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Amazônia por um sopro de vida

5 de março de 2021

Nos últimos dias de janeiro o Brasil chegou à triste marca de 220.000 vítimas da Covid-19. Foi em janeiro também que a região amazônica, chamada muitas vezes de “pulmão do mundo”, ironicamente sofreu a falta de algo muito básico para a vida: oxigênio.

Além das tristes imagens dos hospitais lotados e velórios às pressas com poucos parentes, uma tragédia maior aconteceu: com a falta de oxigênio em Manaus. As pessoas deixavam seus parentes sozinhos nos hospitais e saíam desesperados em busca de um cilindro desse gás essencial para os internados por conta do coronavírus. Para isso utilizavam suas economias e, não raramente, se endividaram com empréstimos para cobrir os altos custos e garantir assim mais algumas horas de vida para seus entes queridos.

Familiares relataram que chegaram a pagar cerca de R$ 6.000 para garantir mais 3 horas de oxigênio, ou seja, mais 3 horas de vida. Apesar de todo o esforço, em menos de uma semana mais de 50 pacientes morreram asfixiados por causa da falta de oxigênio no estado. Outros morreram por falta de leitos de UTI e outros ainda por não conseguirem transferência para outros hospitais. No total, 2.195 pessoas morreram de Covid em Manaus apenas no mês de janeiro, um aumento de mais de 700% em comparação com dezembro de 2020.

Em busca de oxigênio

O problema atingiu os demais municípios do Amazonas e outros estados do norte do Brasil. onde também pessoas morreram asfixiadas por conta da falta de oxigênio. À ACN, Dom Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus, diz que está em contato com os demais bispos em um trabalho de constante ajuda oferecido pela Igreja: “É possível saber das necessidades maiores e ver como podemos nos apoiar e ajudar. A maior dificuldade são as distâncias, o acesso a hospitais que possam assistir aos doentes mais graves. Hoje conseguimos enviar oxigênio para várias cidades, foi uma ajuda muito grande. Estamos em busca agora de mini usinas de oxigênio, o que resolveria vários problemas.”

Dom Leonardo lembra ainda que o colapso do sistema de saúde do Amazonas trouxe um outro agravante: “O número de pobres aumentou, e a dificuldade de oferecer alimentação aos irmãos e irmãs que vivem nas nossas ruas também aumentou”. Em resposta às necessidades atuais, a Igreja local intensificou seu serviço para pessoas em situação de rua. “Estamos na busca por recursos para atender aos irmãos e às irmãs mais carentes, especialmente no que diz respeito à alimentação. Mesmo passada essa segunda onda teremos muito mais pobres que no momento. Tivemos também o óbito de três sacerdotes e muitos dos membros das nossas comunidades”, relata Dom Leonardo.

A ACN está ajudando a Igreja no Brasil a continuar sua missão de levar amparo espiritual e também material aos que mais precisam durante a pandemia. Em 2020, centenas de projetos possibilitaram que sacerdotes, religiosas e missionários realizassem um incrível trabalho de amor ao próximo. Porém, desde o início deste ano, muitos outros pedidos de socorro chegaram da região amazônica para a ACN, pois a situação ainda está muito difícil. Contamos mais uma vez com a sua heroica doação, que permite manter o trabalho de tantos heróis da fé!

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