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Terremotos na Venezuela: “A Igreja é mais do que prédios. Estamos com o povo nas ruas”

Publicado em: julho 25th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 2|

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Terremotos na Venezuela continuam mobilizando a Igreja Católica, que permanece ao lado das milhares de vítimas do desastre que atingiu La Guaira e Caracas em 24 de junho. Além do atendimento emergencial, a ACN já confirmou um segundo pacote de ajuda que, segundo sua presidente executiva, será “muito maior do que os 100 mil euros iniciais” enviados logo após os tremores.

Desde os primeiros momentos da tragédia, a Igreja marcou presença nas ruas para acolher, consolar e acompanhar as famílias afetadas. Enquanto as equipes de emergência trabalhavam nos resgates, sacerdotes, religiosos e voluntários ofereceram assistência espiritual e humanitária às comunidades mais atingidas.

Durante uma coletiva de imprensa organizada pela ACN, o arcebispo de Caracas, Dom Raúl Biord, explicou que muitas estruturas da Igreja sofreram danos, mas ressaltou que a missão da instituição permanece firme mesmo diante da destruição.

Terremotos na Venezuela: Igreja leva esperança às ruas

“Como cristãos e como Igreja, estamos presentes nas ruas desde o primeiro dia. Temos mais de 35 igrejas e edifícios eclesiais danificados em La Guaira e Caracas, mas a Igreja é mais do que prédios. Estamos nas ruas, visitando as pessoas, levando consolo aos hospitais, alimentos às tendas e celebrando os sacramentos nas ruas, junto ao povo.”

Como exemplo dessa solidariedade, Dom Biord destacou o trabalho dos seminaristas de Caracas e das dioceses sufragâneas. Segundo ele, eles permanecem diariamente nas ruas, “acompanhando as pessoas nas ruas, os corações partidos daqueles que sofreram tanto”.

Além disso, a Igreja continua distribuindo alimentos, medicamentos e outros itens essenciais, principalmente por meio da Cáritas, considerada uma das instituições mais confiáveis em atuação no país. No entanto, o arcebispo enfatizou que as necessidades da população vão além da ajuda material.

Consolo espiritual faz parte da reconstrução

“Também é importante levar consolo e ajuda espiritual. Existem histórias muito difíceis, e as pessoas ficam agradecidas quando um padre ou diácono chega, porque sentem que Deus se faz presente. Recentemente alguém comentou comigo que, desde o terremoto, até os ateus acreditam em Deus”, afirmou Dom Biord.

Quase um mês após os terremotos na Venezuela, os números oficiais ainda apontam entre quatro e cinco mil mortos. Entretanto, segundo o arcebispo, a dimensão da tragédia é muito maior. Entre 20 mil e 30 mil pessoas continuam desaparecidas, enquanto um número ainda maior perdeu suas casas.

Em cidades como La Guaira, onde grande parte da população depende do turismo e das atividades portuárias, muitas famílias perderam também sua fonte de renda. Assim, mesmo aqueles cujas casas permaneceram de pé enfrentam dificuldades extremas. Além disso, milhares vivem em barracas improvisadas justamente durante o inverno, período marcado por fortes chuvas.

Terremotos na Venezuela: reconstruir vidas vem primeiro

Ao falar sobre a reconstrução, Dom Biord destacou que o cuidado com os sobreviventes deve vir antes das obras físicas.

“Primeiro, precisamos reconstruir vidas e histórias. Depois poderemos reconstruir a infraestrutura, começando pelos hospitais e escolas, porque a vida continua, as crianças precisam voltar às aulas e os doentes precisam ser atendidos. Como Igreja, estamos a serviço do nosso povo para acompanhá-lo na dor e no trauma.”

Ao mesmo tempo, a Igreja reconhece que também precisa cuidar daqueles que permanecem na linha de frente da assistência, entre eles sacerdotes, diáconos, religiosas e voluntários leigos.

Cuidar de quem cuida também é prioridade

“Podemos sentir a catolicidade da Igreja porque somos uma família. Somos uma família para aqueles que perderam suas famílias. Também sentimos a solidariedade daqueles que nos oferecem ajuda concreta, como a ACN. Agora nossa prioridade é ajudar sacerdotes, religiosas, diáconos, ministros da comunhão e todos aqueles que servem diretamente à Igreja, especialmente em La Guaira, que perderam suas casas e familiares. Precisamos cuidar de quem cuida. Eles precisam estar fortes para apoiar aqueles que visitam. Nossa primeira prioridade é sustentá-los com nossa presença.”

Entre as principais missões desses agentes pastorais está ajudar os sobreviventes a enfrentar o luto e as perdas familiares, além de oferecer sepultamentos dignos às vítimas. Contudo, essa tarefa continua extremamente difícil porque muitos corpos permanecem sob aproximadamente 13 andares de escombros.

Apesar da tragédia, Dom Biord acredita que a atuação da Igreja mudou a percepção de muitos setores da sociedade, inclusive do governo, que passou a reconhecer sua capacidade de levar ajuda exatamente onde ela é mais necessária.

Cooperação fortalece a reconstrução

“O Governo permitiu que a Igreja tivesse acesso aos locais afetados e distribuísse ajuda. A Cáritas é reconhecida e respeitada nesse processo e tem grande importância na coordenação da assistência. Podemos receber doações e continuaremos fazendo isso de forma organizada, embora saibamos que a maior responsabilidade pertence ao Estado. Mais do que divisões políticas, precisamos pensar nas vítimas e na reconstrução”, declarou o arcebispo.

O bispo auxiliar de Caracas, Dom Carlos Márquez, também participou da coletiva e resumiu a missão da Igreja neste momento.

“Estamos tentando ser agentes do Céu na Venezuela. Quando as pessoas falam conosco e nos veem ajudando quem sofre, queremos transmitir uma mensagem de esperança e mostrar que Deus não nos abandona. Ele está conosco e caminha conosco. Essa é nossa firme convicção. Procuramos transmitir isso por meio das palavras e das ações. Talvez não consigamos reconstruir edifícios, mas podemos ser as mãos e a voz de Deus para levar esperança ao nosso povo. É isso que estamos tentando fazer.”

ACN anuncia novo pacote de ajuda

Logo após a tragédia, a ACN destinou 100 mil euros para atender às necessidades mais urgentes. Agora, a fundação prepara uma nova etapa de apoio.

A presidente executiva da ACN, Regina Lynch, explicou que uma delegação do departamento de projetos viajará em breve para a Venezuela a fim de ouvir diretamente as necessidades apresentadas pela Igreja local.

“Uma delegação do nosso departamento de projetos viajará em breve para a Venezuela e se reunirá com a Igreja local para ouvi-la. Até lá, eles terão elaborado uma lista de prioridades e será mais fácil anunciar o próximo pacote de ajuda, que certamente será muito maior do que os 100 mil euros iniciais. O apoio será destinado à reconstrução, mas também ao tratamento dos traumas”, explicou.

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