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Massacre de Yelewata: um ano depois, Igreja continua a exigir justiça para as vítimas

Publicado em: junho 20th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 10|

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Durante uma missa em memória realizada no primeiro aniversário da tragédia, o bispo Anagbe recordou as vítimas e renovou seu apelo para que os deslocados possam retornar com segurança às suas casas. Um ano após o massacre de Yelewata, no estado de Benue, na Nigéria, a comunidade cristã continua a enfrentar as consequências de um dos ataques mais mortais dos últimos anos.

Centenas de pessoas se reuniram no sábado, 13 de junho, para homenagear as mais de 250 vítimas do ataque. Sobreviventes, familiares e membros da Igreja local participaram da celebração em um clima de oração, memória e esperança.

Além disso, a cerimônia incluiu uma mensagem de solidariedade enviada pelo núncio apostólico na Nigéria. Ele garantiu as orações da Igreja universal e recordou que, apesar da perseguição e do sofrimento, a missão evangelizadora da Igreja seguirá firme.

Justiça continua sendo uma exigência da Igreja

Após a celebração, o bispo de Makurdi, Dom Wilfred Chikpa Anagbe, conversou com a ACN. Na ocasião, ele afirmou que o assassinato de pessoas inocentes constitui “um grave crime contra Deus e contra a humanidade” e pediu que as autoridades levem os responsáveis à justiça.

Ao mesmo tempo, o bispo lamentou a falta de medidas eficazes para proteger as populações vulneráveis. Segundo ele, Yelewata fica próxima de importantes centros urbanos onde atuam forças de segurança, o que torna ainda mais preocupante a continuidade dos ataques.

Dom Anagbe também destacou a situação dos deslocados internos. Para ele, as famílias expulsas de suas terras pela violência não podem permanecer indefinidamente em campos ou assentamentos temporários. “Os deslocados devem retornar às suas terras ancestrais”, afirmou.

Massacre de Yelewata deixou marcas profundas na comunidade

As preocupações do bispo coincidem com os relatos recolhidos pela ACN durante uma visita recente à comunidade. Durante a missão, representantes da fundação encontraram o padre Jonathan Ukuma, pároco local e testemunha direta da tragédia.

Ao recordar os acontecimentos, o sacerdote descreveu o clima de terror vivido naquela “noite terrível”, quando homens armados atacaram a comunidade durante mais de três horas. Muitos moradores buscaram abrigo na igreja, que já acolhia pessoas que haviam fugido da violência em outras aldeias.

Quando o dia amanheceu, padre Jonathan encontrou uma cena devastadora. “Vimos corpos irreconhecíveis, queimados a ponto de não poderem ser identificados”, relatou. Ao todo, 259 pessoas perderam a vida no ataque.

Fé e perdão após o massacre de Yelewata

Apesar do trauma, padre Jonathan decidiu permanecer ao lado da comunidade para apoiar os sobreviventes. Segundo ele, a fé continua sendo a principal fonte de força para enfrentar o sofrimento. “Deus não nos abandonou. A fé supera qualquer desafio”, afirmou.

Hoje, muitas famílias ainda sofrem as consequências do massacre de Yelewata. Elas perderam casas, meios de subsistência e inúmeros familiares. Por isso, o sacerdote reforça a necessidade de ajuda para reconstruir a vida da população. “As pessoas precisam de apoio para recuperar sua dignidade e sua esperança”, destacou.

Por fim, padre Jonathan reconhece que o perdão representa um dos maiores desafios para os cristãos afetados pela violência. Ainda assim, ele acredita que a reconciliação faz parte essencial da vivência cristã. “Para sermos perdoados, também devemos aprender a perdoar”, explicou, convidando os fiéis a rezarem inclusive por aqueles que causaram tanto sofrimento.

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