Costuma-se dizer: “Sobre dinheiro não se fala”; ou “Tudo se trata de dinheiro”. Para nós é difícil falar a respeito de dinheiro, especialmente na Igreja, onde frequentemente se despejam malícias nesta questão.

Mas a verdade é que, sem dinheiro, pouco se faz, inclusive na Igreja. A vida tem seu custo. É por isso que se fazem fantásticos discursos de coletas e convocações para doações. Até os apóstolos tinham o seu caixa e Jesus também falou sobre o uso correto do dinheiro.

Um dia Ele observou no templo como as pessoas punham dinheiro no cofre das ofertas (cf. Mc 12,41-44).

Muitos ricos depositavam grandes valores e uma pobre viúva deu só duas moedinhas – era tudo o que ela tinha para viver. E é justamente este “óbolo da viúva” que Jesus dá aos seus discípulos como exemplo para mostrar qual é a essência do Evangelho: a viúva deu tudo, deu mais do que todos os outros.

Há muita gente boa que doa muito por uma boa causa. Algumas dão do que lhes sobram; algumas, porque querem ser consideradas como generosas pelos outros; outras ainda, porque querem, por meio da sua doação, tranquilizar uma consciência culpada. Só Deus conhece as verdadeiras intenções e pode avaliar cada ação. E justamente na oferta insignificante de duas moedinhas Ele nos mostra qual é a postura de coração que Ele espera de nós. A pobre viúva abre mão de sua última segurança e se confia inteiramente a Deus. “Pois quem quiser salvar sua vida, a perderá” (Mc 8,35). Para Deus o que conta é o empenho e aquele recurso financeiro que foge da lógica do previsível.

Uma casa pra Deus morar

A viúva lança seu último dinheiro no cofre do Templo. Esse dinheiro era destinado à manutenção e construção do santuário judaico. Após o incêndio da Catedral de Notre-Dame, em Paris, grandes empresas de luxo e pessoas super-ricas prometeram doações milionárias para a reconstrução desse patrimônio cultural da humanidade. As famílias bilionárias superaram-se em doações. Deus conhece as suas intenções. É verdade que precisamos de símbolos e monumentos culturais, mas acima de tudo precisamos de uma casa para Deus morar. Caso contrário, como no Templo de Jerusalém, não ficará pedra sobre pedra (Mc 13,2).

Nossos donativos devem construir a casa de Deus, a comunidade da Igreja. Essa comunidade é sempre uma estrutura necessitada de reparos. Nela se encontra um entusiasmo empalidecido, uma perda generalizada de fé, arrogância intelectual e falta de recursos financeiros. Mas vale a pena investir ali para que a casa de Deus se torne bela e a comunidade que aí vive se torne digna dos dons de Deus. Jesus não reteve nada para si mesmo. Ele lançou tudo no cofre divino da Eucaristia. Este sacramento do amor é o verdadeiro sustentáculo da Igreja.

Pe. Martin M. Barta
Assistente Eclesiástico Internacional