O Chile que o Papa Francisco está visitando é muito diferente daquele que acolheu São João Paulo II há trinta anos, o primeiro Papa a visitar o país. De acordo com Javier Peralta, diretor executivo da comissão nacional que organiza a visita papal, Francisco prefere viajar a lugares que são, em parte, prejudicados por terríveis problemas. A agenda muito densa do Santo Padre inclui visitas a três cidades. A primeira parada é a capital Santiago, o lar de quase metade dos habitantes do Chile. Depois, ele viajará para Temuco na região da Araucanía, onde o chamado “conflito Mapuche” se enfurece. Este grupo étnico indígena está usando a violência para reivindicar seus direitos. A visita terminará em Iquique, na parte norte do país. Muitos migrantes vivem nesta região, o que representa um grande desafio para os chilenos.

“Como Fundação Pontifícia, estamos muito satisfeitos com esta notícia. Estamos convencidos de que a visita do Papa não nos deixará indiferentes. Sua mensagem penetrará profundamente nos corações dos chilenos. Esperamos que no seu papel de mensageiro da paz ele não apenas fará o bem para os católicos, mas também para a sociedade como um todo. Afinal, ele está buscando unidade e paz. Ele se dedica a ajudar os necessitados e os que estão sofrendo”, disse Carlos Valenzuela, diretor nacional da ACN no Chile.

A sociedade no Chile de hoje está despedaçada. Desde a última visita do papa, as pessoas têm menos fé nas instituições, incluindo na Igreja Católica. “A situação em nossa sociedade é muito tensa. Isso pode ser visto pelo humor desastroso que permeia a sociedade, um menor respeito pelo diálogo social, uma dificuldade crescente em chegar a acordos nacionais, bem como uma desconfiança mútua que permeia todos encontros e diálogo quase impossíveis no país”, disse Dom Fernando Ramos, o coordenador nacional da visita papal.

É por isso que o papa escolheu “Minha paz, eu te dou” como o lema de sua visita. A Igreja chilena preparou o caminho para isso, dando um bom exemplo. Está trabalhando para promover encontros baseados no diálogo fraterno e uma apreciação pelo valor da vida. A proteção da vida em todas as circunstâncias tem desempenhado um papel fundamental nos conflitos sociais dos últimos meses.

“Uma visita papal é um tremendo presente. O próprio Jesus Cristo está tocando nossos corações sob a aparência de Francisco”, explicou María Covarrubias, presidente da ACN chilena. Ela comentou sobre a situação atual no país: “Para um país que foi dolorosamente atingido pela legalização do aborto, a visita papal traz esperança renovada para a vida dos cristãos. Deus nos escolheu como protagonistas do futuro, um futuro que devemos encontrar com fé e confiança em Deus. Os frutos da visita papal dependerão da recepção que cada chileno que se prepara para esse momento em seu coração”.