O Evangelho nos oferece uma dinâmica exigente e inquietante, que nos provoca a sair de nós mesmos e abraçarmos o movimento da caridade, que se nutre da espiritualidade samaritana: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Esse é o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é: Fraternidade e Vida, dom e compromisso. Uma vez mais a Igreja Católica propõe a seus fiéis um caminho quaresmal marcado pelas atitudes fundamentais de todo cristão: a oração, a penitência e a esmola, nutridas pela espiritualidade samaritana.

Ver, sentir e cuidar

O exemplo do Bom Samaritano nos provoca porque une o ver, o sentir e o cuidar. Três atitudes de grande coragem presentes no Evangelho, mas que precisamos avivá-las em nós: a Boa Nova do Senhor deve entrar em nossa mente, mudar o nosso coração e mover as nossas mãos. O que significa dizer que Mente, Coração e Mão são as raízes de toda atitude e boa ação que fazemos no mundo. Essa é a espiritualidade samaritana, que somente acontece quando somos banhados pela compaixão divina.

A Quaresma nos pede uma revisão por dentro e também nos ajuda, a ver a vida com os olhos de Deus. Assim, nos impele a sentir compaixão pelos muitos caídos que se apresentam diante de nós e a cuidar deles de um modo apaixonado. Gostaria que no decorrer de todo este ano, eu e você, que formamos a Fundação Pontifícia ACN, permanecêssemos fiéis à mensagem do Evangelho, acolhendo nossa missão de cuidar daqueles que não são cuidados, bem como cuidar dos que oferecem cuidados. O mundo precisa de mais atitudes fraternas movidas de compaixão.

Portanto, diante de Deus, nos coloquemos de joelhos e em oração; diante dos homens e mulheres, necessitados e sofredores do nosso tempo, nos coloquemos de pé, numa atitude apaixonada de serviço. Se invertemos esta relação, perderemos a incrível beleza da nossa missão e vocação humano divina.

Fr. Rogério Lima, O. Carm.
Assistente Eclesiástico Nacional