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Ataques na Nigéria marcam o início de 2026 com 50 mortos

Publicado em: janeiro 6th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 434|

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Ataques na Nigéria marcaram o início de 2026 com violência extrema na Diocese Católica de Kontagora. Assim como o medo dominou os últimos dias de 2025, os primeiros dias do novo ano registram novos episódios de derramamento de sangue. Entre eles, destaca-se o massacre de 42 homens na vila de Kasuwan Daji, próxima a Papiri . No local criminosos sequestraram mais de 200 estudantes em novembro.

Diante desse cenário, a ACN manifestou profunda preocupação e condenou de forma enfática a nova onda de ataques violentos registrados no norte do estado de Níger e no sul do estado de Kebbi, na Nigéria.

Segundo um relatório enviado à ACN pela Diocese Católica de Kontagora, assinado pelo bispo Bulus Dauwa Yohanna, grupos armados mataram 50 pessoas durante uma série de ataques ocorridos entre 28 de dezembro de 2025 e 3 de janeiro de 2026, culminando no massacre em Kasuwan Daji.

Ataques na Nigéria avançam por vilarejos e deixam rastro de destruição

De acordo com informações recebidas pela ACN, em 28 de dezembro de 2025, bandidos fortemente armados, cerca de 30 motocicletas com dois homens cada, “saíram de seu esconderijo na Reserva de Caça de Borgu” e atravessaram diversas comunidades da região.

Na sequência, o grupo seguiu para Kaiwa, onde “matou cinco pessoas e incendiou casas e depósitos de grãos”. Logo depois, avançou para a vila de Gebe, onde “matou mais duas pessoas”, ampliando o clima de terror entre os moradores.

Já na noite de 1º de janeiro de 2026, segundo o bispo Yohanna, os bandidos “passaram novamente por Shafaci e queimaram documentos na delegacia de polícia antes de passar a noite no mato”.

Igreja atacada e comunidades saqueadas no início de janeiro

Na manhã de 2 de janeiro de 2026, por volta das 10h, os atacantes “invadiram o complexo da Igreja Católica em Sokonbora e destruíram um crucifixo, imagens da Via-Sacra e instrumentos musicais”. Além disso, “roubaram duas motocicletas, telefones celulares e dinheiro”.

Em seguida, os criminosos ocuparam “um assentamento próximo” do grupo étnico Kambari. No local, permaneceram até o dia seguinte, “comendo as galinhas e cabras do povo”, segundo o relato enviado à ACN.

No início da noite de 3 de janeiro de 2026, os bandidos “deixaram o assentamento Kambari perto de Sokonbora e entraram na vila de Kasuwan Daji, a cerca de oito quilômetros de distância”, dando início ao episódio mais violento da sequência de ataques.

Massacre em Kasuwan Daji intensifica os ataques na Nigéria

Kasuwan Daji é descrita como “uma pequena vila com um grande mercado às quartas-feiras”. Segundo o relato, os atacantes “incendiaram o mercado e as casas ao redor, massacrando 42 homens após amarrarem seus braços para trás”.

As vítimas eram todas homens, “tanto cristãos quanto muçulmanos”. Além disso, os criminosos “sequestraram um número desconhecido de mulheres e crianças”, ampliando ainda mais o impacto da tragédia.

O incêndio foi “tão intenso que a fumaça podia ser vista a 15 quilômetros de distância, em Papiri”, evidenciando a dimensão da destruição causada pelos ataques.

População foge e crianças libertadas voltam a viver sob terror

O relatório afirma que os bandidos vinham “circulando livremente pela parte norte da área do governo local de Borgu, no estado de Níger, e pela parte sul da área do governo local de Shanga, no estado de Kebbi, sem serem confrontados pelas forças de segurança”.

Como consequência, o medo se espalhou rapidamente, provocando deslocamentos em massa. Muitas famílias abandonaram suas casas e meios de subsistência em busca de segurança.

A situação das crianças de Papiri preocupa de forma especial. Criminosos as haviam libertado recentemente do cativeiro, mas os traumas das vítimas aumentaram, pois elas precisam se esconder no mato com suas famílias sempre que surgem relatos de que os bandidos rondam a região, tanto de dia quanto de noite.

Rumores, apelo do bispo e pedido de ação imediata

Após os ataques, surgiram diversos rumores entre a população. Alguns relatos afirmaram que crianças sequestradas seriam sobreviventes do sequestro em massa de Papiri. Outros disseram que os cristãos teriam sido a maioria das vítimas. No entanto, fontes da ACN informam que ambas as alegações seguem sem confirmação.

Em comunicado oficial, o bispo Bulus Dauwa Yohanna pediu intervenção imediata do governo. Ele afirmou que, “enquanto o Estado não eliminar os bandidos e seus esconderijos na Reserva de Caça de Kainji, o país precisará urgentemente de uma grande e bem equipada força-tarefa militar, que tenha capacidade e autorização para perseguir, enfrentar e eliminar os bandidos sempre que eles voltarem a sair da Reserva”.

Segundo o bispo, sem essa resposta, “haverá perda de vidas em grande escala e contínua, além do deslocamento permanente de um grande número de pessoas”.

Condenação da violência e apelo por união entre comunidades

Em uma mensagem de condolências separada, também recebida ACN, o bispo expressou sua “profunda tristeza” pelas 42 vidas inocentes perdidas, “cristãos e muçulmanos igualmente”.

Então ele condenou esse “ato de violência insensato, bárbaro e desumano”, que representa uma “grave violação da sacralidade da vida humana e da dignidade humana”. Além disso, pediu orações pelo descanso eterno das vítimas, pela cura dos feridos e pelo consolo das famílias enlutadas.

Por fim, o bispo apelou às comunidades Kambari, Bussawa (Borgawa), Fulani e Hausa para que “não vejam uns aos outros como inimigos, mas permaneçam unidos na rejeição da violência em todas as suas formas e juntos enfrentem nosso inimigo comum, os bandidos”.

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