“Mais uma vez a justiça foi derrotada e, mais uma vez, nosso Estado se mostrou incapaz de tratar os cristãos como cidadãos paquistaneses”, disse Nagheena Younus à ACN após a audiência desta manhã, envolvendo a filha Huma – a menina católica sequestrada no Paquistão – no Tribunal Superior de Sindh, em Karachi.

Os dois juízes presidentes da Suprema Corte, Muhammad Iqbal Kalhoro e Irshad Ali Shah, decidiram que, mesmo que Huma fosse de menor, o casamento entre a menina cristã e seu sequestrador Abdul Jabbar ainda seria válido. Eles alegam que, segundo a lei islâmica (Sharia), uma vez que menina de qualquer idade teve seu primeiro ciclo, ela pode se casar. Portanto, a Lei de Restrição ao Casamento Infantil – que foi adotada em 2014, mas nunca aplicada – não tem nenhuma consequência. “Esperávamos que a lei pudesse ter sido aplicada pela primeira vez neste caso”, disse a advogada Tabassum Yousaf. “Mas, evidentemente, no Paquistão essas leis são formuladas e aprovadas apenas para melhorar a imagem do país diante da comunidade internacional, solicitar fundos de desenvolvimento e negociar livremente produtos paquistaneses no mercado europeu”.

Menina católica sequestrada no Paquistão

A menina católica de 14 anos foi sequestrada em 10 de outubro de 2019 e forçada a se converter ao Islã. Seus pais e a comunidade cristã tinham grandes expectativas em relação à audiência de hoje. Huma deveria comparecer ao tribunal de acordo com o pedido feito ao policial Akhtar Hussain pelos juízes do Supremo Tribunal na audiência anterior, em 16 de janeiro. Quando perguntado sobre a ausência da menina, ele disse simplesmente que a jovem havia sido convocada por regulamento. Desde o início deste caso, Hussain manteve uma atitude ambígua, levantando fortes suspeitas de conluio com o sequestrador Jabbar.

Apesar disso, os juízes instruíram o policial a examinar Huma para determinar sua idade, que sua advogada Yousaf pediu novamente esta manhã. “Está claro que, desde que Hussain foi encarregado, há uma alta probabilidade de que os resultados dos testes sejam falsificados”, disse a advogada. “Mas continuamos esperando que fique provado que a menina é menor de idade. Com isso ela poderá ao menos ser colocada em um abrigo de mulheres e não ser obrigada a continuar com seu estuprador”.

A próxima audiência está marcada para 4 de março. Mas, infelizmente, mesmo que seja comprovado que Huma é menor de idade, a decisão dos juízes de considerar o casamento válido, elimina qualquer possibilidade de Jabbar ser punido pelos delitos de sequestro e casamento forçado.

A ACN continua dando suporte para a família e a advogada de Huma.