Estudo de Caso: França

2018-10-17T14:43:39+00:00
FRANÇA
ESTUDO DE CASO
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Mulher judia atirada pela janela do terceiro andar

Uma procissão realizada em memória de Sarah Halimi – abril de 2017.

Abril de 2017: A Dra. Sarah Halimi, uma avó judia de 65 anos de idade, foi espancada e atirada pela janela do terceiro andar de sua casa em Paris. Um muçulmano de descendência maliana, que também vivia no mesmo prédio, foi acusado do homicídio da mulher. Na época em que escrevemos, o seu julgamento ainda está pendente. Os vizinhos, incluindo muçulmanos, afirmaram que tinham ouvido o homem gritando slogans religiosos em árabe durante o homicídio, incluindo partes do Corão.
Foram demonstradas preocupações de que as autoridades francesas e a imprensa estavam relutantes em citar a dimensão religiosa do crime. Os manifestantes – grupos judaicos, intelectuais famosos e algumas figuras políticas – estavam particularmente zangados com a ausência de um elemento antissemita na acusação contra o agressor. O homem que atacou a Dra. Halimi alegou insanidade temporária: ele havia consumido maconha antes do ataque e os psiquiatras se mostraram divididos sobre se ele está em condições de ir ao tribunal. Dez meses após o ataque, os tribunais reclassificaram formalmente a morte da Dra. Halimi como “homicídio tendo o antissemitismo como fator agravante”.

A extensão do antissemitismo na França é destacada pelo fato de, menos de um mês após o juiz ter confirmado que o assassino de Sarah Halimi tinha sido motivado por antissemitismo, no final de fevereiro de 2018, Mireille Knoll, uma avó de 85 anos de idade que sobreviveu ao Holocausto, foi repetidamente esfaqueada na sua casa por dois homens, que mais tarde queimaram o seu corpo.

A França acolhe a maior população judaica da Europa Ocidental e muitos nesta comunidade de 400.000 membros se queixaram durante anos de um aumento dos crimes de ódio antissemita. Perante tais ataques, os últimos anos têm presenciado um grande aumento da emigração de judeus, muitos partindo definitivamente para Israel.

A morte da Dra. Halimi desencadeou novos comentários na imprensa, destacando estudos que apontam para um aumento do antissemitismo, em especial entre as partes radicalizadas da comunidade muçulmana.

Fontes: Jewish Chronicle, 25 de agosto de 2017, 12 de julho de 2018; Telegraph, 28 de fevereiro de 2018; Jerusalem Post, 26 de junho de 2018.