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Fé cresce na Ucrânia, “Vocês não nos deram apenas comida, mas um gosto de Deus”

Publicado em: fevereiro 19th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 23|

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No leste do país, as pessoas já se acostumaram ao perigo constante dos ataques aéreos. Ainda assim, a fé cresce na Ucrânia em meio à guerra. Segundo um bispo local, “sem a ajuda de vocês, seríamos como refugiados”. Por isso, mesmo diante das sirenes e dos bombardeios, as comunidades continuam a se reunir e a fortalecer a esperança.

Para grande parte do mundo, e até para muitos dentro da Ucrânia, a guerra com a Rússia começou em 2022, com a invasão em larga escala. No entanto, quem vive no leste do país enfrenta uma realidade de conflito desde 2014, quando começaram os primeiros confrontos na região.

Recentemente, o bispo auxiliar Jan Sobilo, da Diocese latina de Kharkiv-Zaporizhzhia, visitou a sede da ACN, na Alemanha. Durante o encontro, ele relatou como é servir uma população marcada por perdas, deslocamentos e insegurança permanente.

Apesar da guerra, fé cresce na Ucrânia

“A ACN nos ajuda desde 1991 com tudo o que precisamos para nossa missão e nosso trabalho: estrutura, carros, combustível e ajuda básica. Pensávamos que tudo estava bem e que nossa missão continuaria normalmente, mas então veio a guerra. Ninguém esperava que ela começasse em 2014, e a situação piorou muito depois da invasão de 2022”, afirma o bispo.

Atualmente, várias cidades importantes da diocese estão sob ocupação e não contam mais com sacerdotes. Por outro lado, outras paróquias cresceram rapidamente com a chegada de pessoas que fugiram das áreas dominadas pelo conflito. A maioria chegou sem nada e encontrou apoio na Igreja.

“Alguns deles não conhecem Deus, mas sentem no coração que precisam de algo e encontram isso em nossa comunidade. Os padres e as religiosas fazem com que se sintam parte de uma nova família. Distribuímos pão e alimentos, e as pessoas dizem: ‘vocês não me deram apenas pão, mas também um gosto de Deus’”, explica o bispo.

A ajuda da Igreja transforma vidas

Graças ao apoio da ACN, a diocese conseguiu ajudar milhares de pessoas. “Isso não é apenas mais um projeto. São pessoas reais, vemos seus rostos e conhecemos suas histórias. Sabemos que, por causa dos benfeitores da ACN, não passaremos fome e podemos continuar a anunciar o Evangelho. Sem a ajuda de vocês, nossa Igreja estaria como nos tempos soviéticos”, ressalta.

Além disso, multiplicam-se os testemunhos de pessoas que, mesmo após perdas profundas, se aproximaram mais de Deus por meio da Igreja. Diante disso, surge uma pergunta inevitável: a guerra não levou outros a rejeitarem a fé? “Não conheço ninguém que tenha perdido a fé. Um oficial uma vez me disse que, entre todas as pessoas que ele conhecia na linha de frente, não havia ateus”, conta o bispo Jan Sobilo.

Esse movimento também aparece em números. O líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk, anunciou recentemente que sua Igreja cresceu de 8% para 12% da população nos últimos anos. Da mesma forma, o bispo Jan Sobilo confirma uma tendência semelhante entre os católicos de rito latino no leste do país.

“Você nunca sabe quando chegará a sua hora”

A sede do bispo fica a apenas 15 quilômetros da linha de frente. Os bombardeios fazem parte da rotina, e os alertas de ataque aéreo soam tantas vezes ao dia que muitos já não correm para os abrigos. “Eles ficam onde estão. Dizem que preferem arriscar a vida, mas ao menos viver enquanto isso. Não são só os ataques às nossas cidades: drones e foguetes passam sobre Kiev, por isso as sirenes tocam dezenas de vezes por dia.”

Mesmo assim, alguns momentos rompem essa aparente apatia. Para o bispo, o mais difícil é presidir os funerais de jovens soldados. “O pior para mim é ver as mães que perderam seus filhos. Me lembro de um jovem que foi convocado logo após terminar a escola. Ele fez o treinamento, foi para a linha de frente e morreu duas semanas depois. Seu corpo nunca foi recuperado.” Ver sua mãe chorar o único filho dessa forma foi devastador, relata.

Por esse motivo, a população vive com a consciência de que a vida é frágil. “Todo mundo tem alguém próximo que morreu por causa da guerra. Você nunca sabe quando chegará a sua hora. Por isso, dizemos às pessoas que se confessem ao menos uma vez por semana, para estarem sempre preparadas. É também por isso que elas procuram a Igreja para se preparar para os sacramentos”, explica o bispo Jan Sobilo.

Esperança e preparação para a Páscoa mostram que a fé cresce na Ucrânia

Nos últimos anos, a diocese preparou dezenas de pessoas para receber os sacramentos da iniciação cristã. Atualmente, um grupo de 40 adultos se prepara para entrar na Igreja na próxima Páscoa, o que reforça o crescimento da fé mesmo em meio à guerra.

Enquanto a Igreja na Ucrânia entra no tempo da Quaresma e se prepara para celebrar a Ressurreição, permanece a esperança de que a paz possa voltar ao país. O bispo auxiliar de Kharkiv-Zaporizhzhia admite ter pouca confiança nos planos de políticos e líderes mundiais. Ainda assim, ele não perde a fé: “Não tenho dúvida de que Deus tem um plano para a Ucrânia. Talvez ainda não consigamos vê-lo ou compreendê-lo; pode ser uma surpresa. Mas Ele não se esqueceu de nós.”

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