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Solidariedade muçulmana leva esperança em Moçambique

Publicado em: maio 20th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 54|

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A comunidade muçulmana de Moçambique divulgou uma declaração condenando os ataques realizados por jihadistas no norte do país, que têm atingido cada vez mais cristãos e locais de culto. Além disso, a solidariedade muçulmana ganhou destaque após um novo episódio de violência em Cabo Delgado.

Recentemente, jihadistas que atuam na região e alegam lealdade ao Estado Islâmico atacaram a paróquia católica São Luís de Montfort, em Meza, na Diocese de Pemba. Os criminosos incendiaram completamente a igreja e destruíram importantes infraestruturas da comunidade local.

Na declaração oficial, a Comunidade Muçulmana de Moçambique se distanciou dos atos de violência. “A Comunidade Islâmica de Moçambique expressa sua mais profunda preocupação com os recentes ataques realizados na província de Cabo Delgado, particularmente a destruição de infraestruturas comunitárias e locais de culto em Meza.”

Solidariedade muçulmana reforça união entre comunidades

A comunidade também declarou sua “condenação firme e inequívoca de todos os atos de violência contra populações civis, assim como da destruição de espaços religiosos, independentemente de sua confissão.”

Além disso, o comunicado destacou a importância da convivência pacífica entre religiões. “Neste momento, expressamos nossa solidariedade à comunidade católica e a todas as famílias afetadas por esses acontecimentos, e ressaltamos que a fé nunca deve ser usada para justificar violência, medo ou divisão.”

A mensagem chegou ao bispo António Juliasse, da Diocese de Pemba, que publicou o texto nas redes sociais da diocese. Segundo ele, a solidariedade muçulmana representa um “sinal de esperança e símbolo de fraternidade humana.”

Ataques em Cabo Delgado afetam cristãos e muçulmanos

O bispo António Juliasse também agradeceu o apoio recebido. “Gostaria de agradecer aos nossos irmãos muçulmanos por sua mensagem. Ela nos ajuda a distinguir, de forma prática, a religião muçulmana daqueles que tentam radicalizá-la e usá-la para espalhar mensagens de ódio, morte e destruição.”

Moçambique possui maioria cristã, embora os muçulmanos representem a maioria da população no norte do país. Nesse cenário, a solidariedade muçulmana tem fortalecido os laços entre diferentes comunidades religiosas afetadas pela violência.

Desde novembro de 2017, o conflito em Cabo Delgado já causou pelo menos 6.300 mortes e forçou mais de um milhão de pessoas a deixarem suas casas. A violência atinge populações de diferentes religiões e comunidades em toda a região.

Igreja em Moçambique recebe apoio humanitário

Segundo o bispo António Juliasse, pelo menos 300 católicos morreram em ataques direcionados especificamente contra cristãos. Entre as vítimas estão catequistas, agentes pastorais, fiéis leigos e a religiosa italiana irmã Maria de Coppi. Além disso, os terroristas destruíram ao menos 118 igrejas e capelas durante a insurgência.

A ACN continua apoiando a Igreja em Moçambique em meio à crise. Os projetos incluem ajuda humanitária, apoio psicossocial e reconstrução de infraestruturas para comunidades afetadas pelos ataques.

O Vaticano também mantém proximidade com os católicos de Cabo Delgado e faz constantes apelos pela paz. Em dezembro de 2025, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, visitou a região e ouviu pessoalmente os testemunhos das vítimas.

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