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Mauritânia: Igreja vive um espírito de convivência no deserto

Publicado em: setembro 10th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 57|

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A Igreja Católica na Mauritânia ocupa uma posição única: não há cristãos mauritanos, e toda a comunidade católica é formada por estrangeiros e expatriados. Nesse contexto, a presença da Igreja é limitada, com apenas dois sacerdotes e um bispo. Ainda assim, sua missão permanece clara: testemunhar o amor de Deus por todos, cristãos e muçulmanos.

O padre Edmond Théodore é natural do Senegal, mas vive e trabalha na Mauritânia. Recentemente, ele visitou a sede da ACN. Segundo ele, no país africano, o diálogo inter-religioso acontece principalmente na vida cotidiana, e não por meio de encontros formais. “A Igreja acolhe os migrantes e também os mauritanos, mas, ao mesmo tempo, permite que a população local também a acolha.” Para o sacerdote, a missão da Igreja deve ser compreendida a partir dessa dupla dinâmica: acolher e ser acolhida.

Além disso, o sacerdote explica que os valores cristãos são bem aceitos. “Não há perseguição. Somos livres para viver nossa religião”, afirma. Segundo sua experiência, os muçulmanos demonstram profundo respeito pelos fiéis, independentemente de sua religião. Quando percebem que uma pessoa acredita em Deus e possui valores humanos e religiosos, o diálogo acontece naturalmente.

Mauritânia: convivência entre diferentes religiões

“Apesar de nossas diferenças e da maneira como acreditamos no Deus único, conseguimos conviver”, explica o missionário vindo do Senegal.

Sua história na Mauritânia começou com uma experiência de trabalho. Inicialmente, ele deveria permanecer no país por um curto período. No entanto, ficou profundamente marcado pela missão da Igreja naquele lugar. “O Senhor faz coisas extraordinárias com muito pouco”, recorda. Por isso, essa primeira experiência o levou a solicitar uma transferência permanente para a missão.

O deserto também ocupa um lugar central em sua vida espiritual. O padre Théodore o vê como um espaço de despojamento e solidariedade. Como exemplo, ele conta que os mauritanos têm o hábito de sempre parar para ajudar quando encontram veículos quebrados às margens da estrada. Em um ambiente tão exigente, as pessoas compreendem melhor suas próprias limitações e, assim, aprendem a confiar nos outros e em Deus.

O deserto fortalece a fé na Mauritânia

“O deserto é um lugar de encontro”, explica. Para ele, é um lugar onde cada pessoa pode encontrar Deus, o próximo e a si mesma. Além disso, ele recorda que os Evangelhos frequentemente apresentam o deserto como um espaço privilegiado para que as pessoas, inclusive Jesus, se aproximem de Deus.

Ter vivido durante seis anos em uma paróquia próxima ao deserto também fortaleceu sua vida interior e sua espiritualidade. Nesse contexto, a própria oração assume uma característica particular. “Não rezamos uns com os outros; rezamos uns pelos outros”, afirma. Dessa forma, a experiência ajuda a desenvolver uma disposição interior para interceder pelos outros, inclusive por aqueles que professam uma fé diferente.

Uma das características dos mauritanos que mais o impressiona é a confiança em Deus. “Não importa o que você diga, eles respondem ‘inshallah’, que significa ‘se Deus quiser’”, conta. Independentemente das dificuldades que enfrentam, eles acreditam que, com a ajuda de Deus, o dia seguinte será melhor. Essa atitude, garante o sacerdote, inspira nele uma profunda experiência de fé, esperança e confiança, além de lembrá-lo de que tudo está nas mãos de Deus.

A missão da Igreja na Mauritânia

O sacerdote explica que a Igreja não tem permissão para fazer proselitismo na Mauritânia nem para batizar cidadãos mauritanos, já que o Islã é a religião oficial. Ainda assim, ele ressalta que a Igreja está convencida de que Deus age no coração de cada pessoa.

“Nosso trabalho consiste em testemunhar o amor de Cristo”, afirma. A Igreja serve a todas as pessoas, independentemente de nacionalidade ou religião. Por meio desse serviço, acrescenta, os cristãos acreditam que as pessoas podem encontrar Cristo, pois a Igreja serve a Cristo naqueles que acompanha.

Portanto, conclui o sacerdote, a missão da Igreja na Mauritânia não pode ser medida por critérios como eficiência ou pelo número de batismos. Seu objetivo é dar frutos para o Reino de Deus e confiar que Deus reconhecerá o trabalho de seus ministros.

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