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A Quaresma na Síria é vivida antecipadamente

12 de fevereiro de 2020

A Quaresma na Síria está sendo vivida antecipadamente, segundo o Arcebispo Maronita de Damasco, Samir Nassar. A continuidade dos projetos de ajuda humanitária no país está em perigo.

A situação econômica na Síria está se deteriorando. “A atual crise, diferente da que tivemos durante os dias de guerra, obrigou as pessoas a viverem uma espécie de jejum de Quaresma antecipado na Síria. Pôr comida na mesa tem se tornado simplesmente um pesadelo quotidiano”. Assim falou o Arcebispo Samir Nassar em mensagem à ACN (Ajuda à Igreja que Sofre).

Por causa da crise econômica, consequência não apenas da guerra mas também do embargo econômico imposto pelas potências ocidentais, as pessoas comuns estão tendo que enfrentar o racionamento de vários produtos essenciais.

“A escassez de combustível, de gás doméstico e de eletricidade, prejudicou os mais vulneráveis – os frágeis, os doentes, as crianças e os idosos. Soma-se a tudo isso as temperaturas congelantes mortais” lamentou o Arcebispo.

Vivendo a Paixão de Cristo antes da Semana Santa

Ao mesmo tempo, a Irmã Maria Lucia Ferreira, da congregação das Irmãs da Unidade, na Antioquia, também confirmou à ACN que “as coisas estão piorando muito”.

‘’Por exemplo, gás só pode ser obtido apresentando-se vouchers, explica acrescentando que a situação é tão séria para algumas famílias que elas mal podem comprar comida”. Os que chegam tarde saem de mãos vazias…”. Ela explica também que há “falta de combustível para aquecimento nas casas; o fornecimento de energia elétrica é interrompido quase todos os dias; e a cada mês o dinheiro vale menos.

Segundo a Irmã Maria, um dos motivos para a situação atual é a crise no país vizinho, o Líbano. Grande parte do financiamento proveniente do Líbano não está sendo feito agora.

Uma avaliação que Dom Nassar confirma. Ele insiste que a crise financeira no país vizinho está impondo graves obstáculos à ajuda humanitária fornecida à Síria por outros países. O que o Arcebispo chama de “estrada de Simão de Cirene”, ou seja, a solidariedade com aqueles que estão carregando a cruz, foi “bloqueada sem compaixão”. Enfim, isso resultou em uma deterioração geral das condições, em todo os lugares.

Entre outras coisas, a crise no Líbano resultou no congelamento das contas dos cidadãos sírios, envolvendo contas de empresas e contas privadas, das quais se originou o que o Arcebispo chama de “movimento de caridade”. De acordo com Dom Nassar, a atual situação também dificultou as coisas para a Igreja, que agora nada mais é que “um muro de lamentações onde as pessoas vêm chorar, pedir ajuda e buscar consolo sem ostentação, silenciosamente. Assim eles vivem a Paixão de Cristo antes da Semana Santa.

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One Comment

  1. Jorge Henrique da Rocha Barros 22 de fevereiro de 2020 at 20:19 - Reply

    Deviam fazer convênios e parcerias com empresas do mundo todo como por exemplo UNICEF /VATICANO/Olivetti/Petrobras/Petróleo IP iraniano etc…

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