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Ataques por colonos ameaçam vila cristã na Cisjordânia

Publicado em: outubro 25th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 6|

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Líderes religiosos de Jerusalém condenaram os ataques por colonos israelenses mascarados contra moradores da última vila inteiramente cristã da Cisjordânia, além de diplomatas estrangeiros que visitavam a região. Os Patriarcas e Chefes das Igrejas de Jerusalém (PHCJ, na sigla em inglês) divulgaram a declaração após ataques ocorridos em Taybeh e arredores, nos dias 16 e 17 de outubro, enquanto os moradores locais colhiam azeitonas durante a colheita anual.

Na declaração, os PHCJ alertaram para o aumento da violência contra comunidades palestinas. Segundo os líderes religiosos, “nas últimas semanas, as vilas palestinas da Cisjordânia têm sido expostas a uma onda de terror em larga escala por parte dos colonos, que atinge seu auge neste período da colheita das azeitonas, quando as famílias vão às suas terras para colher o que precisam para viver e renovar o vínculo com suas terras, construído ao longo de gerações”.

Segundo relatos da imprensa, uma fotógrafa norte-americana ficou ferido em 16 de outubro enquanto registrava a colheita de azeitonas por palestinos nas proximidades de Taybeh. As equipes de socorro o levaram a um hospital para atendimento.

Ataques por colonos atingem moradores e diplomatas

No dia seguinte, colonos mascarados teriam atacado diplomatas franceses, belgas e poloneses em outra região da Cisjordânia. O grupo também incluía um prefeito francês e o arcebispo de Cambrai. Além disso, os agressores danificaram um veículo diplomático belga.

Bernard Baudoux, prefeito de Aulnoye-Aymeries, no norte da França, contou à Reuters que participava da colheita de azeitonas perto de Taybeh para demonstrar solidariedade à comunidade local quando sofreu um ataque. “Fui jogado no chão”, afirmou.

Diante desses episódios, os líderes das Igrejas ressaltaram que a violência contra a população local não representa um caso isolado. “Este ataque selvagem contra a vila cristã de Taybeh e sua população pacífica não é um incidente isolado”, declararam.

Decisão religiosa provoca indignação

Os Patriarcas e Chefes das Igrejas de Jerusalém também criticaram uma decisão religiosa recente do rabino Dov Lior, figura proeminente do movimento sionista religioso de Israel. Segundo relatos, o rabino defendeu que judeus israelenses poderiam retirar azeitonas de olivais pertencentes a palestinos na Cisjordânia.

A decisão argumentava que, de acordo com a lei religiosa judaica, a terra pertenceria, em última instância, ao povo judeu e que os palestinos não teriam direitos legítimos de propriedade sobre ela.

Em resposta, os líderes religiosos rejeitaram veementemente essa interpretação. “Consideramos a decisão religiosa publicada recentemente, que permite aos judeus retirar as azeitonas dos palestinos, infundada, muito preocupante e perigosa, além de absolutamente inaceitável. Apreciamos muito o fato de vários rabinos e vozes judaicas terem rejeitado publicamente essa decisão”.

Autoridades israelenses prendem suspeitos

E19 de outubro, as autoridades israelenses prenderam vários suspeitos durante uma operação realizada antes do amanhecer. A polícia investiga o possível envolvimento deles em atos de violência, o descumprimento de uma ordem que estabelece uma zona militar fechada e a realização de construções ilegais.

Embora tenham acolhido as declarações do presidente israelense Isaac Herzog, que condenou os ataques, os líderes das Igrejas alertaram que a violência continuará enquanto os responsáveis não enfrentarem as consequências de seus atos.

“Infelizmente, os fatos no terreno mostram que esses ataques continuam por causa da impunidade desfrutada por aqueles que os cometem”, afirmaram os religiosos.

Igrejas pedem proteção para Taybeh

Os líderes religiosos reconheceram as medidas adotadas pela Polícia de Israel e as prisões realizadas após o ataque. No entanto, defenderam que as autoridades mantenham uma atuação séria e consistente, em vez de tratar a operação como uma iniciativa isolada.

“Reconhecemos as medidas adotadas pela Polícia de Israel e as prisões realizadas após esse ataque. Expressamos nossa esperança de que essa atuação continue de maneira séria e consistente, e não permaneça uma medida isolada”, declararam.

Além disso, os líderes apelaram às autoridades competentes para que levem os responsáveis à Justiça. Também pediram à comunidade internacional que intensifique os esforços para proteger os moradores de Taybeh e de outras regiões da Cisjordânia, assim como as pessoas que visitam essas áreas para demonstrar solidariedade.

Pároco denuncia intimidações e insegurança

O padre Bashar Fawadleh, pároco de Taybeh, relatou à ACN, que os ataques por colonos e as intimidações continuam ameaçando a comunidade cristã. “Estamos documentando as contínuas incursões de colonos, as intimidações e os ataques a residências, propriedades privadas e instalações econômicas”, afirmou.

O sacerdote também destacou a falta de segurança, mesmo após as autoridades declararem Taybeh uma zona militar fechada. “Apesar de Taybeh ter sido declarada zona militar fechada, os colonos continuam circulando livremente, deixando nossa comunidade exposta a um medo crescente e à insegurança. Nossa preocupação não se limita ao que aconteceu, mas também ao que poderá acontecer a seguir, caso não seja garantida uma proteção eficaz”.

Por fim, o padre agradeceu à ACN e aos benfeitores pela “solidariedade e pelo compromisso com a preservação da presença cristã na Terra Santa”. Ele também pediu “atenção contínua, atuação diplomática e medidas concretas para proteger Taybeh, seus moradores e seu direito de permanecer com segurança em suas terras”.

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