versão para impressão

Essa é a minha vocação

12 de janeiro de 2021

“Por vezes o amor de Deus segue caminhos impensáveis, mas sempre alcança quem se deixa encontrar”, disse Bento XVI por ocasião da 50º Jornada Mundial de Oração pelas Vocações.

Henry Bukenya, de Uganda, é um desses casos. Ele “se deixou encontrar”, e nada era mais improvável do que isso. Quando Henry nasceu, sua mãe morreu. O pai, que já tinha três outras mulheres e sete filhos, não queria saber dele. Henry foi criado pela avó que o acolheu e o levou para
a igreja. Foi lá que o menino ouviu falar de Nossa Senhora e, aos poucos, começou a preencher o vazio interior: “Maria é minha mãe. Toda vez que eu tinha um problema, eu ia até ela. E assim eu faço até hoje. Ela me acompanha em toda a minha vida.”

Henry passou a frequentar o ‘Clube do Rosário’, um grupo de crianças que se reúnem duas vezes por semana para rezar o Terço. Blythe Kaufmann, a fundadora do ‘Clube’, reparou que Henry rezava “diferente”, com uma dedicação única que não via nos demais e intuiu sua vocação religiosa.

Diferente de outros países, há muitas vocações religiosas em Uganda e, por isso mesmo, a seleção dos seminaristas é rigorosa. A situação familiar de Henry – o pai com as três mulheres – foi uma grande medida para ele não ser admitido no seminário.

Uma vocação mariana

Henry não desistiu: entregou tudo para Nossa Senhora. Não muito tempo depois, Blythe sabendo da situação do menino, falou com o Bispo Jaime Fuentes, do Uruguai, que estava de visita em Uganda. O bispo iniciou uma intensa correspondência com Henry – que então já era um jovem – e reconheceu que ele levava a vocação a sério. Decidiram juntos que Henry fosse estudar Teologia no Uruguai, na diocese de Minas. E novos problemas surgiram: como era o único seminarista da diocese, não conseguiria a formação completa. Mais uma vez Maria o ajudou: Henry foi aceito na Congregação da Sagrada Família e estuda na faculdade de teologia do Uruguai. Seu objetivo agora é terminar os estudos para depois “servir a Deus por toda minha vida, onde quer que Ele me envie, porque essa é minha vocação”.

Henry “se deixou encontrar” e foi conduzido ao Uruguai – um país tão profundamente secularizado que quase poderia ser descrito como ateu ou neopagão. Lá os padres têm dificuldades, principalmente os padres negros. Henry tem consciência disso, por isso reza e estuda. Marcado pelas superações em tantas adversidades da sua vida, Henry ainda precisa de ajuda para custear seus estudos, uma vez que a diocese, pobre, não dá conta. Henry não tem dúvida a quem recorrer: “Santa Maria, sede da sabedoria, rogai por mim.”

A ACN com seus benfeitores será a Providência de Deus na vida do jovem de Uganda rumo ao sacerdócio.

Leave A Comment