//Ajuda à Igreja que Sofre comemora 50 anos de ajuda à América Latina

Ajuda à Igreja que Sofre comemora 50 anos de ajuda à América Latina

2012-10-26T18:35:01+00:00 outubro 26th, 2012|Notícias|

Neste mês de outubro de 2012, a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre celebra 50 anos ajudando com doações e assistência aos bispos e agentes pastorais que atuam no Continente latino-americano. A iniciativa foi do seu fundador, Pe. Werenfried van Straaten, e continua dando frutos hoje nos diversos países que compõem o “Continente da Esperança”, incluindo o Brasil.

Em 1962, depois de vários anos ajudando na reconstrução de países arrasados pela II Guerra Mundial, o Pe. Werenfried assume uma nova tarefa: viaja à América Latina – uma região que enfrenta ainda hoje dramáticas mudanças – para conhecer uma Igreja imersa em um “caldeirão das revoluções sociais”. O Papa João XXIII já havia convidado os católicos de todo o mundo a ajudar nas obras da Igreja na América Latina. Assim, a viagem do Pe. Werenfried foi o começo de uma duradoura e bem-sucedida cooperação e de uma solidariedade sem precedentes com as Igrejas locais latino-americanas. Só nos últimos dez anos, Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) contribuiu em mais de 12.500 projetos, incluindo projetos no Brasil, onde a entidade mantém um escritório em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

Olhando retrospectivamente, fica clara a importância, urgência e variedade dos projetos, e, ao mesmo tempo, pode-se constatar que continua imprescindível a ajuda material e a assistência aos agentes pastorais no território ibero-americano.

Após a viagem do Pe. Werenfried ao Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Venezuela e México começaram os projetos com ajuda recolhida pela AIS, como as chamadas Escolas do Rádio (programas de rádio para analfabetos da Diocese de Natal, no Nordeste do Brasil) que, além do ensino, também transmitiam Missas e catequeses.

A partir de 1964 a Fundação apoiou a iniciativa Lar de Cristo, uma obra fundada pelo santo chileno Alberto Hurtado, que construiu moradias para milhões de pessoas sem teto, voltadas especialmente para crianças. Depois da precoce morte de São Alberto Hurtado em 1952, o jesuíta belga José van der Rest continuou a obra e construiu nos subúrbios da capital Santiago milhares de casas pré-fabricadas para os marginalizados da sociedade chilena. A Ajuda à Igreja que Sofre contribuiu então com o financiamento de caminhões para o transporte do material, assim como com a construção de capelas nos novos bairros.

Graças à generosidade de milhares de pessoas, Ajuda à Igreja que Sofre pôde progressivamente nos anos seguintes destinar recursos a mais projetos, entre eles o chamado projeto AMA (Caminhões para a Amazônia). A região amazônica, que durante muito tempo havia sido um território quase inabitado, vinha recebendo cada vez mais moradores, mas na região havia poucos sacerdotes e escassos meios de transporte, o que tornava praticamente impossível organizar a pastoral. Assim, a Ajuda à Igreja que Sofre adquiriu 280 caminhões que pertenciam ao Exército suíço e os enviou à Amazônia, onde serviram de meio de transporte para as populações locais até bem pouco atrás.
Segundo Ulrich Kny, responsável da Ajuda à Igreja que Sofre pelo sul da América Latina (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai) e também Cuba, o apoio da AIS nesses países é até hoje imprescindível.

“Diante das complexas mudanças políticas, um desenvolvimento econômico sumamente diversificado e uma nova e problemática variedade religiosa, a Igreja Católica continua sendo uma importante força social. Além disso, a importância da Igreja da América Latina continua crescendo”, assegura Kny. Vale recordar que metade dos católicos do mundo inteiro se concentra hoje no continente americano.

Ulrich Kny cita o exemplo do Brasil para explicar a sua afirmação, onde a economia cresce exponencialmente, mas também existe a exploração abusiva da natureza e graves conflitos sociais. “Um grande problema é a emigração rural. Quase 75% da população da Amazônia vive nas cidades”, informa Kny, após uma estadia de quatro semanas em agosto deste ano nesta região, e acrescenta: “As pessoas perdem suas raízes e também precisam de uma autêntica assistência da parte da Igreja, por conta das enormes distâncias e a maior carência de sacerdotes, religiosas e colaboradores leigos”.

De acordo com Ulrich, a expansão econômica também tem consequências alarmantes: “Há conflitos sociais muito agudos: briga por terras, violência extrema, prostituição e tráfico de pessoas. Além disso, o consumo de drogas está muito difundido e o número de seitas aumenta”. Kny acrescenta que nos limites das grandes cidades como, por exemplo, em Manaus (à beira do Rio Negro) ou na aglomeração urbana de Belém do Pará (na desembocadura do Amazonas) surgem enormes bairros novos planejados, mas também assentamentos sem nenhum tipo de organização”.

“Nas regiões de inundações vivem várias dezenas de milhares de pessoas em miseráveis palafitas que, na maioria dos casos, não recebem nenhum tipo de ajuda”, revelou Ulrich Kny. O membro da AIS disse ainda que “os bispos enfrentam enormes problemas pastorais”.

“O que querem é anunciar a Palavra de Deus, oferecer a Eucaristia e fortalecer a pastoral familiar e juvenil, mas precisam de sacerdotes, catequistas, meios de transporte e Igrejas para isso”, sublinhou.

Não obstante, as dioceses e congregações da Amazônia criaram múltiplas instituições sociais nas quais oferecem cursos de formação profissional e assessoramento, ajudam os mais necessitados, e os dependentes de drogas ou do álcool a reintegrar-se na vida social.

Em relação a este último aspecto do trabalho da AIS no Brasil, vale destacar uma instituição em concreto que ostenta uma taxa de êxito notavelmente alta: as Fazendas da Esperança. O projeto foi fundado e é dirigido pelo padre franciscano alemão Hans Stapel. Nestas fazendas, os dependentes químicos –homens e mulheres – trabalham, convivem em fazendas. Diariamente se reúnem para rezar e tentam aplicar o Evangelho à sua vida cotidiana. Algo que distingue a Fazenda da Esperança é o trato aberto e cordial, que reflete o amor e a misericórdia de Deus que os membros experimentam no dia a dia. Muitos dos que conseguem superar o vício não rompem os laços com a iniciativa de “Frei Hans” ajudando os membros recém-chegados com a sua experiência. Hoje o projeto funciona também em outros países e recebeu a visita de Bento XVI quando esteve no Brasil em 2007 para a IV conferência geral do episcopado latino-americano em Aparecida.

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