI: paredes desfiguradas, móveis e acessórios arrancados e roubados, telhados destruídos, tetos derrubados e fiação elétrica arrancada. Mais tarde, durante a luta para expulsar os rebeldes jihadistas, o telhado foi atingido por um morteiro e as paredes foram crivadas de tiros de metralhadora. Uma granada lançada por foguete também atingiu a parede da varanda com vista para a rua.

Por isso é uma espécie de milagre ver agora essas crianças e o renascimento de uma comunidade que quase perdeu as esperanças. Mekel, Abanoub, Andria e outras crianças de Baghdeda podem cantar e brincar novamente em uma creche decorada com fotos de Mickey Mouse, Crazy Bird, the Smurfs e Frozen … É difícil imaginar como essas imagens de desenhos animados alegres e inofensivas foram pintadas pelos jihadistas, em parte talvez por causa de suas associações ocidentais, ou talvez porque eles se chocassem com as crenças islâmicas sobre a representação de imagens humanas.

Crianças de Baghdeda voltam para a creche

Em 2017, não muito depois de os combatentes do EI terem sido expulsos de sua ocupação de Baghdeda, as famílias cristãs começaram a retornar. Imediatamente, apesar de tudo ter sido destruído, duas irmãs começaram a trabalhar novamente na creche, com a chegada das primeiras quatro crianças. Desde então, quase metade das famílias voltou para a cidade e o número de crianças que querem se matricular na creche não para de crescer.

Atualmente são 47 crianças, mas ainda há espaço para acolher até 80. A criança mais nova tem apenas seis meses e a mais velha, cinco. Graças à ajuda da ACN e de outras organizações, dois pisos da creche foram totalmente restaurados, um deles recebe os mais novos.
Sabrin Thamer é uma das mães que traz seu filho para a creche. “Estou muito feliz por ter voltado para Baghdeda e nossos filhos voltarem a frequentar a creche”, diz ela. “Damos graças a Deus por todos aqueles que trabalharam tanto e contribuíram para sua reconstrução. Eles ajudaram a dar aos nossos filhos a possibilidade de obter uma educação novamente. ” Como a maioria das famílias daqui, Sabrin fala aramaico.

Em busca de um futuro melhor para as crianças de Baghdeda

Muna Mekhael também traz sua filhinha para a creche, “para que ela possa aprender e ter um futuro melhor. Certamente essa creche é um lugar importante para as crianças desenvolverem sua personalidade ”, explica. Afinal a verdade é que, apesar da tragédia e do trauma por que passaram, as famílias cristãs realmente querem reconstruir suas vidas aqui – e as crianças são o sinal mais claro desse futuro, que em determinado momento não ousaram acreditar.

Irmã Mariam Yako administra o berçário, junto com outra irmã e apoiada por uma equipe de seis outras pessoas. “Estamos gratos à ACN pelo seu apoio e contribuição para a creche da Sagrada Família aqui em Baghdeda, e a todos que ajudaram este centro. Ele é vital para as crianças, para que se possam desenvolver interagindo e trabalhando, juntas umas com as outras. ”

A realidade da população de Baghdeda

A grande maioria da população de Baghdeda é originária da Síria Oriental e mais de 90% deles são católicos. As Irmãs Saint Efrem e a creche são uma grande contribuição para a sensação de segurança destas famílias, que serão obrigadas a emigrar caso não encontrem trabalho ou as infraestruturas necessárias para as suas famílias. Devido à invasão de EI, sua expulsão e o subsequente retorno dos cristãos, as famílias agora têm estruturas diferentes. Geralmente são menores e nem sempre contam com o apoio dos avós ou tios e tias como antes. Por isso é importante que a falta de espaço na creche não impeça que tenham filhos ou permaneçam na cidade.

Muitas crianças da creche nasceram como refugiadas, desabrigadas e deslocadas. Irmã Mariam está convencida de que a creche é um fator chave para superar o trauma sofrido por essas famílias. “Eles vão crescer e, mais tarde, ser uma geração que está ciente e pronta para se apoiar mutuamente. Isso é especialmente importante, dadas as circunstâncias que cada uma dessas crianças teve que viver antes que pudéssemos voltar e abrir esta creche.”

A ACN apoiou a reconstrução de Baghdeda com muitos projetos diferentes que visam ajudar as famílias cristãs a retornar, após a invasão islâmica pelo EI. Assim, em alguns de seus projetos, a instituição facilitou outros aspectos da educação das crianças na região das planícies de Nínive, incluindo a reconstrução de cinco jardins de infância, uma creche e duas escolas.

Você também pode ajudar os cristãos no Iraque a reconstruírem suas vidas. Faça sua doação!

Assista também ao documentário Iraque – Êxodo e veja o que significa ser cristão em uma terra de perseguição.

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