//Igrejas unidas pela reconstrução de Nínive

Igrejas unidas pela reconstrução de Nínive

2018-05-11T13:21:07+00:00março 30th, 2017|Notícias|

O bispo católico sírio, o bispo católico caldeu e dois bispos ortodoxos sírios assinaram um acordo em Erbil, no Curdistão iraquiano, para ajudar os cristãos a reconstruírem suas casas, destruídas pelo grupo autodenominado Estado Islâmico (EI) em 2014. Foi criado o Comitê de Reconstrução de Nínive (NRC).

A ideia não pode mais ser ignorada como um simples sonho – a esperança dos milhares de cristãos iraquianos que foram expulsos de suas aldeias há três anos pelas incursões criminais do grupo EI – que eles possam um dia retornarem às suas casas na Planície de Nínive. No dia 27 de março de 2017, nos escritórios da arquidiocese da Igreja Católica Caldéia em Erbil, um acordo foi assinado entre três igrejas cristãs do Iraque – a Igreja Católica Siría, a Igreja Ortodoxa Siría e a Igreja Católica Caldeia – formalmente estabelecendo o Comitê de Reconstrução de Nínive (NRC), órgão encarregado de planejar e supervisionar um programa de reconstrução das casas dos habitantes cristãos. O Comitê é composto por seis membros escolhidos entre as três igrejas acima mencionadas (dois representantes de cada) e de três peritos externos sugeridos pela ACN – Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, que se ocuparão da advocacia e angariação de fundos.

Uma avaliação profissional concluída pela ACN calculou que mais de 12.000 casas precisam ser reconstruídas – aquelas que foram queimadas, destruídas ou parcialmente danificadas pelo grupo EI – e que o custo desta operação deverá ser superior a 200 milhões de euros. Os fundos arrecadados serão alocados a cada Igreja em proporção ao número de casas danificadas dentro de sua comunidade, conforme calculado pela avaliação profissional.

Após a cerimônia de assinatura, Dom Timóteo Mosa Alshamany, Arcebispo da Igreja Ortodoxa Siríaca de Antioquia e Prior do Mosteiro de São Mateus, sublinhou a dupla importância histórica da iniciativa – por um lado, o espírito ecumênico que tornou isso possível e, por outro lado, a possibilidade real de milhares de cristãos retornarem às suas raízes ancestrais e a uma vida digna. “Hoje”, disse ele, “somos verdadeiramente uma Igreja unida – Ortodoxa Síria, Caldeia e Católica Síria – unidas no trabalho de reconstruir essas casas nas planícies de Nínive e em restaurar a esperança nos corações dos habitantes destas vilas e convidar aqueles que as deixaram a retornar”. O arcebispo agradeceu o papel importante da ACN no desenvolvimento desta iniciativa: “Agradecemos à ACN, que nos ajudou tanto no passado, prestando auxílio e doando alimentos. Agora, esta Obra está desempenhando um papel crucial na reconstrução de nossas casas”.

O fato do princípio de unidade e de falar com “uma só voz” ter prevalecido é fonte de grande satisfação para o Padre Andrzej Halemba, responsável pelo departamento de projetos do Oriente Médio da Fundação. A ACN acompanhará de perto o trabalho da comissão, embora apenas na fase inicial. Nas fases subsequentes, a ACN se limitará a procurar as possíveis fontes de financiamento, sobretudo entre os principais benfeitores internacionais. Disse Padre Halemba, visivelmente satisfeito com a assinatura do acordo: “Não fizemos este projeto por dinheiro. Estamos fazendo isso para garantir que os cristãos possam permanecer no Iraque. Estamos trabalhando para Deus”.

Falando sobre a unidade entre as igrejas cristãs, o Arcebispo Católico Sírio, Dom Yohanna Petros Mouche, de Mossul, também enfatizou: “Gostaria de convidar os cristãos das planícies de Nínive a voltarem para suas casas e a retornarem às suas vidas em suas aldeias, para testemunhar o Cristianismo. Hoje nos unimos para demonstrar que estamos unidos no nosso desejo de acelerar esta operação o mais rapidamente possível e para que ela possa começar imediatamente”.

A coragem das três igrejas cristãs em dar este passo ousado, corresponde à coragem dos cristãos que decidiram permanecer no Iraque durante a invasão do grupo EI. Isso foi expresso pelo Bispo Católico Caldeu Dom Mikha Pola Maqdassi, da diocese de Alqosh, que declarou: “Hoje temos dado o nosso acordo para a reconstrução das casas em nossas aldeias em ruínas. Este é um corajoso avanço que nos dá grande alegria e encoraja os cristãos a permanecerem nas suas aldeias e no seu próprio país”.

O Bispo Ortodoxo Sirío e Metropolita Dom Nicodemos Daoud Matti Sharaf, de Mossul, Kirkuk e do Curdistão dirigiu um apelo a todos os benfeitores internacionais: “Nós somos as raízes do cristianismo. Devemos permanecer no nosso país. Devemos permanecer como testemunhas de Jesus Cristo neste país, no Iraque e especialmente nas Planícies de Nínive. Esta tarefa de reconstruir todas as casas nas aldeias onde grupo EI destruiu tudo é realmente um enorme desafio. Agradeço antecipadamente a todos aqueles que nos ajudarão”.

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