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Novos Herodes e Pilatos

5 de março de 2021

Enquanto lhes escrevo, estou pensando no Crucificado, que domina este tempo de Quaresma em preparação para a Páscoa da Ressurreição. Meus pensamentos também vão para o estado de espírito dos apóstolos. Eles viram na morte do Senhor uma autêntica catástrofe: uma derrota total que dificilmente poderia salvaguardar o ensinamento, a ação e o prestígio de seu Mestre. Tinham colocado nEle todas as esperanças; por Ele tinham abandonado a casa, o trabalho, os amigos; nEle tinham orientado toda a sua vida. Deixaram tudo, e perderam tudo!

A jovem Igreja, com a sabedoria que lhe foi dada em Pentecostes, logo compreendeu que todo o ocorrido em Jerusalém fazia parte do plano vitorioso de Deus: “De fato, se uniram nesta cidade contra o vosso santo servo Jesus, que ungistes, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações e com o povo de Israel” (At 4,27).

Também hoje somos testemunhas da ação planejada de novos Herodes e novos Pilatos, que desenvolvem suas estratégias para fazer mais violência contra Jesus. Isso acontece com leis que, direta ou indiretamente, tentam sufocar a voz do divino Mestre e a natureza missionária cristã na sociedade. Querem assim arrancar as raízes da civilização cristã. E para conseguir isso, se servem de organizações internacionais, ocupam posições estratégicas e induzem ao erro não poucas pessoas que não percebem as estratégias e se deixam enganar por discursos aparentemente positivos e fascinantes para a construção de um “mundo melhor”.

Aproximar nossa vida ao Evangelho

Apesar de todas as dificuldades, nunca devemos desanimar. Lembremo-nos de que o Ressuscitado é o mesmo que foi pregado na cruz. Diante de qualquer desafio, devemos seguir em frente, vivendo radicalmente o nosso batismo. Ou seja, vejamos as situações e os acontecimentos deste mundo com os olhos de Deus, mesmo que o mundo queira nos “impor” a sua mentalidade. Porque o Seu olhar não é uma opinião, mas é a Verdade – sobre a vida, a família, a Igreja, o uso dos bens da terra, a atenção ativa para com os pobres e os que sofrem, enfim, a capacidade de amar a todos. Esta Quaresma é uma chance de aproximar a nossa vida à vida que Ele nos propõe no seu Evangelho.

Assim, com esses propósitos lhes desejo uma fecunda caminhada pascal sob a proteção da Santa Virgem Maria, que está sempre ao nosso lado como Mãe amorosa e providente. Contem com a minha oração.

Card. Mauro Piacenza
Presidente Internacional da ACN

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