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Cristãos de Yaroun temem nunca mais voltar para casa no sul do Líbano

Publicado em: maio 18th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 28|

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Os moradores vivem dias de medo e incerteza no sul do Líbano. Os Cristãos de Yaroun, cidade localizada na fronteira com Israel, acreditam que talvez nunca consigam retornar à terra de seus antepassados. O padre Charles Naddaf, pároco da igreja greco-católica melquita local, relatou à ACN o sofrimento enfrentado pela população desde o agravamento do conflito na região.

“Yaroun está profundamente ferida”, afirma o padre Naddaf, da Paróquia de São Jorge. Em 1º de maio de 2026, ataques destruíram o salão paroquial, que funcionava como igreja provisória. Além disso, os bombardeios atingiram o centro juvenil da paróquia, o convento das Irmãs Salvatorianas Basilianas Melquitas e a escola administrada pelas religiosas, que acolhia crianças da cidade e das áreas vizinhas, independentemente da religião.

Embora o cessar-fogo firmado em 17 de abril de 2026 continue oficialmente em vigor, a tensão permanece alta no sul do Líbano. Os confrontos continuam e impedem o acesso a Yaroun, dificultando uma avaliação completa dos estragos. “Esta é, sem dúvida, uma das maiores catástrofes que esta comunidade já sofreu”, declarou o sacerdote à ACN.

Cidade sofre ataques e destruição desde 2023

Yaroun possui maioria muçulmana xiita, mas mantém uma histórica presença cristã melquita. Como a cidade fica muito próxima da fronteira israelense, ataques atingem a região repetidamente desde outubro de 2023. Em 9 de outubro daquele ano, toda a população deixou a cidade pela primeira vez.

Nos primeiros meses do conflito, bombardeios destruíram a igreja paroquial de São Jorge e diversas casas de cristãos e muçulmanos. Além disso, grande parte da infraestrutura urbana sofreu danos severos. Depois do cessar-fogo de 27 de novembro de 2024, novos ataques provocaram outra onda de destruição sistemática. Muitas casas ficaram em ruínas e até a grande estátua de São Jorge, localizada na parte oeste da cidade, foi demolida.

Com a reabertura gradual dos acessos, 15 famílias cristãs de Yaroun, retornaram para suas casas porque ainda permaneciam de pé. Elas realizaram reparos emergenciais, adaptaram o salão paroquial como capela temporária e retomaram as celebrações da Eucaristia. No entanto, os confrontos recomeçaram pouco tempo depois e destruíram novamente a esperança dos moradores.

Cristãos de Yaroun vivem deslocamento e incerteza

Em 2 de março de 2026, “todos os fiéis abandonaram Yaroun”, relata o padre Naddaf. As famílias buscaram abrigo em Rmeich, Aïn Ebel, no distrito de Bint Jbeil, além de outras cidades da região do Monte Líbano. Enquanto isso, muitas pessoas vivem sem recursos e enfrentam dificuldades para reconstruir a rotina.

“Desde o início da guerra, as famílias foram deslocadas, em grande parte desamparadas e vivendo na incerteza”, explica o sacerdote, que atualmente mora no mosteiro maronita da Anunciação, em Rmeich. Segundo ele, além da crise humanitária, os deslocados sofrem forte desgaste emocional e espiritual.

Mais do que a destruição da cidade, os Cristãos de Yaroun temem pelo futuro da presença cristã no sul do Líbano. “Os cristãos deslocados não escolheram esta guerra. Tudo o que pedem é poder voltar para suas casas, viver em paz com todos e permanecer na terra de seus antepassados”, afirma o padre Naddaf. Para ele, somente a paz e a segurança permitirão que as famílias reconstruam suas vidas e mantenham viva a história da comunidade.

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