Fundei minha obra depois da guerra, inicialmente a fim de ajudar os alemães banidos de sua pátria, mais tarde também os refugiados de todo o mundo. Seguiu-se a ajuda à Igreja perseguida. Pudemos ajudar praticamente em todos os países do bloco comunista, e hoje somos, de certa forma, especialistas nesta área.

Sempre chamei a atenção para o fato de que precisávamos nos preparar para o “dia das portas abertas”, como o denominei. Para mim era claro que, quando as portas se abrissem, se faria um vácuo monstruoso, uma imensa fome da Palavra de Deus, de padres, sacramentos e amor. Sobretudo então é que ai se iria necessitar da nossa ajuda. Foi para isso que rezamos e trabalhamos. No entanto, há aproximadamente dez anos, fico muito preocupado ao observar que nós, do Ocidente, nos encontramos em uma tamanha crise religiosa que dificilmente teremos condições de ajudar satisfatoriamente. São demais os padres e as vocações religiosas que perdemos. Hoje, faltam-nos missionários para o Leste.

Nosso cristianismo deveria ser hoje tão ardente e tão brilhante, que pudéssemos convencer os outros de que temos a verdade e a vida. A juventude do Leste Europeu perdeu a fé em Marx. Procura novos valores. Nós, ao contrário, muitas vezes perdemos a fé em Cristo. A Igreja tem aqui uma responsabilidade histórica com o futuro. Uma das nossas tarefas mais importante é, portanto, a formação de novos sacerdotes, como por exemplo, quase onze mil na Polônia e milhares de outros no Leste Europeu, no Terceiro Mundo e no Ocidente.

Padre Werenfried van Straaten
— Texto tirado do livro “Um Mendigo de Deus”