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Bispos latino-americanos aguardam visita do Papa Leão XIV

Publicado em: outubro 22nd, 2026|Categorias: Notícias|Views: 11|

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Os bispos latino-americanos do Uruguai, da Argentina e do Peru estão entusiasmados com a próxima visita do Papa Leão XIV, programada para 6 a 17 de novembro. Apesar das diferentes realidades e dos desafios enfrentados pela Igreja em cada país, os prelados compartilham a alegria pela chegada do Pontífice e a preocupação com sua saúde.

Durante a viagem, Leão XIV visitará três países e dez cidades. O roteiro começará pelo Uruguai, de onde seguirá para a Argentina em 8 de novembro. De 11 a 16 de novembro, estará no Peru, antes de retornar a Roma no dia 17.

Em uma conferência on-line organizada pela ACN, três bispos, um de cada país visitado, apresentaram as realidades locais e os desafios que o Papa encontrará.

Bispos latino-americanos destacam a secularização no Uruguai

O cardeal Daniel Sturla, arcebispo de Montevidéu, explicou que o Uruguai se diferencia do restante da América Latina por ser o país mais secularizado da região.

“Durante o último século, desde 1929, o Uruguai passou por um período de forte secularização. Apenas 33% dos 3,5 milhões de habitantes do país se identificam como católicos, 28% acreditam em Deus, mas não pertencem a uma igreja específica, e outros 28% são agnósticos ou ateus. Os 11% restantes afirmam pertencer a outra religião.”

Essa realidade também transformou as tradições locais. “Por exemplo, mantivemos as celebrações cristãs, mas demos a elas outros nomes. O Natal é o Dia da Família, e a Páscoa é a Semana do Turismo.”

Igreja uruguaia mantém sua missão em um ambiente secularizado

Nesse contexto, afirmou o cardeal, “a Igreja tem liberdade para atuar, mas ocupa um lugar secundário. Nossa Igreja é pobre e pequena, mas livre e bonita. Ser padre aqui é prestar um serviço com humildade. Não há prestígio associado a essa função, o que permite ao sacerdote levar uma vida normal e se dedicar às suas tarefas”.

Apesar desses desafios, a Igreja mantém o diálogo com as autoridades e se prepara para receber o Pontífice. “Esperamos o Papa com muita esperança e amor, e cooperamos estreitamente com o Estado”, declarou o cardeal durante a conferência da ACN.

Argentina prepara grandes encontros com os jovens

Embora o Papa Francisco fosse argentino, o país não recebe uma visita papal há quase 30 anos. Por isso, a expectativa em torno da chegada de Leão XIV mobiliza a Igreja local.

O bispo auxiliar Alejandro Musolino, de Córdoba, afirmou que a Igreja espera reunir um grande número de jovens e deseja oferecer a eles as melhores oportunidades para encontrar o Pontífice.

“Acabamos de realizar a 52ª peregrinação juvenil a Nossa Senhora de Luján, no primeiro fim de semana de outubro, com a participação de cerca de 2,8 milhões de pessoas. Precisamos possibilitar que todos os jovens encontrem o Papa. Por isso, estamos organizando três grandes missas ao ar livre: uma em Buenos Aires, outra em Córdoba e uma terceira em Luján.

Jovens encontram na fé um propósito para a vida

O bispo, que também integra a Comissão Episcopal Nacional para a Juventude, percebe sinais positivos entre os jovens. Segundo ele, muitos já não encontram respostas na globalização ou nas redes sociais e procuram um propósito para a vida e para a fé.

“Durante a pandemia, chegamos ao fundo do poço em muitos aspectos, inclusive na saúde mental dos jovens. Hoje, a força espiritual é uma fonte de esperança. Acima de tudo, o fato de a Igreja ter criado espaços nos quais os jovens podem assumir a liderança parece ter ajudado a fazê-los sentir que pertencem a uma comunidade, que suas vozes importam, que suas ações fazem a diferença e que o espírito missionário é vital. Esses parecem ser aspectos fundamentais que estão ganhando destaque, e queremos continuar cultivando-os para que floresçam.”

A Argentina tem quase 46 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 63% são católicos.

No Peru, o Papa será recebido como alguém da família

A maior expectativa talvez esteja em Chiclayo, diocese da qual Leão XIV foi bispo durante oito anos, enquanto vivia no Peru. Seu sucessor, dom Edinson Farfán, reconhece que a Igreja peruana enfrenta desafios diferentes daqueles encontrados no Uruguai e na Argentina.

