Semana Santa

2018-05-10T11:17:56+00:00maio 10th, 2010|Um Mendigo de Deus|

Cristo começou sua Paixão com clarividência: “Em verdade eu vos digo: um de vós me vai entregar” e, acrescentou: “Melhor fora para este homem não ter nascido” (Mt 26,21.24). Este homem foi o mesmo que se irritou quando Madalena ungiu os pés de Jesus: “Por que não se vendeu esse perfume por trezentos denários para dá-los aos pobres?” (Jo 12,5).

A pergunta de Judas parece muito cristã, quase moderna. No entanto, é a pergunta de um traidor, que não compreende o Senhor nem ama os pobres, ainda que queira parecer caridoso. Pois, em sua crítica ao gesto de amor sem medidas de Maria Madalena, ele se afasta da intenção do Mestre, que outra coisa não é senão sacrificar-se, por amor, até chegar à loucura da cruz.

Um Messias “sensato”, um taumaturgo ou um rei, seria aceitável para Judas, mas não alguém, que voluntariamente se deixou crucificar. Por isso ele o traiu. Sua argumentação é típica de um desertor. Pois só uma pessoa assim poderia, com palavras pseudo-cristãs, desprezar a cruz de Cristo. Dessa forma, Judas se tornou pai de todos os que, por sua pretensa sabedoria, não suportam a loucura da cruz e, em nome de um cristianismo “puro”, “moderno”, “confiável”, tentam negar a cruz.

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