A Páscoa é uma festa do novo nascimento, uma festa da nova vida. Por isso existe uma profunda conexão entre o mistério pascal e a maternidade da mulher

A Igreja, que nasceu do sofrimento do Salvador, é chamada a ser mãe. Mas para isso ela precisa do carisma da mulher. Foi uma mulher, Maria, que ficou debaixo da cruz e se tornou a mãe de toda a humanidade. Foram as mulheres que primeiro chegaram ao sepulcro, que viram o Ressuscitado, tornando-se dessa forma apóstolas para os apóstolos. A dimensão mariana da Igreja precede a dimensão petrina.

Faz parte da natureza da mulher transmitir a vida. Física ou espiritual. A mulher perscruta o mais íntimo da pessoa, pensa e sente de forma abrangente. Proteger, guardar, preservar, nutrir, promover o crescimento, compartilhar a vida, tudo isso são virtudes naturais da mulher. O mártir Cardeal Mindszenty disse certa vez: “Sempre que vejo uma cruz adornada de flores vejo nela um símbolo da mulher. A vida e vocação da mulher são ao mesmo tempo rosas e cruz. Ela vive para os outros buscando a felicidade deles, até mesmo ao preço de seu sangue.”

A discussão sobre a dignidade e o papel da mulher na sociedade e na Igreja é um tema constante. A emancipação da mulher pertence ao nosso tempo. Na história, a mulher foi muitas vezes ferida na sua dignidade, desfigurada nos seus valores, marginalizada e até mesmo escravizada. Regressar ao modelo de mulher totalmente dependente do homem está fora de cogitação. No entanto, em nome dessa “independência” do homem, a característica da mulher não pode se perder. Essa emancipação é frequentemente equiparada à eliminação das diferenças entre os sexos e à libertação sexual. Mas desta forma se perde a riqueza da feminilidade; é como se a transmissão da vida fosse envenenada pela raiz e se desencadeasse uma epidemia espiritual.

Caros amigos, se estamos apresentando a vocês a vocação e o trabalho das religiosas, é porque queremos recordar o “feminino”, sem o qual a Igreja, como mãe, não produz frutos duradouros. Por meio da dedicação esponsal das religiosas a Jesus, sua feminilidade não é abolida, mas, ao contrário, torna-se especialmente fecunda. O múltiplo ministério delas envolve todas as pessoas com o amor de Cristo. Elas são as mães e irmãs universais. Agradecemos a Deus por essas mulheres extraordinárias e a vocês, porque é com a sua ajuda que podemos sustentá-las em todo o mundo.

Com gratidão, desejo uma abençoada Páscoa.