“Do barco, Ele ensinava as multidões” (Lc 5,3). A imagem de Jesus no Evangelho se renova em nossos dias. Assim como Pedro e os discípulos lançaram as redes para uma pesca abundante, hoje, em lugares onde os rios são as únicas estradas, o barco ainda é um instrumento de missão. É navegando que os padres rompem o isolamento para levar a presença viva de Cristo e o consolo da fé às populações ribeirinhas.
O saudoso Padre Paolino Baldassari também testemunhou, em sua própria vida, essa ‘pesca milagrosa’. Ao chegar à Diocese de Rio Branco, no coração do Acre, em 1968, encontrou um rebanho disperso: sem pastores, muitas famílias haviam esfriado na fé ou buscado outros caminhos espirituais. Mas o amor incansável deste missionário transformou aquela realidade. Quando partiu para a Casa do Pai em 2016, envolto em fama de santidade, deixou como legado uma comunidade inteiramente resgatada e vibrante no seio da Igreja Católica.
Um legado de santidade e proteção da Providência
O início da missão, porém, foi marcado pela cruz. Logo na primeira semana, o missionário italiano da Ordem dos Servos de Maria quase sucumbiu à malária. Sua sobrevivência e os 48 anos de serviço incansável à paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Sena Madureira, foram sinais da Providência. Mesmo próximo aos 90 anos e sem saber nadar, Padre Paolino enfrentava semanas de viagem em seu barco simples para ir ao encontro dos ribeirinhos. Nessas jornadas, trazia uma marca inconfundível de humildade e prudência: usava sempre colete salva-vidas e capacete de
motociclista. Tamanha doação frutificou e seu processo de beatificação foi aberto oficialmente em 2022.
Constantemente, chegam até a ACN apelos de sacerdotes que necessitam não de luxo, mas de segurança: embarcações robustas para alcançar as comunidades mais distantes. A navegação na Amazônia impõe desafios severos — corredeiras, troncos submersos e tempestades repentinas tornam cada
viagem uma missão arriscada. Com um barco a motor adequado, garantimos que o missionário vença esses perigos e chegue mais rápido ao encontro de um povo que, com o coração cheio de esperança, aguarda ansiosamente pelos sacramentos.
Da Eucaristia ao nascimento de novas vidas
Graças à generosidade de vocês, o Padre Bruno Nirmal, missionário indiano que atua na Prelazia de Itacoatiara (AM), já navega com segurança ao encontro de seu rebanho. Ele testemunha com emoção o impacto dessa presença: “O povo tem uma fé imensa; eles têm sede da Eucaristia, sede de Deus. Quando o padre chega, largam tudo para viver aquele momento sagrado”.
A chegada do barco transformou a vida e a morte nessas comunidades. Os padres relatam casos comoventes de fiéis que, em seus últimos momentos, parecem aguardar apenas a unção dos enfermos para, enfim, partir em paz para os braços do Pai. Além de levar o consolo espiritual, essas embarcações frequentemente se tornam ambulâncias da esperança, transportando doentes e gestantes em emergências. Certa vez, a vida não esperou a chegada ao porto: um bebê nasceu a bordo, transformando o barco da missão em berço de uma nova vida.
É você, com a sua caridade, que navega com Jesus até as aldeias mais isoladas da floresta. Diante de tanta fé encontrada, os missionários se maravilham: a “pesca milagrosa” não é passado, ela se renova hoje em cada margem alcançada. Por isso, fazemos um apelo ao seu coração: faça sua doação e continue sustentando essa missão. Seja a força que impulsiona esses barcos, para que a fé jamais naufrague.
Eco do Amor
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