//“Reconheçam o genocídio contra os cristãos”

“Reconheçam o genocídio contra os cristãos”

2014-09-19T18:20:49+00:00 setembro 19th, 2014|Notícias|

Durante conferência sobre os cristão do Oriente Médio em Genebra, Arcebispo de Mosul conclama à comunidade internacional: “Nós, os cristãos no Iraque temos um futuro se a comunidade internacional nos der assistência imediata. Não se esqueçam de nós”.

Com estas palavras, o Patriarca Caldeu Louis Raphael I Sako exortou a comunidade internacional nesta terça-feira, em conferência realizada com o apoio financeiro da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) sobre a questão dos cristãos no Oriente Médio.

“As pessoas estão decepcionadas com tão pouca ajuda que foi recebida até o momento. Atualmente, cerca de 120 mil cristãos estão vivendo no Iraque como refugiados. Eles precisam de tudo, porque os terroristas do Estado Islâmico tomaram todos os seus bens. Eles têm agora o maior desafio: onde permanecer (alojamentos) durante o inverno, que pode ser muito frio no Curdistão iraquiano. Precisamos de muita ajuda aqui”, continuou o patriarca. Em seu discurso aos participantes da conferência, Louis Raphael fez uma chamada para criar uma zona de proteção para os cristãos no norte do Iraque. Isso deve, segundo ele, ser colocado sob um mandato das Nações Unidas e deve ser configurado com grande envolvimento dos estados vizinhos do Iraque. “Precisamos de uma resolução das Nações Unidas que irá nos permitir voltar”, disse o chefe da Igreja caldeia-católica. Sako alertou que, se os cristãos iraquianos não forem capazes de voltar para suas casas nas planícies de Nínive perto de Mosul, elesterão de enfrentar o destino dos refugiados palestinos, que vivem espalhados por muitos países.

De Mosul, o Arcebispo Sírio-Ortodoxo Nicodemus Daoud Sharaf disse, antes da conferência, que a ONU deve reconhecer e condenar a expulsão dos cristãos no Iraque como genocídio. “As Nações Unidas são rápidas em condenar o antissemitismo. Queremos ver o mesmo quando os cristãos são perseguidos”. Ele estava satisfeito com as visitas de políticos ocidentais no Iraque, “mas precisamos de ajuda humanitária genuína. Tempo é um fator importante para nós. Mais e mais pessoas estão deixando o país”.

O Patriarca Sírio-Católico Ignace III Yousif Yunan, morador do Líbano, também fez uma convocação durante conferência para um maior compromisso por parte da comunidade internacional. “Com a tomada pelo ISIS de cidades siríaco-católico como Qaraqosh, dezenas de milhares de meus fieis estão fugindo”. A ajuda da comunidade internacional não deve ser só material, mas também mostrar-lhes que não estão sozinhos nem esquecidos. “Os cristãos do Oriente Médio devem ser muito poucos e muito pobres para atrair o interesse das nações industrializadas”, enfatizou.

O Patriarca Emérito Sírio Ignace também destacou que, a longo prazo, a presença cristã no Oriente Médio só pode ser garantida pela separação do Estado e da religião. “Como uma família internacional, temos de trabalhar no sentido da separação entre Estado e religião”. Neste contexto, ele pediu aos muçulmanos que reinterpretem suas Sagradas Escrituras. “No século 21, não se pode fazer uma exegese, como se alguém estivesse no século sete”. Dom Sharaf acrescentou e criticou a reação inadequada dos muçulmanos para as ações do Estado Islâmico. “Quando as caricaturas de Maomé foram publicadas há alguns anos na Dinamarca, milhões de muçulmanos foram às ruas em todo o mundo, porque isso era algo que era contra o Islã. O ISIS também é visto como anti-islâmica. Mas onde estão as manifestações contra ele?”.

A conferência “Os cristãos no Oriente Médio: Cidadania, Direitos Humanos e seu Futuro”, organizado pela representação do Vaticano na ONU e realizada no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, teve a participação de delegações de Estados Unidos, Grã-Bretanha, Polônia e Áustria. Posteriormente o embaixador dos EUA, Keith Harper, também recebeu uma delegação de representantes da Igreja iraquianas para discussões.

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