Estudo de Caso: Índia

2018-10-17T15:16:21+00:00
ÍNDIA
ESTUDO DE CASO
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Agricultor muçulmano morto por radicais hindus “justiceiros das vacas”

Abril de 2017: Pehlu Khan, um muçulmano produtor de leite, morreu depois de ser atacado por “justiceiros das vacas” em Alwar, no estado do Rajastão. O Sr. Khan e os seus colegas foram abordados por cerca de 200 justiceiros quando transportavam gado leiteiro que tinham acabado de trazer de volta à sua aldeia. A vaca é sagrada na tradição hindu e protegida pela Constituição da Índia. Os justiceiros têm assediado, atacado ou matado indivíduos suspeitos de abaterem vacas.

Pouco antes da sua morte, o Sr. Khan tinha apresentado uma declaração à polícia identificando as seis pessoas responsáveis por atacá-lo, mas todas as acusações criminais contra eles, incluindo a acusação de homicídio, foram retiradas. Embora as autoridades não tenham conseguido progredir no caso de homicídio, 11 muçulmanos atacados juntamente com o Sr. Khan foram detidos em ligação com infrações no âmbito da lei de proteção da vaca no Rajastão.

Foram organizados protestos em Nova Deli e em outras partes do país em resposta à crescente violência contra muçulmanos e a casta inferior dos dalits por parte de justiceiros hindus. Os ataques contra minorias religiosas, particularmente contra cristãos, aumentaram drasticamente após a vitória esmagadora do Partido Bharatiya Janata (BJP) nas eleições de março de 2017.

Os líderes do BJP defenderam a ideologia Hindutva que considera a Índia como essencialmente uma nação hindu. Falando após a morte do Sr. Khan, o político Rahul Gandhi afirmou que esta “nova visão para a Índia que Narendra Modi… está propagando… é uma visão onde só vai prevalecer uma ideia”. Contudo, o Primeiro-ministro Modi pediu uma ação contra os grupos de justiceiros das vacas em agosto de 2017.

Pelo menos 10 muçulmanos foram assassinados em 2017 por radicais hindus “justiceiros das vacas”.

Fontes: LiveMint, 6 de abril de 2017; Times of India, 25 de abril de 2017; Business Standard (India), 1° de fevereiro de 2018; Relatório do USCIRF 2018.