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Cristãos ortodoxos são mortos em ataques na Etiópia

Publicado em: outubro 28th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 5|

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A Igreja Católica na Etiópia renovou seu apelo pela paz e pela proteção dos civis após ataques contra comunidades de cristãos ortodoxos na região de Oromia. Segundo relatos, pelo menos 60 pessoas, entre idosos e crianças, morreram em meio à retomada da violência e ao crescente temor de instabilidade no país.

Os ataques ocorreram em 20 de outubro, no distrito de Merti, e em 24 de outubro, no distrito de Shirka, ambos na região de Arsi, em Oromia.

De acordo com relatos da imprensa, homens armados invadiram casas em Shirka e mataram moradores com armas de fogo e facas. Entre as vítimas estavam idosos e crianças. Além disso, os agressores teriam danificado uma igreja, enquanto comunidades vizinhas acolheram pessoas que fugiam da violência.

Cristãos ortodoxos enfrentam novos ataques em Oromia

Os ataques preocupam especialmente porque podem acrescentar uma dimensão religiosa aos conflitos que já afetam a Etiópia. O país enfrenta tensões políticas, étnicas, territoriais e regionais que tornam a situação cada vez mais complexa.

O governo regional de Oromia acusou grupos rebeldes armados de cometer os assassinatos mais recentes com o objetivo de provocar um conflito religioso. No entanto, ninguém verificou essa acusação de forma independente, e a responsabilidade pelos ataques continua em disputa.

Enquanto isso, a violência e a insegurança também aumentam no norte da Etiópia, onde a retomada dos combates desperta o temor de uma nova escalada de grandes proporções.

Conflitos no norte da Etiópia agravam a instabilidade

A retomada dos confrontos no norte do país trouxe de volta as lembranças da devastadora guerra em Tigré. Em 2022, o Acordo de Pretória encerrou formalmente dois anos de combates. Entretanto, disputas políticas e territoriais não resolvidas, o deslocamento de populações e as tensões entre autoridades regionais e federais continuam desestabilizando a Etiópia.

Nas últimas semanas, confrontos envolvendo a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF), grupos armados aliados e forças governamentais se espalharam por partes de Tigré, Afar e Amhara.

Diante desse cenário, os bispos católicos da Etiópia publicaram um apelo no qual afirmaram que a Igreja “lamenta profundamente o conflito armado que está ocorrendo atualmente em Tigré, Afar, Amhara, Oromia e outras regiões” do país.

Bispos alertam para o sofrimento causado pela guerra

No mesmo apelo, os bispos advertiram que, “em vez de resolver as diferenças, a guerra serve apenas para aprofundar as divisões e multiplicar o sofrimento”. Segundo eles, os confrontos deixam mortes, destruição e “sementes de ódio, ressentimento e vingança que podem perdurar por gerações”.

Essa preocupação também aparece em uma carta pastoral de dom Lesanechristos Matheos, bispo da Eparquia Católica de Bahir Dar-Dessie, no norte da Etiópia. O religioso enviou o documento à ACN.

Em 3 de outubro, o bispo manifestou profunda preocupação com as pessoas que enfrentam “medo, insegurança, deslocamento, perdas e incerteza”. Além disso, convocou todas as pessoas de boa vontade a responderem à crise com oração, sabedoria, compaixão e um compromisso firme com a paz.

Igreja pede proteção para todas as comunidades

Dom Matheos também alertou para o perigo de permitir que a violência contra uma comunidade provoque satisfação em outra. Para ele, a dor das vítimas deve despertar solidariedade, independentemente de suas origens ou crenças religiosas.

“Cada vida perdida é uma tragédia”, escreveu o bispo, ao lembrar o sofrimento das mães que perderam seus filhos, das crianças que ficaram sem os pais e das famílias obrigadas a abandonar suas casas.

Na carta pastoral, dom Matheos ressaltou que buscar a paz não significa permanecer em silêncio diante da injustiça. Pelo contrário, os cristãos devem defender a dignidade humana, proteger os mais vulneráveis, buscar a verdade e abrir caminhos para a reconciliação e a cura das feridas.

Cristãos ortodoxos e outras comunidades vivem sob tensão

O bispo também pediu aos fiéis que rejeitem o “ódio, os rumores, a desinformação e as palavras que inflamam os conflitos”. Além disso, recomendou prudência antes de compartilhar informações, especialmente em um cenário no qual notícias não verificadas podem agravar as tensões entre comunidades.

De acordo com o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo 2025, da ACN, a paz na Etiópia continua frágil. Rivalidades étnicas, desequilíbrios de poder e ressentimentos históricos alimentam a instabilidade e dificultam a convivência pacífica.

Nesse contexto, as comunidades religiosas frequentemente acabam envolvidas na violência política e étnica. Ao mesmo tempo, a politização da identidade religiosa e os episódios recorrentes de violência motivada pela religião aumentam a pressão sobre a convivência entre diferentes crenças.

Diversidade religiosa na Etiópia

A Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo representa a maior comunidade religiosa do país, com cerca de 44% da população. Os muçulmanos correspondem a aproximadamente 34%, enquanto os cristãos evangélicos e pentecostais representam cerca de 19%.

Os católicos, por sua vez, constituem aproximadamente 0,7% da população etíope. Além disso, a filiação religiosa varia consideravelmente entre as regiões e, muitas vezes, está relacionada a identidades étnicas, territoriais e políticas.

Diante desse cenário, a Igreja Católica continua defendendo o diálogo, a proteção dos civis e a reconciliação. Os apelos pela paz buscam impedir que os conflitos atuais aprofundem as divisões religiosas e prolonguem o sofrimento das comunidades etíopes.

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