“Ele está voltando para casa quando vier ao Peru. Não precisamos apresentar o país a ele, pois conhece tudo sobre a Igreja peruana”, declarou o bispo durante a conferência da ACN.

Dom Farfán acredita que o Pontífice está preparado para abordar os problemas de um país onde quase 80% dos 35 milhões de habitantes se identificam como católicos.

Comunhão e diálogo estão entre as prioridades do pontífice

“A primeira coisa que ele fará será transmitir uma mensagem de comunhão, construindo pontes, promovendo o diálogo e o encontro. Esse será um dos temas mais importantes. Em todos os seus discursos, ele falará sobre comunhão e, como um bom agostiniano, fundamentará essa mensagem no mistério trinitário.”

Além disso, o Papa falará sobre a Amazônia. Segundo dom Farfán, Leão XIV será o primeiro Pontífice a celebrar uma missa na Amazônia peruana.

“A paz também é um tema muito importante para ele, e incentivará todos nós a trabalhar por ela. Além disso, abordará os problemas do país, como o combate à corrupção e ao crime organizado, bem como os esforços para fortalecer a democracia”, concluiu o bispo.

Saúde do Papa é prioridade para os bispos

Leão XIV acaba de passar por uma cirurgia para remover um nódulo maligno no pulmão. O Vaticano informou que a viagem à América Latina continua nos planos. Mesmo assim, os bispos que participaram da conferência ressaltaram que a saúde do Pontífice deve vir em primeiro lugar.

“Esperamos esta visita com muita esperança e alegria. Desejamos que o Papa se sinta melhor em breve, rezamos por sua rápida recuperação e esperamos que ele aproveite a visita, porque nós vamos aproveitar sua presença aqui”, afirmou o bispo auxiliar de Córdoba.

Ele também destacou o desejo de que o encontro fortaleça a fé dos católicos argentinos. “Mas também queremos que ele se sinta bem conosco, que nos confirme na fé. Para isso, queremos que venha com boa saúde e quando se sentir preparado.”

América Latina reúne uma comunidade católica vibrante

O continente que Leão XIV visitará está entre as regiões de maior vitalidade do catolicismo na atualidade. Durante a coletiva de imprensa, Luis Vildoso, diretor de projetos da ACN para a América Latina, apresentou dados que ajudam a compreender a importância da viagem.

“Cerca de 48% dos católicos do mundo vivem nas Américas. Essa região também possui 72 territórios de missão, número superior ao de qualquer outra região onde a Igreja está presente. Desse total, 18 estão concentrados em um único país: o Peru, que conta com dez prelazias territoriais e oito vicariatos apostólicos.”

Vildoso também destacou a proporção entre sacerdotes e fiéis, que evidencia os desafios pastorais da região. Na América Latina, cada padre precisa acompanhar, em média, 7.500 católicos. Na África, outro continente em que a Igreja vive um grande florescimento, essa proporção é menor, assim como nos Estados Unidos.

Grandes distâncias dificultam o trabalho pastoral

Em alguns países, a realidade exige ainda mais dos sacerdotes. Em Cuba, cada padre acompanha, em média, 20 mil fiéis; em Honduras, são 14 mil. Além disso, as grandes distâncias, os vastos territórios, a região andina, a Amazônia e as grandes cidades tornam o trabalho pastoral ainda mais desafiador.

“Tudo isso nos leva a reconhecer que esta continua sendo uma região prioritária. A Igreja na América Latina tem um papel crucial a desempenhar e uma contribuição vital a oferecer à Igreja universal”, explicou Vildoso.

ACN destinou muita ajuda para a região

Entre 2021 e outubro de 2026, a ACN destinou ajuda para apoiar a Igreja no Peru, na Argentina e no Uruguai.

Nesse período, a fundação financiou 903 projetos pastorais. Os recursos ajudaram a manter sacerdotes e religiosos, promover programas de formação, construir e reformar estruturas da Igreja, oferecer auxílio para a celebração de missas e distribuir literatura religiosa.

A instituição também financiou meios de transporte para facilitar o trabalho pastoral, especialmente nas regiões mais distantes. Do total investido, parte foi destinada ao Peru, parte à Argentina e outra para o Uruguai. Dessa forma, a ACN contribui para fortalecer a missão da Igreja em algumas das regiões mais vulneráveis e remotas desses países.

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