//Camarões: “Ainda estamos vivos porque estávamos na igreja”

Camarões: “Ainda estamos vivos porque estávamos na igreja”

2017-01-18T12:04:27+00:00novembro 24th, 2016|Notícias|

As pessoas em Maroua-Mokolo estão com medo. Não foram poucas as vezes que as dioceses localizadas na fronteira com a Nigéria foram vítimas de ataques do Boko Haram. Enquanto o bispo Bruno Ateba Edo celebrava a missa embaixo de uma árvore, os fiéis frequentemente apertavam as mãos numa forma de corrente humana. Antes da missa, voluntários revistavam os participantes do culto procurando por armas e explosivos. É proibido carregar grandes bolsas de mão.

“Muitos dos ataques suicidas são feitos por jovens. Somente em setembro, duas jovens sacrificaram suas vidas explodiram o mercado de Mora. Elas não tinham nem 20 anos de idade”, disse o bispo à Fundação Pontifícia ACN (Ajuda à Igreja que Sofre). “As pessoas vivem em constante medo de novos ataques, já se tornou uma psicose”.

É sobretudo mais perigoso em lugares de grande concentração de pessoas. Entretanto, isso não faz com que os católicos parem de se reunir para rezar. “A oração é nossa força e nossa esperança. Precisamos rezar e queremos rezar! Especialmente a oração em comunidade é um sinal de esperança”, disse o bispo Ateba. Em fevereiro desde ano, dois homens-bomba mataram pelo menos 20 pessoas e feriram dezenas de outras no mercado de Mémé. O mal só não foi maior porque pessoas estavam rezando: “No momento do ataque, muitas mulheres que trabalham no mercado e outras pessoas do lugar, tinham acabado de chegar na igreja para participar da via sacra. Elas diziam: ‘Nós ainda estamos vivos porque estávamos na igreja. Teríamos morrido se não fosse pela via sacra'”.

Dom Ateba está desapontado por essa dramática situação quase nunca receber atenção das mídias internacionais. “Gostaria de ver mais atenção sendo dada para o que está acontecendo aqui em Camarões. Quando algo acontece na Europa, a notícia sai imediatamente em todos os jornais ao redor do mundo, vai ecoando. Mas se pessoas morrem aqui em Camarões ou em outros países da África, não é uma questão importante. Algumas pessoas devem pensar que foram ‘só africanos’. A mídia deveria fazer mais pressão. Ela tem poder e força. Gostaria de dizer para mídia: ‘Olhe atentamente, não importa onde algo mau aconteceu, exponha isso!’”.

Junto às tensões causadas pelos ataques terroristas, há também um problema humanitário. Quase 80.000 refugiados da Nigéria estão vivendo num grande campo de refugiados na diocese de Maroua-Mokolo. “Muitas pessoas gostariam de retornar para suas casas, mas elas precisam de segurança e perspectiva de vida! Muitas estão ali já há três, quatro, cinco anos e não podem voltar para casa”, explicou o bispo. Os refugiados católicos estão recebendo cuidado pastoral de um padre nigeriano que fala a língua deles. A ACN apoiou o projeto da construção de uma capela. O bispo é muito agradecido por isso. “Quase 5.000 católicos estão vivendo nesse campo. Duas missas são celebradas todo domingo. Ter um lugar para rezar é um importante sinal. Obrigado por nos ajudar!”.

Além dos refugiados nigerianos, há também mais de 50.000 camaronenses oriundos de aldeias próximas à fronteira que tiveram de fugir porque sua situação ali estava bem perigosa. A maioria destes conseguiram abrigo com amigos, conhecidos ou parentes. Para o sustento, eles recebem ajuda somente da Igreja Católica. Por essa razão, a ACN tem apoiado projetos de ajuda de emergência desde o ano passado para esses que ficaram sem teto. O bispo é pobre. Ele vive em pequeno quarto sem banheiro. Ele não tem uma catedral. Sua riqueza são as pessoas da sua diocese.

Entretanto, o que o deixa realmente feliz é que não há escassez de vocações. Trinta jovens da diocese de Maroua-Mokolo estão atualmente se preparando para o sacerdócio. Esse ano, Dom Ateba já ordenou dois ao sacerdócio, e no dia de todos os santos três jovens foram ordenados ao diaconato transitório.

E Dom Ateba tinha ainda mais uma notícia dar: ele estava muito agradecido em razão do “maravilhoso diálogo” que ele começou com os muçulmanos, apesar dos problemas com o Boko Haram. Muitas crianças muçulmanas – até filhos e filhas de líderes religiosos – estão estudando em escolas católicas. “O muçulmano comum também é contra o Boko Haram”, disse ele.

Todos os dias após à missa, os fiéis católicos rezam pedindo paz. A situação já melhorou um pouco, porque Boko Haram não está causando tantos ataques militares armados como antes. A organização terrorista se enfraqueceu em razão de campanhas militares conjuntas feitas pela Nigéria, Níger, Camarões, e Chade. “Todavia, a esperança do povo está em primeiro lugar enraizada em Deus,” enfatizou repetidamente o bispo. “Nós confiamos na oração. Rezar é a nossa força. Rezamos porque precisamos de paz. E, apesar dos ataques, nós não vamos deixar de nos reunir e pedir a Deus por essa paz juntos!”.

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