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Ataques suicidas deixam mortos e espalham medo no nordeste da Nigéria

Publicado em: março 20th, 2026|Categorias: Notícias|Views: 18|

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Ataques suicidas voltaram a provocar terror no nordeste da Nigéria e deixaram dezenas de mortos. Um padre alertou que terroristas estão “se infiltrando” em vilarejos, agravando ainda mais a insegurança na região.

O padre Joseph Fidelis, da Diocese de Maiduguri, afirmou à ACN que extremistas já vinham atacando comunidades vizinhas havia duas semanas. Segundo ele, a ofensiva culminou no ataque de segunda-feira (16 de março), que matou 28 pessoas.

Pe. Fidelis relatou: “Na noite de domingo, eles tentaram se infiltrar na cidade, mas os militares os avistaram, houve intenso tiroteio e eles foram repelidos”.

Ataques suicidas e infiltração: estratégia preocupa moradores

“Mas, no dia 16, alguns membros do grupo avançado já estavam na cidade planejando o ataque em três locais.” A primeira explosão aconteceu na entrada do hospital universitário. Em seguida, poucos minutos depois, outras duas explosões atingiram o popular Mercado de Segunda-feira e o centro comercial próximo aos Correios, ambos a cerca de 4 quilômetros do hospital.

Além das 25 mortes, pelo menos 108 pessoas ficaram feridas nos atentados coordenados, que ocorreram por volta das 19h30, no horário local. Nesse momento, multidões estavam nas ruas após o fim do jejum do Ramadã. De acordo com o bispo John Bakeni, três cristãos morreram nas explosões e pelo menos seis seguem hospitalizados.

Violência coordenada e impacto durante o Ramadã

Pe. Fidelis identificou os responsáveis pelos ataques como membros do ISWAP (Estado Islâmico na Província da África Ocidental), um grupo jihadista que atua na região e atravessa fronteiras.

Ele explicou: “Eles adotam uma abordagem de guerrilha para se infiltrar. Agem como pessoas comuns, entrando em carros com roupas normais. Usaram dispositivos improvisados que provavelmente prepararam na própria cidade… De certa forma, reconhecemos o esforço da polícia, pois a vigilância pode ter diminuído enquanto as pessoas voltavam para casa no horário de romper o jejum do Ramadã.

“Os terroristas se infiltram. A polícia se esforça, mas eles encontram brechas. A polícia de Borno confirmou que a investigação preliminar indicou que os incidentes foram realizados por ‘suspeitos homens-bomba’.” As autoridades informaram que já iniciaram uma investigação para identificar os responsáveis. Além disso, declararam que a “normalidade” havia sido restabelecida na cidade.

Medo persiste apesar de anúncio de “normalidade”

No entanto, Pe. Fidelis contestou essa avaliação: “A normalidade não voltou. Os Correios costumam funcionar como uma estação central de ônibus, mas as pessoas estão evitando o local, afinal precisam passar por becos e têm medo de sair.

“As pessoas estão com medo de perder a vida. Mesmo sem toque de recolher imposto pelo governo, elas não estão saindo.”

Segundo o sacerdote, ataques em vilarejos como Ngoshe e Pulka já forçaram cerca de 3.000 pessoas a se deslocarem para Maiduguri, em busca de segurança.

Deslocamento em massa agrava crise humanitária

Ele destacou ainda o impacto direto desse deslocamento: “Isso torna mais difícil para as forças de segurança fazerem verificações, pois precisam parar e revistar todos. É como uma guerra de guerrilha e difícil de controlar.”

Além disso, o aumento no número de deslocados internos intensificou a crise humanitária. “À medida que mais pessoas fogem para salvar a própria vida e são deslocadas, a situação se torna mais caótica”, afirmou.

Por fim, o padre descreveu o esforço das igrejas para apoiar a população: “Na maioria das vezes, quando isso acontece, as pessoas correm para as igrejas. Estamos tentando fornecer alimentos, abrigo, banheiros improvisados e tendas. Pedimos suas orações e solidariedade. A ACN é sempre a primeira a nos ajudar. Eles apoiam viúvas, órfãos e catequistas. Somos sempre gratos. Apreciamos muito tudo o que vocês fazem.”

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