A ACN está fornecendo ajuda de emergência para famílias cristãs no Paquistão que enfrentam o isolamento e a fome, em consequência da Covid-19.

As medidas tomadas pelo Paquistão para conter a pandemia de coronavírus exacerbaram ainda mais os problemas sociais enfrentados pela minoria cristã do país. Os bispos da diocese católica de Faisalabad, de Islamabad, de Rawalpindi e de Lahore pediram ajuda à ACN. Eles estão propondo um vasto programa de emergência de fornecimento de cestas básicas para mais de 5.000 famílias mais pobres. Elas já viviam abaixo da linha de pobreza antes da crise e, agora, estão numa situação desesperadora. A ACN respondeu positivamente ao pedido dos bispos.

Famílias cristãs no Paquistão são duramente afetadas

Os cristãos, que representam cerca de 2% da população do país, estão entre os membros mais pobres da sociedade no Paquistão. Eles foram duramente atingidos pelas consequências econômicas do bloqueio e outras restrições impostas desde o final de março deste ano. O coronavírus e o confinamento os privaram de seus já escassos recursos, forçando-os a atravessar a crise em condições extremamente difíceis, em locais superlotados e com mínimos recursos. “Simplesmente não podemos deixá-los enfrentar a escolha cruel entre a fome ou a infecção”, enfatizou o presidente executivo da ACN Internacional, Thomas Heine- Geldern.
De acordo com informações locais e como a ACN informou recentemente, algumas ONGs do Paquistão e alguns líderes muçulmanos recusaram ajuda aos cristãos e outras minorias religiosas, embora essas minorias estejam entre as mais afetadas pela pandemia.

“Muitos programas governamentais de ajuda excluem em as minorias religiosas, que são, de fato, considerados cidadãos de segunda classe, e só muito raramente conseguem acesso à ajuda estatal. Infelizmente, a discriminação religiosa não é novidade no Paquistão. Entretanto o que é muito preocupante é que, mesmo durante essa crise global, essas minorias estejam sendo grandemente desfavorecidas”, observou o Heine-Geldern com tristeza.

Sem emprego, o desespero toma conta dos mais pobres

Muitos cristãos são diaristas, empregados domésticos, funcionários de limpeza ou de cozinha, camelôs ou pedreiros. Eles têm os salários mais baixos e dependem de pagamento diário para poder alimentar suas famílias. Esses empregos foram os mais impactados pela paralização econômica. “Muitos empregados cristãos foram demitidos sem aviso pelas famílias para as quais trabalhavam há anos, porque essas famílias ficaram com medo que os pobres levassem o vírus para suas casas”, disse também o presidente executivo da ACN.

Em Faisalabad, o programa emergencial de ajuda apoiado pela ACN compreende não apenas a distribuição de cestas básicas, mas também uma campanha de conscientização para informar as famílias por rádio e outros meios digitais de como se proteger do vírus. Segundo Heine- Geldern, “há também um plano para distribuir máscaras faciais aos fiéis nas igrejas e equipar padres, catequistas, funcionários diocesanos e outros voluntários com equipamento de proteção pessoal, para a realização dos trabalhos pastorais e de assistência social”.

“Uma prioridade de nossa organização é ajudar cristãos que sofrem discriminação e perseguição; esse é claramente o caso no Paquistão. Já havíamos fornecido ajuda de emergência sob a forma de intenções de Missa para apoiar os padres e sua missão pastoral, mas isso é claramente insuficiente. Não temos recursos para suprir todas as necessidades, mas acreditamos que é importante fazer este gesto de solidariedade. Esperamos que outras organizações e muitas pessoas de boa vontade se unam a nós em nossos esforços. Caso contrário, os cristãos do Paquistão estarão ameaçados de extinção”, alertou o Heine- Geldern.

Para continuar socorrendo as comunidades mais carentes no Paquistão, mas também no Brasil e em todo o mundo, a ACN precisa da sua ajuda. Clique aqui e faça a sua doação.

Assista também ao programa A Igreja pelo Mundo especial sobre os cristãos no Paquistão, no canal da ACN no Youtube.