ACN

Camarões: visita do Papa reacende esperança de paz

Publicado em: abril 15th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 21|

Compartilhar

Enquanto o Papa Leão XIV se prepara para visitar Camarões nos dias 15 e 16 de abril, a ACN ouviu o bispo Emmanuel Dassi, de Bafia, sobre a realidade da Igreja local, seu papel social e político e os desafios enfrentados pelo país, especialmente na região anglófona, marcada por conflitos.

Em entrevista à ACN, o bispo camaronês afirmou que a visita do Papa Leão XIV pode ser um sinal de paz e destacou o crescimento da Igreja apesar da violência e dos desafios pastorais.

Como o senhor descreveria a Igreja nos Camarões que o Papa Leão XIV irá visitar?

A nossa é uma Igreja vibrante e dinâmica! Celebramos muitos batismos, e também há um número significativo de vocações sacerdotais. Na minha diocese, tenho 77 padres e 30 seminaristas, então não estou muito preocupado com o futuro. Além disso, recebi pedidos para abrir dez novas paróquias em um futuro próximo. Isso demonstra o crescimento da nossa Igreja, embora eu não saiba se teremos recursos para atender favoravelmente a todas essas solicitações. Enfrentamos dificuldades para estar presentes onde somos necessários, especialmente nas áreas rurais. Alguns fiéis percorrem quilômetros de motocicleta apenas para participar da Missa dominical!

Do ponto de vista social, a Igreja desempenha um papel importante?

Certamente! Obviamente, por meio de escolas e hospitais católicos, mas também ao garantir que a Igreja tenha voz em muitas questões. Em relação à família, em particular, os jovens têm dificuldade em assumir o compromisso do matrimônio, seja pela Igreja ou conforme a tradição. Muitos optam por viver juntos sem um compromisso definitivo. Isso ocorre por influência da sociedade moderna, mas também por causa do costume do dote. Em nossa cultura, o noivo deve oferecer um valor à família da noiva para obter sua mão. Por isso, enfatizamos a importância do Sacramento do Matrimônio, que deve ter prioridade sobre essas considerações.

A Igreja também desempenha um papel na política de Camarões?

De certa forma, um papel de observadora. Durante as eleições do ano passado, a Conferência Episcopal alertou os candidatos sobre os desafios que enfrentariam. Da mesma forma, a Comissão de Justiça e Paz dos Camarões organizou a observação eleitoral para alertar os cidadãos sobre os riscos de fraude. Infelizmente, recebemos credenciamento para realizar esse trabalho em apenas um terço das seções eleitorais do país. Nossos observadores identificaram várias irregularidades, mas não temos dados suficientes para afirmar que o novo governo seja ilegítimo.

O clero camaronês também atua como mediador no conflito na região anglófona?

Somos os únicos atores locais que desfrutam de certo grau de credibilidade junto a ambos os lados. Desde que a violência eclodiu entre separatistas e forças de segurança em 2017, nunca hesitamos em criticar as falhas do governo e mantemos presença nas áreas disputadas. O clero paga um preço alto! Padres e bispos são frequentemente sequestrados. Até mesmo o cardeal Tumi — que descanse em paz — foi sequestrado, transportado como um pacote em uma motocicleta e mantido por dois dias na selva, apesar de ter 90 anos na época.

O conflito continua, embora felizmente não seja tão violento quanto antes. Acredito que a visita do Papa Leão XIV faz parte desse trabalho de construção da paz realizado pela Igreja.

De que forma?

Essa visita papal é um sinal de paz. Na quinta-feira, 16 de abril, ele viajará para Bamenda, o epicentro da crise separatista anglófona. Estradas que haviam se tornado intransitáveis por causa de grupos armados locais foram reabertas. Empresas anteriormente se recusavam a fazer manutenção, pois suas máquinas eram incendiadas! Nos últimos meses, elas ajudaram a reativar a cidade. O avião do Papa inclusive pousará no aeroporto local, que estava fora de operação há anos devido ao conflito. Isso mostra que líderes locais aceitaram uma trégua e iniciaram conversas com o governo. Talvez este seja o início de um caminho rumo à paz?

O senhor não está sendo otimista demais?

Lembre-se do que disse o anjo Gabriel a Maria: “Porque para Deus nada é impossível.” Tudo é possível com Deus… Os separatistas deram um passo na direção certa ao facilitar essa visita; agora, espero que o governo avance rumo a uma abertura democrática.

Eco do Amor

última edição

Artigos de interesse

Igreja pelo mundo

Deixe um comentário

Ir ao Topo