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Acampamentos de verão no Líbano acolhem 7.465 crianças e jovens

Publicado em: agosto 26th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 19|

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No Líbano, os acampamentos de verão ganharam um significado ainda mais importante em meio à guerra. Afinal, organizar alguns dias de atividades para crianças e jovens se tornou uma verdadeira corrida de obstáculos. Mas, mesmo assim, para a Igreja local, esses encontros são mais necessários do que nunca.

Neste verão, a ACN financia 61 acampamentos em diferentes regiões do Líbano. Ao todo, 7.465 crianças e jovens participam das atividades. Dioceses, paróquias e movimentos da Igreja local organizam os acampamentos e acompanham os participantes.

A iniciativa integra um programa internacional da ACN, que financia 407 acampamentos em 11 países afetados por guerra, deslocamentos, pobreza ou instabilidade. O Líbano reúne o segundo maior número de participantes, atrás apenas da Síria.

Acampamentos de verão enfrentam obstáculos da guerra

Na Arquieparquia Greco-Católica Melquita de Saida e Deir El Qamar, no sul do Líbano, a organização dos encontros exige adaptações constantes diante de uma situação de segurança imprevisível.

“O primeiro local que havíamos reservado ficava em Joun, no distrito de Chouf, e podia ser acessado por Saida. Com a guerra, chegamos a um impasse: tivemos de cancelar a reserva, começar a procurar outro lugar adequado, uma tarefa quase impossível. Começamos a nos perguntar, até o último momento, se realmente haveria um acampamento este ano”, contou à ACN Joelle Feghali, integrante do Movimento Apostólico Mariano (MAM).

“Tivemos que começar todos os preparativos novamente, do zero”, continuou. “Organizar acampamentos de verão se tornou uma jornada repleta de obstáculos, grandes decisões que precisam ser tomadas com urgência e desafios que podem parecer intermináveis.”

Voluntários também enfrentam o desgaste da guerra

Além das dificuldades logísticas, os responsáveis e voluntários também enfrentam cansaço. Eles precisam cumprir suas funções enquanto lidam com as mesmas incertezas econômicas, familiares e relacionadas à segurança que afetam o restante da população.

“Precisamos lembrar aos responsáveis o significado mais profundo de sua vocação”, afirmou Feghali. “Afinal é um compromisso ao qual permanecem profundamente ligados, mas que, às vezes, pode se tornar difícil de suportar.”

A guerra de 2024 provocou deslocamentos em massa e causou graves danos materiais e emocionais. Antes que muitas crianças conseguissem se recuperar, uma nova escalada, iniciada em março de 2026, voltou a obrigar centenas de milhares de famílias a deixar suas casas.

Feridas psicológicas afetam crianças e jovens

Consequentemente, a violência e os deslocamentos repetidos aprofundaram as feridas psicológicas das crianças. Então, os responsáveis pelo Movimento Apostólico Mariano acompanham de perto essas consequências e relatam um aumento preocupante da ansiedade, do isolamento, dos distúrbios do sono e do medo de barulhos altos.

“As crianças e os jovens de hoje carregam feridas profundas”, afirmou. “A solidão, o desânimo e a falta de motivação passaram a fazer parte de seu cotidiano.”

Além disso, o movimento identificou casos de automutilação, pensamentos suicidas, dependência de medicamentos e aumento de transtornos psicossomáticos. Alguns jovens não conseguem participar dos acampamentos porque precisam trabalhar para pagar os estudos ou ajudar financeiramente suas famílias.

Insegurança também afeta a participação nos acampamentos de verão

Além disso, em outros casos, os pais não permitem que os filhos participem por medo de uma nova deterioração da situação de segurança. Assim, os conflitos afetam não apenas a rotina das famílias, mas também as oportunidades de convivência e apoio oferecidas às crianças e aos jovens.

Nesse contexto, os acampamentos de verão vão muito além das atividades recreativas. Eles oferecem um ambiente seguro no qual os participantes podem expressar seus medos, recuperar uma rotina, construir relações de confiança e descobrir que não estão sozinhos.

