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Escola Católica em Gaza reabre após quase três anos de guerra

Publicado em: setembro 18th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 81|

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A Escola Católica da Sagrada Família, na Cidade Velha de Gaza, reabriu as portas para aproximadamente 1.000 estudantes após quase três anos de guerra. Para o pároco local, padre Gabriel Romanelli, a retomada das atividades representa “um sinal de esperança” para uma população que encontra poucos motivos para esperar dias melhores.

A instituição atende a comunidade da Paróquia Católica da Sagrada Família e também a população em geral. Além disso, a maioria dos estudantes é muçulmana, o que reforça o papel da escola como espaço de convivência em meio à devastação provocada pelo conflito.

O padre Gabriel Romanelli espera que a reabertura da escola, após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e quase três anos de guerra, seja “como uma luz na escuridão para a comunidade local que sofreu tanto”.

Escola Católica busca devolver sensação de normalidade

Durante uma visita à Terra Santa, uma delegação da ACN ouviu o padre Romanelli sobre as necessidades da Igreja local. Segundo ele, “as necessidades em Gaza são enormes”.

Além disso, o sacerdote destacou que a Escola Católica pode ajudar estudantes e famílias a recuperar parte da rotina perdida durante o conflito. “Para os alunos e suas famílias, a reabertura da escola trará alguma sensação de normalidade. Trabalhamos muito para garantir que seja um ambiente seguro”, afirmou.

“Quase não há lugar em Gaza que não tenha sido destruído, a destruição está por toda parte. Mas trabalhamos muito para tornar a escola um ambiente limpo, onde as crianças, que passaram por tanta coisa, possam se sentir seguras”, acrescentou o padre Romanelli.

Estudantes cristãos de Gaza passam a estudar juntos

Antes da guerra, cinco escolas cristãs funcionavam em Gaza: três católicas, uma ortodoxa e uma evangélica. Os estudantes cristãos se distribuíam entre essas instituições. Agora, pela primeira vez, todos eles estudarão juntos na Escola da Sagrada Família.

George Akroush, diretor do Escritório de Desenvolvimento de Projetos do Patriarcado Latino de Jerusalém, informou à ACN que cerca de 130 estudantes cristãos frequentarão a Escola Católica. Eles representam aproximadamente 13% do total de alunos.

“Pela primeira vez, todos os estudantes cristãos de Gaza estudarão juntos em uma única escola cristã”, afirmou Akroush. “Isso cria um forte senso de comunidade e mostra que a Igreja continua próxima deles, acompanhando-os em meio a tudo o que estão enfrentando.”

Reabertura após retorno de pessoas deslocadas

A reabertura ocorre depois que muitas pessoas deslocadas pela guerra retornaram para suas casas. Até recentemente, mais de 450 pessoas buscavam abrigo na escola diante dos bombardeios israelenses que começaram após os ataques do Hamas.

Mesmo com a retomada das aulas, o padre Romanelli reconhece que a rotina está longe da normalidade. Ainda assim, a paróquia procura oferecer momentos de convivência às famílias.

Todos os domingos, depois da missa, ele leva os paroquianos à praia na Cidade de Gaza. “Mesmo que a água da praia esteja cheia de escombros (em toda parte de Gaza há escombros), queremos proporcionar algum tempo de recreação para as famílias”, explicou.

Guerra deixa marcas em professores e crianças

A guerra, segundo o sacerdote, mudou completamente a vida em Gaza e deixou marcas profundas. “Também é importante para os professores que a escola seja reaberta”, afirmou.

“Muitos dos professores estão tão traumatizados que é quase como se não fossem mais as mesmas pessoas que conhecíamos antes do início da guerra”, acrescentou o padre Romanelli.

Por isso, a equipe da escola adaptou o programa educacional para considerar os traumas provocados pelo conflito. A partir de agora, o apoio psicossocial terá um papel importante no acompanhamento de alunos e professores.

Apoio psicossocial é ampliado pela Escola Católica

“No passado, por exemplo, nunca tivemos apoio psicossocial no programa escolar. Agora, isso será uma parte importante do que faremos com as crianças e os professores”, afirmou o padre Romanelli.

“Todos em Gaza carregam um trauma enorme”, explicou o sacerdote. Além das aulas, a Escola da Sagrada Família também funcionará como uma importante base para atividades no contraturno.

As próprias crianças pediram a continuidade das atividades depois das aulas. Segundo Romanelli, elas diziam: “Por favor, mantenha a escola aberta depois das aulas, padre, não temos nada para fazer e nenhum lugar para ir”.

Símbolo de esperança

Para o padre Romanelli, portanto, a reabertura da Escola Católica vai muito além do retorno às salas de aula. A presença de 1.000 estudantes representa uma demonstração concreta de que a comunidade ainda consegue olhar para o futuro.

“Para mim, a escola é uma luz na escuridão. Ela significa muito para as pessoas. Quando elas veem os 1.000 estudantes chegando à escola com seus uniformes, isso mostra que existe um futuro”, afirmou.

A ACN, que possui um carisma especial de servir à Igreja que sofre e é perseguida, oferece há muitos anos apoio financeiro e outros tipos de assistência à Terra Santa, incluindo Gaza. Assim, a entidade continua apoiando a Igreja local enquanto a população enfrenta as consequências da guerra e tenta reconstruir a vida.

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