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Retirada do Exército libanês: cristãos no sul em alerta

Publicado em: abril 2nd, 2026|Categorias: Notícias|Views: 11|

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Diante da retirada do Exército libanês do sul do país, cristãos profundamente ligados à sua terra expressam crescente preocupação com o futuro e com os impactos que essa mudança pode trazer para a segurança da região.

Quatro municípios cristãos no sul do Líbano —Alma Sha’b, Rmeich, Debel e Aïn Ebel — manifestaram sua “profunda preocupação” com o início da retirada do Exército libanês de diversas localidades fronteiriças, o que pode ter “graves repercussões de segurança”, em um comunicado publicado em 31 de março de 2026. Os signatários afirmam estar determinados a permanecer em suas terras, “apesar de todas as circunstâncias”, e fazem um apelo ao Estado libanês, às agências especializadas das Nações Unidas e às organizações humanitárias internacionais.

O padre Maroun Youssef Ghafari, pároco de Alma Sha’b, falou à ACN, confirmando esses temores e descrevendo como seus paroquianos, deslocados por todo o país, se esforçam para manter a esperança enquanto buscam suprir suas necessidades materiais e espirituais.

Como pároco de Alma Sha’b, como o senhor reage ao alerta feito pelos municípios de Alma Sha’b, Rmeich, Debel e Aïn Ebel?

A retirada abre caminho para um futuro desconhecido e uma situação extremamente perigosa, especialmente porque, até agora, o Exército libanês vinha escoltando comboios de ajuda destinados a essas aldeias. Além disso, autoridades israelenses declaram diariamente que permanecerão no Líbano até que o Hezbollah seja desarmado e que destruirão as aldeias da linha de frente. No entanto, as aldeias ainda habitadas são cristãs, e seus moradores são pacíficos. Os habitantes de Rmeich e Aïn Ebel estão determinados a permanecer em suas terras, mesmo que precisem “comer a terra”, como afirmou o pároco de Rmeich na televisão em 31 de março.

Os cristãos são ligados à sua terra e ao seu Estado. Infelizmente, esse apego à “terra da mensagem” — terra visitada por Cristo, pela Virgem Maria e pelos Apóstolos — parece exigir a entrega de si mesmo e o testemunho de sangue, como aconteceu com meu irmão Sami, bem como com o padre Pierre Raï, pároco de Qlayaa. Três jovens cristãos maronitas de Aïn Ebel também foram mortos por bombardeios em 12 de março, e outros dois cristãos de Debel, um pai e seu filho, foram mortos a tiros na estrada.

Onde o senhor e seus paroquianos estão. Como é o cotidiano de vocês?

Todos os habitantes da paróquia e da aldeia foram obrigados a deixar Alma Sha’b em 10 de março. Eles estão dispersos por todo o país. Apenas um pequeno número de famílias foi para centros de acolhimento. Juntamente com o conselho paroquial, o município de Alma Sha’b e a célula de crise, conseguimos localizar todos. Procuramos manter contato com eles e atender às suas necessidades urgentes, dentro de nossos recursos muito limitados. Mas Deus não abandona seus filhos. Aquele que alimenta as aves do céu e veste os lírios do campo, também cuida de nós, seus filhos, por meio de sua providência.

Pessoalmente, estou em Aaraya, a leste de Beirute. No entanto, após perder meu irmão diante dos meus próprios olhos, tento reunir forças em todos os níveis. Sou sacerdote e servo da comunidade que me foi confiada, mas também sou humano: me alegro com os que se alegram e choro com os que choram. Hoje, enquanto vivemos a Semana da Paixão, repito: “Minha alma está triste”, ecoando as palavras do Senhor Jesus no Jardim das Oliveiras. O próprio Jesus chorou diante do túmulo de seu amigo Lázaro, profundamente comovido… este é o meu estado hoje.

Diante disso, como o povo está vivendo a proximidade da Páscoa?

Desde a guerra de 2023, tomei a iniciativa de enviar, todas as manhãs, uma meditação baseada na Palavra de Deus pelas redes sociais. Continuo fazendo isso, com ênfase nas dimensões espiritual, social e moral. Além disso, permanecemos atentos às necessidades de cada pessoa: alguns hesitam em se manifestar, enquanto outros o fazem espontaneamente.

Quanto à Semana Santa, decidimos, junto ao conselho paroquial, que os fiéis participarão das celebrações nas paróquias onde atualmente residem. No ano passado, apesar da destruição, a igreja de Alma Sha’b estava cheia. Neste ano, o encontro será limitado à noite de sábado, na igreja de Santo Antônio, o Grande, em Jdeidé el-Metn, nos arredores da capital. Nossa situação se assemelha à do povo fiel no Antigo Testamento. Resta-nos cantar com o salmista: “Quão amáveis são as vossas moradas, Senhor dos Exércitos. Minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor.”

Que mensagem o senhor deixa aos benfeitores da ACN?

Obrigado à ACN pela atenção dedicada à situação e a nós, como população deslocada. Todos nos apegamos à esperança de que a cruz que carregamos se torne uma ponte para uma ressurreição cujo tempo desconhecemos. Mas a ressurreição virá. Temos um testemunho a dar. Cristo ressuscitou; ressuscitou verdadeiramente.

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