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Nova frente terrorista aprofunda crise humanitária na República Democrática do Congo

Publicado em: julho 2nd, 2026|Categorias: Notícias|Views: 64|

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Apesar do perigo e da ameaça crescente de fome, os missionários que atuam na República Democrática do Congo insistem que não abandonarão seus fiéis. Diante da nova frente terrorista que surgiu no norte do país, eles afirmam que continuam sendo “sinais vivos da presença de Deus”.

Centenas de pessoas deixaram tudo para trás e fugiram de suas aldeias enquanto grupos terroristas ainda não identificados espalham violência pela região de Alto Uele, no norte da República Democrática do Congo.

Relatos enviados à ACN por missionários locais mostram que a situação já provoca uma grave crise humanitária. Como consequência, milhares de moradores buscam refúgio nas principais cidades, que não possuem estrutura suficiente para receber tantos deslocados internos.

Nova frente terrorista surpreende comunidades do norte

Segundo o padre Claudino Gomes, a cidade de Isiro recentemente “acordou com a chegada em massa de deslocados internos”, uma onda de pessoas vindas de “dezenas de aldeias no interior”, algumas das quais percorreram cerca de 125 quilômetros em busca de abrigo.

Além disso, a situação pegou todos de surpresa. Até então, grande parte da população acreditava que os conflitos na República Democrática do Congo permaneciam concentrados no leste do país, especialmente nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

Os relatos de violência são alarmantes. De acordo com o missionário, “em Elimba, a comunidade mais distante da paróquia, os terroristas mataram várias pessoas que trabalhavam na extração artesanal de ouro. A grande aldeia de Ndubala também presenciou violência e morte. Todos se perguntam por quanto tempo essa violência vai durar”.

Solidariedade marca acolhimento dos deslocados

Apesar do medo, as famílias de Isiro reagiram com grande generosidade. Muitas abriram suas casas para acolher os recém-chegados, recebendo entre 10 e 20 pessoas. Ao mesmo tempo, as autoridades organizaram estruturas de apoio, inclusive em escolas, enquanto a Igreja ampliou seu trabalho de assistência.

“Os deslocados foram acolhidos em conventos e em paróquias católicas e protestantes de Isiro”, explica o padre Claudino. “Na paróquia católica de Santa Ana, onde trabalho, estamos recebendo aqueles que precisam de abrigo e também apoiando as famílias que abriram seus corações e suas portas para quem chegou praticamente sem nada. Atualmente, temos 140 pessoas hospedadas conosco e estamos ajudando 40 famílias com arroz e feijão.”

“Quase todos os católicos das 40 comunidades que temos no interior e na savana estão agora em Isiro. Portanto, é natural que os ajudemos de todas as formas possíveis”, afirma. Esse auxílio inclui atendimento médico, acompanhamento pastoral, administração dos sacramentos e apoio emocional.

Fome ameaça população afetada pela nova frente terrorista

“Também oferecemos futebol, catequese e momentos de oração para as crianças. A paróquia de Santa Ana se tornou o lar espiritual de todos os deslocados”, acrescenta o sacerdote.

Entretanto, as necessidades aumentam a cada dia. “A economia local entrou em colapso. Nos campos, as plantações de feijão e amendoim, prontas para a colheita e para o plantio de arroz, foram abandonadas. Todo o gado se perdeu e as casas foram incendiadas. Tudo desapareceu. O fantasma da fome já é visível”, alerta.

Dessa forma, a nova frente terrorista não ameaça apenas a segurança da população. Ela também compromete a produção agrícola e dificulta o acesso a alimentos, aumentando o risco de uma crise de fome em toda a região.

Missionários permanecem ao lado do povo

A ACN recebeu relatos semelhantes de outros missionários. O padre Bienvenu Clemy, também comboniano e responsável pela Paróquia Nossa Senhora dos Aflitos, em Mungbere, afirma que o medo e a incerteza dominam o cotidiano da população.

“Mungbere é uma pequena cidade da província de Alto Uele. Sempre foi um lugar pacífico. No entanto, há cerca de um mês enfrentamos uma situação difícil devido à insegurança causada pelos combates entre as forças armadas e os rebeldes”, explica.

“A maioria das pessoas fugiu, mas nossa comunidade decidiu permanecer ao lado dos pobres, porque há pessoas aqui que não têm família. Por isso, ficamos com elas. O principal desafio é alimentá-las, pois já não podem entrar na mata para cuidar de suas plantações. Estamos tentando administrar a situação, compartilhando o que temos e rezando para que tudo se acalme”, afirma o sacerdote em uma mensagem enviada à ACN.

Igreja reforça esperança em meio à crise

Além disso, o padre Marcelo Oliveira, outro missionário comboniano que atualmente está em Kinshasa, fez um apelo urgente por solidariedade através da ACN.

Segundo ele, os missionários continuarão ao lado da população em todas as circunstâncias. “Deus não abandona o Seu povo, Ele caminha com ele. Por isso, nós, missionários, continuaremos acompanhando as pessoas, apesar da perseguição, mesmo no sofrimento e mesmo quando não tivermos o suficiente. Permaneceremos com o povo. Somos sinais vivos da presença de Deus”, conclui.

Essa presença continua graças ao apoio dos projetos da ACN na região. A fundação financia iniciativas pastorais, como retiros e formação de catequistas, além de contribuir para a sustentação do clero local. Ao mesmo tempo, a ACN convida amigos e benfeitores de todo o mundo a rezarem pela Igreja na República Democrática do Congo durante este período difícil.

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