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Semana Santa começa sob o sinal da cruz em meio a tensões no Oriente Médio

Publicado em: abril 1st, 2026|Categorias: Notícias|Views: 32|

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A ACN expressa preocupação com as restrições registradas no Domingo de Ramos em Jerusalém, Gaza e Síria, além de manifestar apoio aos cristãos da Terra Santa. Nesse contexto, a Semana Santa começa marcada por desafios que afetam diretamente a vivência da fé na região.

A organização relata que as celebrações de 29 de março de 2026 ocorreram sob tensão, restrições e insegurança. Em Jerusalém, a polícia israelense impediu o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino, e o Custódio da Terra Santa, padre Francesco Ielpo, de entrarem na Igreja do Santo Sepulcro, onde presidiriam a missa do Domingo de Ramos. Autoridades eclesiais locais consideram o episódio uma grave limitação à liberdade religiosa.

Além disso, o cancelamento da tradicional procissão no Monte das Oliveiras, por motivos de segurança, aumentou a apreensão entre os fiéis. A presença cristã na Terra Santa segue frágil, o que intensifica ainda mais o clima de incerteza.

Semana Santa sob tensão em Jerusalém e Gaza

Ao mesmo tempo, em Gaza, a paróquia católica viveu o Domingo de Ramos em condições extremamente difíceis. Segundo a ACN, a celebração ocorreu sob chuva e em um ambiente de constante tensão. “Houve muitos disparos ao longo da linha amarela (limite militar israelense estabelecido durante o cessar-fogo de outubro de 2025), e fragmentos de estilhaços caíram sobre o nosso telhado”, relatou o padre Gabriel Romanelli.

Por causa do risco, a comunidade não conseguiu decorar a cruz no telhado da igreja com ramos. Ainda assim, a estrutura que a sustenta continua marcada por bombardeios, enquanto a cruz permanece intacta, um sinal forte às vésperas da Páscoa.

Enquanto isso, na Síria, líderes religiosos também adotaram medidas preventivas. As procissões do Domingo de Ramos não ocorreram em cidades como Damasco e Aleppo, tanto por questões de segurança quanto em solidariedade a comunidades atacadas recentemente.

Insegurança crescente na Síria

O ataque à cidade de Suqaylabiyah, na noite de 28 de março, intensificou o clima de medo. Moradores de uma comunidade vizinha invadiram a cidade após uma disputa, saquearam lojas e destruíram uma estátua da Virgem Maria. Embora a situação tenha sido controlada, o episódio deixou a população, majoritariamente cristã, em estado de alerta.

De acordo com o padre Dimitrios, o ataque surpreendeu os moradores. Ele explicou que não havia sinais claros de tensão nos dias anteriores. Ainda assim, segundo ele, conteúdos nas redes sociais incentivaram alguns jovens e contribuíram para o agravamento da situação.

Apesar disso, o sacerdote destacou que as relações entre comunidades religiosas permanecem, em geral, positivas. “Há ansiedade, tensão e algum medo hoje, mas as pessoas permaneceram em suas casas”, afirmou. Ele também explicou que as celebrações seguiram dentro das igrejas por segurança.

Semana Santa, fé e apelos por liberdade religiosa

Por sua vez, o arcebispo maronita de Aleppo, Joseph Tobji, afirmou que o cancelamento das procissões não ocorreu por medo. Segundo ele, a decisão representou um gesto de solidariedade com as comunidades atingidas. Além disso, ele destacou que a medida também expressa um protesto contra a disseminação de armas fora do controle estatal.

Líderes da Igreja continuam alertando para o futuro incerto dos cristãos na região. O arcebispo Jacques Mourad, por exemplo, aponta o aumento das preocupações com a falta de liberdade e o risco de marginalização, o que levanta temores sobre uma possível islamização gradual da sociedade.

Enquanto isso, no sul do Líbano, os fiéis mantiveram as procissões mesmo diante da chuva, da tensão e dos ataques recentes. Após a morte de um sacerdote católico e a evacuação de vilarejos cristãos, as celebrações se tornaram um testemunho de fé e esperança em meio ao sofrimento.

Solidariedade e convite à oração na Semana Santa

Diante desse cenário, a ACN reforça sua solidariedade ao Patriarcado Latino de Jerusalém, à Custódia da Terra Santa e a todas as comunidades afetadas.

“Pedimos o respeito efetivo à liberdade religiosa e ao status quo que regula os direitos e o acesso aos Lugares Santos em Jerusalém, para que os fiéis possam viver sua fé sem obstáculos, especialmente durante estes dias santos”, afirmou Regina Lynch.

Por fim, a organização convida à união em oração. “A ACN também convida os fiéis de todo o mundo a se unirem em oração pelos cristãos na Terra Santa e em todo o Oriente Médio, e pela paz em Jerusalém e em toda a região. Que esta Semana Santa, marcada por provações e incertezas, seja também um tempo de esperança, reconciliação e fé na Ressurreição”, concluiu.

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