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Esperança em Deus

9 de novembro de 2020

Não convém, como cristãos, alinharmos o nosso discurso ou opinião ao que vem sendo difundido por muitos e por todos os lados, levando em conta toda situação problemática que ainda estamos enfrentando, neste difícil 2020.
Refiro-me a expressão de que “este é um ano perdido”. Tal afirmação não pode influenciar pessoas e organismos que possuem a missão de acender as esperanças pelo mundo e de buscar saídas diante de toda e qualquer dificuldade. A sabedoria popular nos diz que a esperança é a primeira que nasce e a última que morre no coração. De acordo com a nossa profissão de fé, afirmamos que a morte não tem a última palavra sobre nós, concluímos que a esperança nunca morre. Os desafios deste nosso tempo são inúmeros. No entanto, em outras épocas, outras crises foram superadas e lições foram aprendidas.

Uma espiritualidade baseada na Palavra

Partindo desta certeza, eu gostaria de propor uma breve reflexão sobre o aprendizado desta pandemia. Pergunto: é possível pensar numa espiritualidade da pandemia? No último mês da bíblia os colaboradores da ACN Brasil puderam refletir alguns temas do livro do Deuteronômio, com a orientação de Frei Carlos Mesters. Frei Carlos nos falava da necessidade de se fazer uma ‘segunda leitura’ para melhor compreender a “revelação do amor de Deus”. Essa releitura é como um colírio que lubrifica nossos olhos ressecados e nos ajuda a ver com mais brilho e nitidez as primeiras páginas que Deus escreveu na história, a vida. Portanto, olhar a vida a partir de uma nova leitura, nos ajuda a perceber que os problemas e dificuldades são mínimos, comparados à grandeza do amor de Deus por nós.

Nós podemos, portanto, tirar inúmeras lições deste momento, que não é, de forma alguma, um tempo perdido. A vida é sempre um convite a novas superações; é um contínuo aprendizado. Nós, homens e mulheres inseridos neste “novo normal”, precisamos desenvolver melhor a cultura do cuidado, da solidariedade, do respeito e da confiança, na certeza de que caminhamos para o retorno ao Eterno, nosso Deus, que cuida e nos revela a todo instante seu amor. Isto é espiritualidade.

Fr. Rogério Lima, O. Carm.
Assistente Eclesiástico Nacional

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