“Eles dizem às crianças e aos jovens que são amados e valorizados e que têm direito à segurança, à alegria e à esperança”, explicou Feghali. “Eles os ajudam a descobrir que, apesar das dificuldades, são capazes de sonhar, agir e contribuir para a reconstrução de sua Igreja, de sua sociedade e de seu país ferido.”

Crianças chegam marcadas pelo medo

Jennifer Hajj, vice-presidente do Movimento Apostólico Mariano, organiza e lidera esses encontros há vários anos. Segundo ela, muitas crianças chegam retraídas e carregadas de medos que nem sempre conseguem expressar em palavras.

“Muitas cresceram em um ambiente de ansiedade, medo e insegurança. Algumas foram diretamente afetadas pelos conflitos, enquanto outras vivem com as consequências das dificuldades econômicas que pesam sobre suas famílias”, afirmou. “Mesmo quando não expressam seu sofrimento em palavras, é possível percebê-lo em seus olhos, em seus silêncios e em seu comportamento.”

Hajj explica que os dias de convivência podem provocar uma mudança visível. Aos poucos, crianças e adolescentes retraídos começam a sorrir novamente, fazem novas amizades e recuperam a confiança em si mesmos.

Acampamentos de verão ajudam a recuperar a confiança

“À medida que os dias passam, muitas vezes testemunhamos uma verdadeira transformação. Crianças e adolescentes que estavam retraídos começam, aos poucos, a sorrir novamente. Fazem novos amigos, recuperam a confiança em si mesmos e descobrem que são acolhidos, ouvidos e amados.”

“Os acampamentos oferecem a eles um lugar onde finalmente podem respirar, rir, brincar, rezar e recuperar uma sensação de segurança que, às vezes, já não está presente em seu cotidiano”, acrescentou.

A responsável pelo MAM acredita que até mesmo uma experiência breve pode causar um impacto duradouro: “Cada acampamento reforça minha convicção de que apenas alguns dias podem mudar uma vida. Ver uma criança ou um adolescente partir mais feliz, tranquilo e cheio de esperança nos lembra que todo esforço, todo sacrifício e cada hora dedicada a essa missão valem a pena.”

Apoio continua durante todo o ano

O trabalho não termina quando os participantes voltam para casa. Durante todo o ano, o Movimento Apostólico Mariano promove encontros semanais e momentos individuais, enquanto seus responsáveis oferecem apoio contínuo aos jovens.

“Em um contexto no qual tantas formas de ‘morte’, como desânimo, solidão, perda de sentido, desespero e dependência, parecem estar avançando, escolhemos manter os olhos fixos em Cristo ressuscitado, que venceu a morte”, explicou Feghali.

“Nele, os jovens descobrem que nenhuma noite dura para sempre, que nenhuma ferida tem a palavra final e que toda vida pode sempre renascer na esperança.”

Jovens assumem responsabilidades

Os acampamentos de verão também permitem que adolescentes e jovens adultos assumam responsabilidades como líderes de grupos. Dessa forma, eles deixam de se enxergar apenas como vítimas das circunstâncias e descobrem que podem servir aos outros, exercer uma liderança positiva e se tornar construtores da paz em suas comunidades.

Para Dom Elie Béchara Haddad, arcebispo greco-católico melquita de Saida e Deir El Qamar, manter essas atividades durante a guerra representa uma escolha deliberada em favor da vida.

“Organizar acampamentos de verão para nossas crianças, jovens e famílias não é simplesmente uma atividade sazonal. É um ato de resistência cultural, um testemunho de fé inabalável e uma necessidade vital”, afirmou.

“Vocês não estão financiando férias comuns”

O arcebispo descreve os acampamentos como “um espaço seguro que oferece oxigênio espiritual e psicossocial”. Para as crianças, eles proporcionam estrutura e oportunidades para liberar seus medos por meio de brincadeiras e da arte. Para os jovens, tornam-se uma escola de liderança e serviço. Já para as famílias, representam um sinal concreto de que não estão sozinhas, segundo a Igreja.

“Ao apoiar nossos acampamentos de verão, vocês não estão financiando férias comuns”, enfatizou o arcebispo Haddad. “Estão financiando a continuidade de nossa presença, a cura de nossas crianças e o futuro de nossos jovens.”

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